<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0"><channel><image><url>http://www.yubliss.com/static/image/logo.png</url><title>YuBliss Home</title><link>http://www.yubliss.com/</link></image><title>Al&#xE9;m das Letras - por Leila M&#xED;ccolis</title><link>http://www.yubliss.com/</link><description>Generated by the YuBliss community</description><language>en-us</language><copyright>Copyright 2010 Coffee Bean Technology Inc</copyright><generator>YuBliss.com Feed Generator</generator><managingEditor>feeds@yubliss.com</managingEditor><webMaster>webmaster@yubliss.com</webMaster><lastBuildDate>Fri, 10 Feb 2012 14:37:33 +0000</lastBuildDate><item><title>Clipes, grampos e el&#xE1;sticos</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Outro dia, muito cansada, depois de mais um dia exaustivo em companhia de minha tese, percebi-me brincando e logo em seguida olhando atentamente para o &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; de um clipe de escrit&amp;oacute;rio com profunda admira&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Que objeto mais bem bolado: um pent&amp;aacute;gono formado por um fio de arame em uma esp&amp;eacute;cie de labirinto... Esta descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o me levou r&amp;aacute;pido a diversas associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es: o labirinto de Creta, os arames farpados dos campos de concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, as texturas dos fios de cabelos asi&amp;aacute;ticos, e, l&amp;oacute;gico, ao Pent&amp;aacute;gono americano... Depois desta quase volta ao mundo em 80 clipes (oitenta em um &amp;uacute;nico), voltei ao Brasil, e, como tinha pensado em fios de cabelo, n&amp;atilde;o demorei muito para lembrar-me do grampo pretinho (outro objeto pequenino e precioso), n&amp;atilde;o o de grampear telefones.... Ali&amp;aacute;s, o grampo de grampeador tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; incr&amp;iacute;vel, mas t&amp;atilde;o altamente poluente, que uma empresa de consultoria ambiental - a Physis SDA &amp;ndash; criou um grampeador que n&amp;atilde;o usa grampos. E o grampo de cabelo n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; &amp;uacute;til para as mulheres n&amp;atilde;o: quem algum dia, uma vez na vida pelo menos, n&amp;atilde;o cedeu &amp;agrave; tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de co&amp;ccedil;ar levemente a orelha com um deles?&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Sabemos quem foi o inventor do telefone, do para-raios, da l&amp;acirc;mpada el&amp;eacute;trica, mas... e dos clipes? Dos el&amp;aacute;sticos, j&amp;aacute; que eles s&amp;atilde;o feitos de qualquer material que tende a preservar seu cumprimento, forma e volume contra as for&amp;ccedil;as externas, nos lembramos logo de Newton e a sua lei da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o e rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sobre o grampo (de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o) encontrei um &lt;a href="http://super.abril.com.br/cotidiano/como-surgiu-grampo-grampeador-447883.shtml"&gt;site&lt;/a&gt; com uma explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;atilde;o interessante, que n&amp;atilde;o resisto em dividir com voc&amp;ecirc;s: sua origem data dos antigos persas, "que precisavam de uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o para manter firmemente unidos os blocos de pedra que utilizavam nas constru&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Pas&amp;aacute;rgada, sua primeira capital imperial (hoje, no Ir&amp;atilde;). Foi ent&amp;atilde;o que um dos construtores inventou um peda&amp;ccedil;o de metal torto, como se fossem dois pregos unidos por uma mesma cabe&amp;ccedil;a, que era fincado contra dois blocos. Nasciam os famosos grampos, que serviriam para unir v&amp;aacute;rios objetos ao longo da hist&amp;oacute;ria". