
Como se reconhece um guru? Se ele ou alguém não segurar uma cartaz dizendo que é um guru, como você vai saber a diferença de uma pessoa comum? É possível? Eu não sei.
Quando estive na India, encontrei com várias pessoas que se diziam iluminadas. Eu, de verdade não podia ver a diferença, a não ser pelo fato de que elas estavam cercadas de muita gente que as reverenciava. Uma delas era uma pessoa que abraçava todos os presentes. Não dizia nada, apenas abraçava. Era um abraço gostoso, dava pra perceber que era uma pessoa presente, mas nada de espetacular.
Um outro, tinha um discurso muito interessante. Dizia que não é preciso anos de meditação para se iluminar, nenhum estudo especial, nada do outro mundo. É possível, ele dizia, se iluminar no aqui e agora, num piscar de olhos. É só dar permissão para que isso aconteça. Bem, eu venho dando permissão desde esse dia e… nada, ainda não tenho luz própria.
Nada contra os gurus, acho que precisamos, sim, deles, na nossa caminhada em busca da luz. Mas eu acho que os mestres não precisam morar tão longe da gente nem custar uma fortuna. Os mestres podem estar bem ao nosso lado, aliás, acho que estão. Basta abrir os olhos e enxergar! O cachorro ou o gato que nos dá amor incondicional, a pessoa que nos dá sem pedirmos, o inimigo que nos pega de surpresa e vem pedir desculpas pelo erro, a pessoa simples que esbanja felicidade apesar do “pouco” que ganha. Todos esses são mestres que nos ensinam de graça e bem debaixo do nosso nariz. Mas é a velha história, o que vem de fora tem o apelo do exótico e diferente, exerce um grande poder de sedução. E se for caro então? Aí é infalível!
Foi nessa onda de exótico e diferente que acabei convidando um desses gurus que vinham do oriente. Isso foi no tempo em que morava na floresta, numa cabana só acessivel depois de uma longa subida 3,5 km quilometros à pé. Ele chegou cercado de meia dúzia de seguidores, esbaforido e suando em bica, depois da longa subida. E louco da vida porque não foi avisado do esforço que teria que fazer. Deu uma bronca feia em todo mundo. Eu já achei muito estranho essa demonstração de mundanidade...
No dia seguinte todo mundo acordou muito tarde, pois à noite o satsang foi madrugada a dentro. Lá pelo meio dia, o pessoal do séquito serviu um lauto café da manhã. O guru era um ótimo garfo! Tão bom garfo que reclamou da quantidade de comida… E reclamou de dores no pescoço também, ele tinha um caroço no pescoço que doia muito.
Me perguntaram se eu conhecia alguma planta que curasse aquilo. Eu, querendo saber um pouco dos hábitos do guru, perguntei o que ele comia normalmente. Quase caí pra trás quando me disseram que a comida preferida dele era hamburguer, batata frita e coca-cola!
Me senti como no dia em que me contaram que papai-noel não existia…
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