Churrasco no domingo não é meu programa predileto, especialmente agora que eu resolvi maneirar na alimentação e diminuir o consumo de carne (todos os tipos). Para prestigiar a aniversariante e acatar um pedido da minha esposa, que vive me dizendo que eu não saio do computador, acabei cedendo. Afinal, tratava-se da comemoração de 40 anos da fiel escudeira da minha esposa, uma pessoa que passou metade da vida dela recebendo os pacientes na linha de frente do consultório, era importante a nossa presença.
A festa era num desses espaços que se aluga para eventos, na periferia da cidade, naquela transição entre o urbano e o rural. Um gramado que faz as vezes de estacionamento, um laguinho artificial com plantas artificiais e cercado por uma mureta de blocos, uma casa de roça com jeito de abandonada, uma piscina de azulejos brancos e um galpão grande com churrasqueira e uma cozinha acanhada. Era ali que eu ia passar a minha tarde.
Quando chegamos, a festa já estava animada, um sambão nas caixas, todo mundo já comendo seu de churrasco com farofa, mas como eu já tinha feito uma boquinha em casa, não estava com nenhuma fome. Rapidamente, passei os olhos, procurando o lugar mais fresco para me instalar, pois o calor estava de rachar o coco… Cumpri as formalidades de praxe e me mandei para baixo de uns pinheiros na entrada do complexo. Eu não havia percebido quando entramos, mas debaixo desses pinheiros haviam uns bancos e balanços onde algumas crianças se divertiam. Aliviado por encontrar um lugar mais silencioso e fresco, sentei-me num banco cheio de mofo e agulhas de pinheiro.
Não demorou muito, as crianças se aproximaram e começamos uma conversa, aliás, elas puxaram papo comigo. Pergunta daqui, pergunta dali, acabaram descobrindo o que eu escrevo histórias na internet. Tão logo souberam disso, me pediram que contasse uma história, mas não uma história qualquer, tinha que ser de terror, ou de ação, ou de suspense. Fiquei com dó das crianças, mas eu não estava com nenhuma vontade de exercitar a minha imaginação naquela hora, de modo que devolvi o pedido.
Para minha surpresa, mal eu terminei minha recusa, uma das crianças, a Isabela, começou a contar uma história que havia lido na internet. Uma menina descobre um bando de viciados que costuma fazer uso de drogas numa casa vazia num lugar ermo. Curiosa, a menina resolve experimentar, se vicia também e sua vida se transforma num inferno. Ela se torna uma marginal e passa a viver com os viciados, que não a deixam mais voltar para casa e passam a estupra-la regularmente.
Nessa hora eu interferi e perguntei se elas sabiam o que era um estupro.
__É o que o Daniel fez com a Monique, tio, todo mundo sabe.
__Todo mundo sabe o que? Quem é o Daniel, quem é a Monique?
__Você não assiste o Big Brother, tio?
__O Big Brother? Eu não, e vocês?
Diante da minha negativa, fizeram cara de quem tinha visto fantasma. Admirado, constatei que as seis crianças ali, conversando comigo, todas elas, assistiam o Big Brother.
__Mas vocês assistem escondido dos seus pais? Eles sabem que vocês vêem esse programa?
Todos me responderam que assistiam com os pais, que sabiam que não era recomendado para menores de 14 anos e mais, todos tinham uma opinião formada, se o rapaz tinha mesmo estuprado ou se foi armação da moça… Argumentavam como adultos, dando todos os detalhes picantes sobre o ocorrido. Chocado com as informações que me eram dadas por aquelas crianças, perguntei a idade delas.
A mais velha era a Isabela, com 11 anos, e o mais novo do grupo tinha 7 anos…
Depois desta aula, decidi que todos os domingos vou sair de casa para fazer um programa diferente, conhecer mais do mundo real, pois eu tenho passado muito tempo mergulhado na fantasia.

35 comments
Chico você já viu mula sem cabeça ou lobisomem cara a cara?
Já foi guiado na mata a noite por uma luzinha?
Algum "provável" animal já arranhou a parede de seu quarto logo abaixo da janela por boa parte da noite e ao levantar de manhã, estava lá as marcas das unhas?