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Sobre os clipes, por&amp;eacute;m, n&amp;atilde;o encontrei nada, nadinha, o que considero uma tremenda injusti&amp;ccedil;a. O clipe prende, agrega, une democraticamente quaisquer papeis sobre os assuntos mais heterog&amp;ecirc;neos que resolvamos juntar, dependendo de nossa criatividade ou doideira. Para ele n&amp;atilde;o importa a textura ou o volume de p&amp;aacute;ginas, desde que respeitado, &amp;oacute;bvio, sua capacidade proporcional ao seu tamanho: est&amp;aacute; sempre pronto a ligar, a n&amp;atilde;o deixar as palavras soltas ao vento, com uma vantagem a mais do que o grampo: o clipe prende transitoriamente, permitindo mudar a ordem das p&amp;aacute;ginas &amp;agrave; vontade, ou seja, permitindo uma infinidade de combina&amp;ccedil;&amp;otilde;es sem agredir os pap&amp;eacute;is (ao contr&amp;aacute;rio, se grampeamos errado alguma p&amp;aacute;gina, retirar o grampo, por maior cuidado que se tenha, deixa marcas no papel). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Fiquei pensando que deveria ser um grande elogio revelar para algu&amp;eacute;m que amamos: voc&amp;ecirc; &amp;eacute; meu clipe, desde que o outro imediatamente entendesse a mensagem como:&amp;nbsp; voc&amp;ecirc; &amp;eacute; meu elo de liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os diferentes aspectos do que sou. Mas, dependendo do outro, talvez a mensagem fosse recebida de modo truncado e surtisse o efeito contr&amp;aacute;rio, como: considero voc&amp;ecirc; um objeto para mim, &amp;iacute;nfimo e banal... Temos que admitir que h&amp;aacute; pessoas que complicam tanto a vida que perdem a capacidade e a sensibilidade de perceber a velada dimens&amp;atilde;o dos objetos simples.&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>/blog/9996</link><pubDate>Sun, 22 Jan 2012 16:25:01 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9996</guid></item><item><title>Vende-se o Natal por falta de Jesus</title><description>&lt;div&gt;&#xD;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;O t&amp;iacute;tulo&amp;nbsp;acima deveria ser o &amp;uacute;ltimo verso de um poema (como um &lt;em&gt;grand  final&lt;/em&gt; para o final do Natal), que nunca sa&amp;iacute; fiz, talvez porque n&amp;atilde;o haja  muito a falar al&amp;eacute;m disso, ou talvez porque o&amp;nbsp;eco do borborinho das lojas cheias  chegue at&amp;eacute; o decassil&amp;aacute;bico e atrapalhe. Parece que a cada ano&amp;nbsp;as vendas natalinas acontecem  mais cedo (este ano no final de outubro j&amp;aacute; havia promo&amp;ccedil;&amp;otilde;es) e o  compre&amp;nbsp;compre-compre&amp;nbsp;torna-se obrigat&amp;oacute;rio, irresist&amp;iacute;vel,&amp;nbsp;cat&amp;aacute;rtico. Nem &amp;aacute;rvores  mais se armam, porque&amp;nbsp;elas j&amp;aacute; v&amp;ecirc;m armadas, para poupar tempo. Onde aqueles pares  de m&amp;atilde;os que se&amp;nbsp; juntavam pelo menos neste momento para enfeit&amp;aacute;-las? N&amp;atilde;o sou  saudosista, gosto muito de viver o meu tempo, mas sinto falta do conv&amp;iacute;vio  natalino, da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o individual e coletiva para&amp;nbsp;a chegada da "noite  feliz",&amp;nbsp;e&amp;nbsp;confesso que me irritam profundamente as liquida&amp;ccedil;&amp;otilde;es, remarca&amp;ccedil;&amp;otilde;es,  ofertas a pre&amp;ccedil;os de bananas... e que bananas caras, meu Deus! Eu falei Meu Deus?  Pois &amp;eacute;, em geral s&amp;oacute; nos lembramos nesta &amp;eacute;poca de Deus Filho para lamentarmos n&amp;atilde;o  poder comprar mais e mais e mais...