Home > Dentro e Fora - por Chico Abelha > A enxada e eu

Hoje foi um daqueles dias que a realidade despenca como concreto na sua vida e se você não fizer nada, o concreto endurece e você junto com ele… Resultado é que eu não parei um minuto e no fim do dia quem me socorreu foi minha amiga enxada. Sim, com a enxada eu converso, faço meu exercício, extravaso minhas tensões, levo altos papos e tenho grandes sacadas. Sou grato a ela pela saúde que gozo hoje e é em homenagem a essa ferramenta que escrevo este post hoje.
Se tem uma coisa da qual tenho orgulho é da minha saúde. Com 52 anos não tomo remédio algum e me sinto muito bem e disposto, obrigado! E não venham me dizer que tenho sorte, que é genético ou que fui poupado pelo destino. Na verdade eu me ligo no bem estar desde a primeira vez que comi um pão integral e aquilo me pareceu um manjar confeccionado pelos deuses. Quando me disseram que aquilo era bom pra saúde, fiquei fascinado e mais que depressa quis aprender a fazer. Na sequencia, acabei descobrindo a macrobiótica e graças a ela, me dei conta de que somos o que comemos (em grande parte, pelo menos). À partir de então, passei a ter mais consciência do que entrava pela minha boca.
Depois do pão veio o arroz integral, o açucar mascavo, o missô, o shoyu, e o ban-chá. Nessa época, tudo o que eu comia tinha que ser integral. Virei um fanático, devia ser um chato! Hoje sou mais equilibrado. Naquele tempo, cheguei até a inventar uns licores com açucar mascavo, que passei a fazer em grande quantidade e vendia em São Paulo, nas lojas de produtos naturais. Eu fazia desde licor de figo, genipapo e jabuticaba, que são os tradicionais, até licores mais ousados, de abóbora, de larva de zangão, de pólen de flores e ervas amargas. Ganhei muito dinheiro com isso e não sabendo o que fazer com ele, investi num sítio, que veio a ser minha morada no tempo que resolvi dar um tempo da cidade, o que, com certeza, contribuiu para a minha boa saúde.
Enquanto morei no sítio, não havia muito problema, cuidar da saúde era mais do que natural. Longe da poluição, eu plantava minha comida, rachava lenha e meditava todos os dias. Nem que eu quisesse ficava doente! Hoje, morando na cidade as coisas não são tão simples. Para comer bem é preciso não cair na tentação dos nuggets e hotpockets e lembrar de sair do computador de vez em quando, dar uma chacolhada no esqueleto.
E nessas horas, quem me salva é a amiga enxada. Claro, andar de bicicleta é bom, caminhar é ótimo, mas com a enxada há a relação com a terra. Jogo fora a tensão e a raiva, ao mesmo tempo que faço um bom exercício. Não é só o físico que se beneficia, a mente fica como que hipnotizada e acaba relaxando também. E de quebra acabo deixando o mundo mais bonito com a flores que aprendi a gostar, tanto quanto das hortaliças que planto. Capinar é como dançar, existe uma beleza naquela integração do capinador com a enxada, vocês já repararam nisso?
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Uma vez, num laboratório de analises clínicas, a atendente me perguntou qual era o meu plano de saúde e eu, sem pensar, falei a primeira coisa que me veio à cabeça:
__Olha, moça, o único plano de saúde que eu tenho é a minha enxada!
Ao que ela respondeu:
__Não trabalhamos com esse plano, o senhor vai ter que fazer como particular.
25 comments
E encontrá-Lo, a maior de todas as realizações
As vezes esqueço de logar e pago esse mico! Sorry!
e' quando o agricultor consado se apoia na enxada colocando seu cabo no sovaco. ajuda para dar uma respirada. ditado comum la' no sertao.
Minha "enxada" são o alongamento e a respiração. O alongamento me exercita do lado de fora e a respiração do lado de dentro, sou viciada nos dois. São dois hábitos que me colocam nos eixos.
Adorei! Abração!
Os planos de saúde podem ser adaptados conforme a necessidade do cliente. Por exemplo, num prédio de apartamentos, o plano da enxada vira plano da escada. O morador sobe e desce sem fazer uso do elevador. Outro caso seria o plano da estrada. Dentro das possibilidades, evita-se o uso do carro e põe-se o pé na estrada! Sempre se dá um jeitinho! É só querer...
Pedro, desculpe, eu sabia que essa história seria muito pesada para você. No entanto, existem muitas pessoas que podem se inspirar à partir dela, eu não poderia me furtar de escreve-la.
Mas me deu vontade de experimentar aqueles licores todos... :)
eu tinha um amigo la' no Nordeste chamado Miguel, ele nao gostava muito de roca e um dia me disse que a melhor enxada e' a que tem um cabo de 20 metros onde ele poderia capinar a roca de dentro de sua casa, na sombra e longe das cobras. Miguel e' muito sabio e preguicoso. Mas quem somos nos para julgar os preguicosos.
:-)
Voce falou sobre alguma outra coisa no post?
eu, com uma enxada, ficaria dolorido... não dá dor nos ombros??? uma posição desconfortável?
Tem relação com alimentação, exercícios, mas também com seu temperamento, com o fato de ter coragem e condições para viver como gosta e com quem gosta.
A relação com a terra é a sua meditação feita sob medida.
A do plano de saúde foi ótima!