Home > Dentro e Fora - por Chico Abelha > Peixes e onças...

Mais de uma vez ouvi dizer que homem quando procura endereço não pergunta. Já a mulher não hesita em pedir informações. No meu caso é verdade, eu não gosto mesmo de perguntar, prefiro sempre arriscar, não tenho paciência. Mas sábado passado eu pedi arrego. Estavamos minha esposa, a filha dela e eu, em busca de uma festa de casamento e nos perdemos numa estrada de terra, na zona rural de Mairiporã. Mesmo com o mapa do Google nas mãos não foi possível achar. O remédio foi perguntar…
Mas ninguém conhecia o tal sítio Cochicho das Águas e a situação começou a ficar complicada… As horas iam se passando, a nossa paciência se esgotando e já estavamos a ponto de voltar e desistir da festa, quando apareceu o nosso salvador, um menino de seus 8 ou 10 anos, que conhecia o local e nos indicou com precisão.
Lá chegados, o noivo, o dono da festa, disse que tínhamos tomado o caminho errado e muuuuito mais longo, uns 25 km a mais! Outros convidados também haviam se perdido, não foramos só nós, e alguém comentou que no aniversário dele tinha sido a mesma coisa… Tinha sido outra festa no mato e houve confusão pra chegar no local. Pensei comigo… hum, esse cara deve ser deve ser do signo de Peixes, vou perguntar. Batata! Ele era pisciano!
Prá quem não sabe, Peixes tem fama de ser avoado, com a cabeça em outras esferas que não a terrestre e por isso uma péssima fonte de informação quando se trata de endereço… Tem até uma lista muito engraçada que relaciona a descrição de cada um dos signos ao atravessar uma rua. O nativo de Peixes simplesmente pergunta: __Que rua? Ih é…!
Mas essa história teve final feliz, pior foi uma outra que aconteceu numa virada de ano, ah! essa foi dura pras meninas que a viveram na pele! Eu vivia ainda na floresta e minha companheira, de Peixes, convidou duas amigas para passarem o reveillon com a gente lá na cabana. Eu, já conhecendo os antecedentes da figura, antevi problemas.
Nossa cabana ficava a 4 km de caminhada do local até onde dava pra chegar com o carro e a trilha tinha diversas bifurcações… Anoiteceu e nada… 10 da noite, nada… meia noite e nada ainda… ficamos muito preocupados, mas o que fazer? Resolvemos ir atrás delas, quem sabe tinham se perdido no caminho? Fomos até o local onde elas deveriam ter estacionado o carro e… nada!
Bem, naqueles idos do ano 2000, nós ainda não tínhamos celular e ninguém quis ir até a cidade pra ligar. Voltamos pra casa, imaginando que elas haviam desistido e voltado atrás…
Quando minha companheira acabou encontrou as amigas novemente, ficou sabendo que elas tinham vindo sem carro, se perderam, e quando começou a escurecer, se abrigaram numa casa que encontraram no caminho. A casa estava fechada e elas se instalaram na varanda, onde fizeram um fogueira e não pregaram o olho, já que ficaram morrendo de medo de alguma onça aparecer. Chegaram mesmo a sentir o cheiro da onça, que não era nada mais que o baixeiro da sela do cavalo do seu Zé Monteiro, um solteirão bem apanhado, o dono daquela casa perdida no meio do nada…! Resultado é que tiveram uma péssima experiência…
Dias depois, encontrei com o seu Zé Monteiro, que me disse que alguém tinha feito uma fogueira na sua varanda. Me perguntou se eu sabia quem podia ter sido.
__Sei sim, seu Zé, foram duas amigas minhas que erraram o caminho, se perderam e acabaram dando na sua casa na virada do ano.
__Ah, seu Chico, então elas não erraram o caminho, quem errou fui eu de ter ido pra cidade nessa noite. Não acredito que eu perdi essa! Duas de uma vez, minha nossa senhora!
__O senhor não perdeu nada, seu Zé, elas gostam da mesma coisa que o senhor gosta.
O homem arregalou os olhos e me olhou sem entender.
__É, seu Zé, elas são um casal, o negócio delas não é homem não!
__…!
20 comments
M Luna
Peixes tem péssima orientação espacial (a grosso modo, claro), mas um ascendente em terra faz ele ficar bem pragmático, viu?...rs
Adorei a estória, Chico!
Finalzinho surpresa prá um Zé Monteiro cheio de idéias, hein?...rsrsrs
Dauney
A foto abaixo sim, é de uma onça brasileira.
mineiro adora ensinar caminho. gosta mesmo. só que complica demais. conta muita história no meio, e acha que a gente conhece a terrinha dele. é normal ouvir: "cê vai até o fim da rua. aí, quando chegar na casa de nonô de noquinha, dobra pra lá" (e estica o braço).
para os não mineiros, nonô de noquinha é nonô, provavelmente antônio, filho de dona noquinha, provavelmente... quaquer coisa. pode ser joaquina, pode ser noraldina, pode ser qualquer coisa. somos criativos para apelidos. aqui em minas a gente tem até uma "dona menina". acho lindo.
uma vez, brincando de passear em estrada de terra, a gente se perdeu, no meio de uma plantação de cana. achamos um menino de uns 10 anos que fez negócio conosco: "cês me levam pro grama (santo antônio do grama, cidade) eu mostro o caminho."
gente, rendeu um papo tão bom... ô menino legal! mas... como o tempo voa! hoje ele é rapazinho. onde estará agora?
e... viu só, chico abelha azul? é só eu ler história sua que lembro de coisa legal que vivi.
:)
Jura que você não dá informação de ruas e lugares? Mas como foi que eu cheguei certinho no seu consultório? rsrsrsrs!
que o panorama era esse, estrada de terra, diversas bifurcações e tal, eu
com certeza não iria...sou virginiana demais pra endereços confusos!
Mas, vai ver elas acabaram tendo uma noite romântica,né?