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&#xD;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Os s&amp;iacute;mbolos do Natal est&amp;atilde;o cada vez  menos crist&amp;atilde;os,&amp;nbsp;e o Papai Noel &amp;eacute; muito mais esperado&amp;nbsp;do que Jesus &amp;mdash; j&amp;aacute; vi  perguntarem: cad&amp;ecirc; meu presente?, mas nunca ouvi: cad&amp;ecirc; o aniversariante?,&amp;nbsp;ou: cad&amp;ecirc;  meu presente que vou&amp;nbsp;dar a ele?&amp;nbsp;As ceias em geral ostentam, em vez de  congregarem; e h&amp;aacute; quem nem festeje mais o Natal, sob a esfarrapada desculpa de  que Natal &amp;eacute; todo dia, embora comemore religiosamente (irresist&amp;iacute;vel o duplo  sentido) outras datas. Em&amp;nbsp;qualquer sociedade contempor&amp;acirc;nea, querer escapar ileso  de datas convencionais &amp;eacute; enorme&amp;nbsp;utopia, afinal at&amp;eacute; poupan&amp;ccedil;a aniversaria; al&amp;eacute;m do  mais,&amp;nbsp;sempre nos lembramos de pagar nossas contas no dia certo, para n&amp;atilde;o  arcarmos com os juros &amp;mdash; &lt;a href="/blog/5993/post/7031"&gt;estou linkando o que escrevi uma vez no Yubliss sobre o que chamo de  &lt;em&gt;calendariofobia&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;Ou ser&amp;aacute; que, para sermos diferentes, s&amp;oacute; esquecemos de algumas  datas, justo as que podem nos trazer de volta o saud&amp;aacute;vel ritual da&amp;nbsp;celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o?  Tenho a impress&amp;atilde;o de que estamos ficando t&amp;atilde;o descompromissados com nossas  emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es que muitas vezes tememos&amp;nbsp;que a alegria nos fragilize, nos contamine, ou  nos corrompa...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&#xD;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Penso que nenhuma comemora&amp;ccedil;&amp;atilde;o deveria ser uma dia comum.  Natal n&amp;atilde;o &amp;eacute; um dia como outro qualquer. Pelo menos, n&amp;atilde;o deveria ser, para quem,  crist&amp;atilde;mente,&amp;nbsp;deseja um mundo mais pac&amp;iacute;fico, fraterno e amoroso. No entanto, a  cada ano ele est&amp;aacute; mais banalizado, mais consumido, em todos os sentidos. O que  persiste em nos lembrar o seu significado &amp;eacute; ainda a Missa do Galo transmitida  pela televis&amp;atilde;o, mas que tamb&amp;eacute;m cada vez perde mais audi&amp;ecirc;ncia para os mega shows  musicais, apresentados no mesmo hor&amp;aacute;rio pelas emissoras  concorrentes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;</description><link>/blog/9860</link><pubDate>Mon, 19 Dec 2011 00:01:08 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9860</guid></item><item><title>Qual &#xE9; a tua turma?</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Uns onze&amp;nbsp;anos  depois que me formei em Direito pela UFRJ participei de um &amp;ldquo;reencontro&amp;rdquo;, desses  anuais que os colegas fazem para reviver hist&amp;oacute;rias escolares. Foi desastroso,  simplesmente: todos tinham se tornado competent&amp;iacute;ssimos advogados e eu j&amp;aacute; nem  estava mais atuando na profiss&amp;atilde;o... Era uma  tarde de sexta, e nos fins de semana &amp;agrave; noite eu coordenava um  karaok&amp;ecirc;  po&amp;eacute;tico-musical (a marca diferenciada era eu ter inclu&amp;iacute;do o po&amp;eacute;tico, o  que acabou dando muito certo, pois as pessoas tomaram gosto por dizer  poesia l&amp;aacute; no extinto Botanic,&amp;nbsp;um  restaurante que ficou famoso na &amp;eacute;poca pelos eventos culturais, casa  noturna dirigida pela saudosa  Cec&amp;iacute;lia Petraglia, m&amp;atilde;e do ator Ricardo