Já foi perseguido por uma bola de capim pegando fogo?
Já viu em algumas noites um fogaréu embaixo de um determinado pinheiro no meio do campo próximo a sua casa e quando acontecia, no dia seguinte ia lá e não tinha nem vestígio de mato queimado e nem de nada queimado?
Já teve aquela dor de barriga insuportável já tarde da noite na pré adolescência e o banheiro da casa da avó além de ser pra fora a luz estava queimada e era lua cheia e ao resolver se aliviar debaixo de enorme paineira, vê em sua frente um cachorro muito grande, bem maior que o tamanho natural, peludo, preto e de olhos cor de fogo que te encarava a poucos metros, levantar e sair correndo com as calças arriadas e só parar dentro do quarto e perder o sono no restante da noite. De manhãzinha, levantar-se antes de todo mundo para ir lá limpar a caca e ver que não tinha nada no chão, será que o "cachorrão comeu"... de arrepiar mas verdadeiro.
Agora, minhas histórias já estão contadas quase todas aqui no YuBliss, é só ver os posts antigos do blog e as minhas histórias no site.
Quando criança adorava ouvir histórias, minha mãe contava cada uma de arrepiar, meu pai e meu tio também contava pra gente e na hora de dormir ficava com medo, as vezes sonhava, tinha pesadelos...
Minha avó tirava sarro quando diziam que um rapaz peludo que gostava de tocar violão perto da casa dela toda sesta feira depois da meia noite virava lobisomem, até que aconteceu um negócio e ela a partir daquele dia não tirou mais sarro e passou a acreditar.
Minha mãe também conta que depois que aconteceu com ela uma coisa horrível a meia noite, passou a acreditar em mula sem cabeça, se não fosse os amigos voltarem e a arrastarem de próximo daquele cavalo sem cabeça com fogo que saia do pescoço, provavelmente ela teria morrido.
Meu tio também contou um ocorrido com ele a noite dentro de casa... aff, pena que escrever as histórias demora muito senão postava aqui.
Meu pai e minha mãe já foram seguidos por uma luzinha no meio da trilha no mato na noite de um velório onde ele morava quando eu era bebê.
Chico conta uma história pra gente, você que morou no mato, já viu coisas estranhas acontecerem?
Final de semana mesmo, estive na praia, coisa que faço pelo menos uma vez por ano.
Bj!
bj!
"Necesitamos desesperadamente que nos cuenten historias. Tanto como el comer, porque nos ayudan a organizar la realidad e iluminan el caos de nuestras vidas."
Cuidado com MUITA realidade...
bjs
Gena
Quanto às massas, estou sentindo uma forte atração por elas...
Não entendi essa coisa da minha esposa começar a reclamar...
Com voce é que as coisas foram normais,adequadas, felizmente pra mim também, mas pra muitas e muitas, as coisas foram bem diferentes.
Mas, lembro que, antigamente, as crianças faziam várias coisas escondidas dos pais, aprendiam sobre sexo nas ruas, através de livrinhos, conversas com mais velhos e tal.
Pra que se preocupar em fazer escondido dos pais se eles mesmos estão mostrando praticamente tudo pra eles?
Fui conversar com a mãe de uma das meninas (a criança estava junto) mais tarde, e logo apareceu o pai, zeloso de suas propriedades. Tomei um susto e desisti do intento, pois percebi que havia julgamento na minha cabeça. Só para vc ter uma idéia, a criança estava vestida como adulto (ela não tinha mais que 7 anos), a mãe com uma roupa super provocante e o marido tbm produzido. Eu não vi território para conversar sobre nada ali, dei um sorriso amarelo, falei da piscina e caí fora...
Bjs saudosos!
Dizem que A Fazenda é igual o BBB, é verdade? rsrsrsrs!
dos valores éticos que devem nortear a vida de adultos ,adolescentes e crianças….depois não querem arcar com as consequências de suas omissões…aiai..beijos preocupados da maria neusa( lembra de mim??? rs)
Ah, o "mundo real", só estou acordando para ele agora, depois dos 50...