Petraglia). Ent&amp;atilde;o eu j&amp;aacute;  destoava desde a roupa, que, por mais discreta que eu tivesse escolhido  para  aquele momento solene, sempre era uma roupa de &lt;em&gt;show&lt;/em&gt;, o que contrastava com o traje do pessoal que  acabara de&amp;nbsp;sair da audi&amp;ecirc;ncia,&amp;nbsp;de terno e gravata, ou as mulheres&amp;nbsp;com seus sombrios e s&amp;oacute;brios &lt;em&gt;tailleurs&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Fui at&amp;eacute; bem recebida&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; pela minha antiga turma: como eu aparecia muito na  imprensa justamente pelo sucesso de ter&amp;nbsp;o &amp;uacute;nico&amp;nbsp;karaok&amp;ecirc; diferente da cidade, logo vi que me consideravam uma esp&amp;eacute;cie de s&lt;em&gt;how wooman&lt;/em&gt;, uma grande &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;bussiness wooman&lt;/em&gt;,  o que equivalia para eles a algo parecido com uma empres&amp;aacute;ria de grande  sucesso&amp;nbsp;na &amp;aacute;rea de entretenimentos, portanto uma mulher rica e  vitoriosa; ent&amp;atilde;o, vendo-me com esses olhos, a  acolhida foi  simp&amp;aacute;tica e as diferen&amp;ccedil;as (at&amp;eacute; de indument&amp;aacute;rias), toleradas. Eu, por&amp;eacute;m,  sa&amp;iacute; de l&amp;aacute; mal, por ver que aquele pessoal outrora t&amp;atilde;o parecido comigo se  tornou t&amp;atilde;o distante da sede de justi&amp;ccedil;a&amp;nbsp;que t&amp;iacute;nhamos &amp;mdash;&amp;nbsp;agora cada um  parecia querer aparecer mais do que o outro, contando suas fa&amp;ccedil;anhas  jur&amp;iacute;dicas,  muitas delas extremamente injustas, como aquele estuprador que algu&amp;eacute;m  conseguiu  inocentar, ou aquele patr&amp;atilde;o que outro conseguiu que se eximisse de seus  deveres  trabalhistas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Senti-me uma estranha no ninho. Naquela  noite foi dif&amp;iacute;cil conseguir o pique para manter o alto astral do espet&amp;aacute;culo, que  exigia muito de mim, inclusive em termos de improvisa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A partir de  ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o participei mais dos reencontros para os quais me convidaram. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No  entanto, semana passada&amp;nbsp;reuni-me com algumas colegas&amp;nbsp;da minha  turma do La-Fayette, gra&amp;ccedil;as a Nilda, organizadora dos encontros, e  que&amp;nbsp;me  achou pelo Orkut. Fizemos o ginasial&amp;nbsp;no La-Fayette feminino,  exclusivamente&amp;nbsp;de  meninas, e o&amp;nbsp;cl&amp;aacute;ssico no&amp;nbsp;La-Fayette masculino (que era misto) &amp;mdash; nesta  passagem muitas de n&amp;oacute;s se separaram (algumas continuaram no col&amp;eacute;gio  feminino&amp;nbsp;cursando  o cient&amp;iacute;fico). Foi surpreendentemente bom: as "meninas" tinham tido uma  vida  rica de experi&amp;ecirc;ncias e adquirido uma sabedoria&amp;nbsp;que s&amp;oacute;&amp;nbsp;uma pr&amp;aacute;tica de  vida saud&amp;aacute;vel e  intensa nos proporciona. N&amp;atilde;o resisto a contar uma passagem: para mostrar  o clima de sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o familiar Suzana lembrou-se da calma sabedoria  de sua av&amp;oacute;: ela (Suzana) e os jovens mais ou menos da mesma idade que  ela costumavam ca&amp;ccedil;ar em um morro h&amp;aacute; meia hora de dist&amp;acirc;ncia. Na hora da  sa&amp;iacute;da, a av&amp;oacute; fazia uma supervis&amp;atilde;o final no pessoal e recomendava:  "atirem, mas n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;am muito barulho, pois se incomodar a sociedade, ela  atira". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Foi tudo &amp;oacute;timo: gostoso rev&amp;ecirc;-las, conversar sobre  passado, presente e futuro despretenciosamente, saber que todas deram (e  continuam dando) a volta por cima nos revezes da vida, com garra e delicadeza. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O contraponto  desses dois encontros me fez pensar nas turmas&amp;nbsp;de que fazemos parte, ou que  achamos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;que pertencemos, e nas&amp;nbsp;escolhas afetivas  que&amp;nbsp;nos ligam a determinados grupos. Vejo, por exemplo, nas comunidades do  Orkut&amp;nbsp;(n&amp;atilde;o tenho Facebook)&amp;nbsp;muita gente querendo mostrar quais s&amp;atilde;o suas&amp;nbsp;turmas,  tribos e praias, por&amp;eacute;m pouca gente interagindo, colocando coment&amp;aacute;rios ou  expondo opini&amp;otilde;es sobre seus assuntos preferidos. Os locais e os canais existem,  mas&amp;nbsp;sinto falta de&amp;nbsp;di&amp;aacute;logo, da contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o diferenciada&amp;nbsp;no partilhamento, e&amp;nbsp;da  troca de ideias (e trocar &amp;eacute; sempre uma via de m&amp;atilde;o dupla). O que  adianta&amp;nbsp;os&amp;nbsp;gostos em comum se n&amp;atilde;o temos prazer em &amp;nbsp;falarmos deles?&amp;nbsp;As redes  sociais cada&amp;nbsp;vez mais se transformam em redes s&amp;oacute;cio-monologadas... Criei uma  comunidade chamada &lt;em&gt;profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do escritor&lt;/em&gt;, por  exemplo,&amp;nbsp;em que&amp;nbsp;os  participantes s&amp;oacute; escrevem&amp;nbsp;no f&amp;oacute;rum quando&amp;nbsp;precisam divulgar o lan&amp;ccedil;amento  de seus  livros individuais&amp;nbsp;&amp;mdash; s&amp;oacute; neste momento voltam-se para o coletivo. &amp;Eacute;  silencioso e  preocupante este tipo de&amp;nbsp;conv&amp;iacute;vio em que cada um est&amp;aacute; na sua, e ningu&amp;eacute;m  na de  mais ningu&amp;eacute;m, embora pare&amp;ccedil;am estar todos&amp;nbsp;ligados e&amp;nbsp;interessad&amp;iacute;ssimos no  debate.&amp;nbsp;Agrupamento n&amp;atilde;o significa uni&amp;atilde;o, nem alian&amp;ccedil;a, nem cumplicidade;  para que elas existam precisa haver constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o di&amp;aacute;ria, conversa,  respeito pelas diferen&amp;ccedil;as,  carinho e vontade de participar efetivamente da vida de outras  pessoas.&amp;nbsp;Ainda  bem que tenho amigas queridas,&amp;nbsp;a turma do La-Fayette, e&amp;nbsp;o Yubliss  na&amp;nbsp;Internet: pontos de encontro de gente viva e falante, em tempo real. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9819</link><pubDate>Wed, 30 Nov 2011 20:25:16 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9819</guid></item><item><title>Massas de modelar</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Deu-se que no dia 15 deste m&amp;ecirc;s - Dia do Professor - li uma cr&amp;ocirc;nica,  na qual o autor falava das suas aulas de Trabalhos Manuais no col&amp;eacute;gio como sendo  deliciosos momentos de descontra&amp;iacute;da recrea&amp;ccedil;&amp;atilde;o; n&amp;atilde;o pude deixar de lembrar-me da  minha experi&amp;ecirc;ncia pessoal, extremamente oposta: para mim esta mat&amp;eacute;ria, al&amp;eacute;m&amp;nbsp;de  ser&amp;nbsp;um terror, era de grande periculosidade. D. Rosa, mestra de disciplina t&amp;atilde;o  espinhosa, testemunhando meus esfor&amp;ccedil;os tenazes (e v&amp;atilde;os) para eu n&amp;atilde;o me picar na  agulha de costura, ou para eu cortar cartolina sem&amp;nbsp;decepar meu dedo antes,  ou&amp;nbsp;mesmo para&amp;nbsp;colar alguma coisa, sem simplesmente colar-me junto na carteira,  tinha muita pena de mim: que seria de uma menina, sem essas prendas dom&amp;eacute;sticas,  sem esses dotes e habilidades t&amp;atilde;o &amp;uacute;teis, indispens&amp;aacute;veis e imprescind&amp;iacute;veis no  cotidiano de uma mulher? Na cabe&amp;ccedil;a dela, infelizmente nenhum  futuro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Em suas aulas,  D. Rosa me deixava livre, embora for&amp;ccedil;osamente tivesse de ser uma liberdade  vigiada, de perto e constantemente, porque eu era sin&amp;ocirc;nimo de desastre&amp;nbsp;para mim  mesma, sempre prestes a acidentar-me. No fundo, por&amp;eacute;m, ela n&amp;atilde;o perdera, de todo,  a t&amp;ecirc;nue esperan&amp;ccedil;a de me ver triunfar, uma vez que fosse. Sei disso porque, no  dia em que&amp;nbsp;a&amp;nbsp;aula foi com massa de modelar, enfim ela&amp;nbsp;conseguiu elogiar uma  cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o minha: era uma ponte &amp;mdash; constitu&amp;iacute;da apenas de um arco e pedras  incrustadas, feitas na massa sob a press&amp;atilde;o de meus dedos. A princ&amp;iacute;pio cautelosa,  D. Rosa quis saber de que se tratava e eu disse, t&amp;iacute;mida: &amp;mdash; "Uma ponte". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Para minha  surpresa, vi-a abrir-se em sorrisos e elogiar-me desmesuradamente para toda a  classe. De in&amp;iacute;cio, achei que era s&amp;oacute; um est&amp;iacute;mulo bondoso; mas, quando ela pediu  autoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; minha m&amp;atilde;e para exibir minha pequenina ponte na mostra semanal do  col&amp;eacute;gio - Instituto La-Fayette, onde apareciam os melhores e mais perfeitos  trabalhos das alunas, convenci-me de que, finalmente, tinha encontrado meu  caminho. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Minha m&amp;atilde;e, toda  orgulhosa, levou as amigas para verem minha obra de arte na exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por&amp;eacute;m  minha gl&amp;oacute;ria, que supus eterna, foi&amp;nbsp;bastante fugaz: espantada, li&amp;nbsp;o t&amp;iacute;tulo do  meu trabalho escrito em letras garrafais: "DENTADURA". Ao tomar conhecimento de  que a minha ponte tinha recebido outro significado sem&amp;acirc;ntico, D. Rosa, sem saber  o que dizer, apenas abanou a cabe&amp;ccedil;a, desolada pela triste confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o: triste destino o  meu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Hoje creio que minha professora mudaria de opini&amp;atilde;o ao ver que perseverei, continuei pela  vida insistindo e aprendendo (agora j&amp;aacute; n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o desajeitadamente e mais arteira, no duplo sentido) a trabalhar com  coloridas massas de modelar. Sim, por qu&amp;ecirc;, afinal, o que s&amp;atilde;o a fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o e&amp;nbsp;a  literatura&amp;nbsp;sen&amp;atilde;o pontes a ligar magicamente bocas, palavras, paisagens e  m&amp;atilde;os?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;/div&gt;</description><link>/blog/9710</link><pubDate>Thu, 27 Oct 2011 20:11:46 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9710</guid></item><item><title>Recife, me aguarde...</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Fui convidada pelo SESC para participar da Bienal do Livro de Recife, nesta &amp;uacute;ltima semana de setembro, abordando o tema &amp;nbsp;&amp;ldquo;Literatura e Cidadania&amp;rdquo;. Imposs&amp;iacute;vel, pensei, todo o tempo do mundo agora &amp;eacute; pouco para eu dedicar-me &amp;agrave; minha tese de doutorado. Em s&amp;atilde; consci&amp;ecirc;ncia eu recusaria; por&amp;eacute;m, como ando meio insana mesmo, aceitei, principalmente porque estou com saudades de viajar pelo Brasil. Seduz-me tantas diferen&amp;ccedil;as culturais em um &amp;uacute;nico pa&amp;iacute;s. Sempre volto para casa com dezenas de anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es de viagem e com a cabe&amp;ccedil;a fervilhando de ideias. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Ter&amp;aacute;s observado, ao passear pela cidade, que, dentre os edif&amp;iacute;cios que a povoam, uns s&amp;atilde;o mudos, outros falam, e outros, enfim... cantam...?&lt;/em&gt;&amp;rdquo; &amp;ndash; Paul Verlaine. Fico pensando em como encontrarei Recife depois de praticamente tr&amp;ecirc;s d&amp;eacute;cadas de aus&amp;ecirc;ncia: muda?, falante?, cantante? Com toda certeza n&amp;atilde;o &amp;eacute; a mesma: ser&amp;aacute; que a reconhecerei? E ela ser&amp;aacute; que me reconhecer&amp;aacute;?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Antes de morar Maric&amp;aacute; e ter tantos animais (principalmente gatos), viajei muito pelo Brasil, a trabalho (congressos de literatura ou workshops de roteiro de novelas televisivas), ou mesmo a passeio. Muitas vezes me afastava das capitais para conhecer outras cidades. Em Pernambuco, por&amp;eacute;m, como adorava ficar entre Olinda e Recife o tempo todo, s&amp;oacute; fui a Caruaru (pela feira, fant&amp;aacute;stica!) e Primavera (ex Caracituba) &amp;ndash; uma cidade pequenina, mas conhecida pela sua cascata gigante, a Cachoeiro do Urubu, com seus 77 metros imponentes de queda d&amp;acute;&amp;aacute;gua. Quando eu fui, era uma &amp;eacute;poca de relativa seca, e por isso pude chegar at&amp;eacute; as pedras bem no alto da cachoeira, sentar-me l&amp;aacute; e apreci&amp;aacute;-la do alto de toda a sua exuber&amp;acirc;ncia. Linda, lind&amp;iacute;ssima. Adoro Pernambuco, se n&amp;atilde;o fosse carioca, eu gostaria de ter nascido l&amp;aacute;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;O fato &amp;eacute; que sempre aprendo muito com estas viagens, e quase sempre de forma divertida. Por exemplo: entre Natal e Fortaleza, passei, no meio do nada, por uma casa tosca, bem r&amp;uacute;stica, com uma placa que me chamou a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o: Galheria do Amor. Aquele h fez toda a diferen&amp;ccedil;a na paisagem: seria erro ou um motel que aceitava tamb&amp;eacute;m casais homossexuais (discreta associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a galhada dos veados ou outros tipos de chifres)?... No entanto, a maior experi&amp;ecirc;ncia de viagem em minha vida foi a que me ensinou a chorar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Explico: aconteceu na d&amp;eacute;cada de 1980, e eu tinha acabado de participar de uma mesa de debates no Festival de Inverno de Ouro Preto. Sabendo disso e tamb&amp;eacute;m da minha enorme vontade de conhecer as obras de Aleijadinho, meu amigo e escritor mineiro S&amp;eacute;rgio Fantini resolveu proporcionar-me esta alegria, e foi buscar-me de carro, ele e a namorada, docemente me desviando da minha rota direta: Ouro Preto-Belo Horizonte. T&amp;iacute;nhamos bastante tempo, meu voo sa&amp;iacute;a quase na madrugada, ent&amp;atilde;o, maravilha. No entanto, aconteceram diversos imprevistos nesta viagem e acabamos chegando a Congonhas j&amp;aacute; de noitinha, bastante atrasados, fora totalmente do hor&amp;aacute;rio de visita&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por sorte a namorada de S&amp;eacute;rgio era guia de turismo e o guarda de plant&amp;atilde;o era seu conhecido. Explicada a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e justificado o atraso por dois pneus furados, o guarda deixou-nos entrar: al&amp;eacute;m da mo&amp;ccedil;a ser de confian&amp;ccedil;a, pelo jeito n&amp;atilde;o t&amp;iacute;nhamos cara de turistas exc&amp;ecirc;ntricos ou v&amp;acirc;ndalos depredadores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Naquele tempo &amp;ndash; j&amp;aacute; fui muito boba &amp;ndash; eu tinha o orgulho besta de n&amp;atilde;o chorar, achava pieguice e fraqueza, e n&amp;atilde;o me permitia a isso nem mesmo sozinha, trancada no meu quarto (&amp;ldquo;chorar na cama, que &amp;eacute; lugar quente&amp;rdquo; n&amp;atilde;o fazia o menor sentido para mim, porque cama era lugar de dormir, n&amp;atilde;o de chorar...). No entanto, ao ver aquela grandiosidade (em todos os sentidos) dos profetas, que pareciam vivos, em um sil&amp;ecirc;ncio dos mais eloquentes &amp;ndash; e a lua batendo na pedra sab&amp;atilde;o ainda aumentava a magia de todos eles &amp;ndash;, diante daquela perfei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de detalhes feitos por uma pessoa deficiente, que, cheio de dores, no final esculpia com os cinz&amp;eacute;is atados &amp;agrave;s suas m&amp;atilde;os, fui tomada por uma fort&amp;iacute;ssima emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de repente desandei a chorar copiosamente, n&amp;atilde;o conseguia parar e tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o conseguia ir embora dali, estava como que imantada, hipnotizada por tanta beleza. Foi a primeira vez que chorei em p&amp;uacute;blico e, tamb&amp;eacute;m foi a primeira vez (e quanto a isto espero veemente que seja a &amp;uacute;nica) em que perdi um voo de avi&amp;atilde;o...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Recife agora, em 2011, evocou-me tudo isto. Vejo ent&amp;atilde;o que aceitei &lt;em&gt;in sana&lt;/em&gt; consci&amp;ecirc;ncia. At&amp;eacute; pelo prazer de avivar t&amp;atilde;o boas lembran&amp;ccedil;as.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9569</link><pubDate>Sun, 18 Sep 2011 20:19:17 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9569</guid></item><item><title>Sem calcinha e sem bom senso</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Duas not&amp;iacute;cias, semana passada, foram as respons&amp;aacute;veis por esta cr&amp;ocirc;nica de hoje. A primeira n&amp;atilde;o &amp;eacute; de &amp;uacute;ltima gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o... Explico: &amp;eacute; que em geral leio jornais impressos com certo atraso, quando os recebo de algum amigo, em aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos nossos c&amp;atilde;es e gatos. Os jornais &lt;em&gt;on line&lt;/em&gt; s&amp;atilde;o &amp;oacute;timos, mas divulgam apenas as manchetes mais &amp;ldquo;quentes&amp;rdquo; e essa n&amp;atilde;o foi assunto de primeira p&amp;aacute;gina. Saiu na edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o no jornal Extra de 11 de maio deste ano (2011) e tinha como t&amp;iacute;tulo: &amp;ldquo;Viciado pede e bingo &amp;eacute; fechado&amp;rdquo;. Logo em seguida: Jogador compulsivo enviou email a delegado implorando que local fosse interditado: &amp;lsquo;N&amp;atilde;o tenho mais dinheiro&amp;rsquo;. A outra veio via Internet mesmo e est&amp;aacute; dispon&amp;iacute;vel em &amp;lt;&lt;span lang="EN-US"&gt;http://www.euviali.com/curiosidades/padre-cancela-casorio-por-que-noiva-estava-sem-calcinha/&amp;gt;: uma noiva teve o &lt;/span&gt;casamento cancelado&lt;span lang="EN-US"&gt; pelo padre por estar sem calcinha, totalmente depilada e com &lt;/span&gt;vestido&lt;span lang="EN-US"&gt; transparente. J&amp;aacute; soube de muita noiva abandonada no altar pelo noivo, mas nunca pelo padre. &amp;Eacute; a primeira vez...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Na primeira not&amp;iacute;cia, espantei-me com a &amp;ecirc;nfase dada ao &amp;ldquo;pedido pessoal&amp;rdquo; do jogador e n&amp;atilde;o &amp;agrave; ilegalidade do bingo. Segundo a reportagem de Antero Gomes e Marcelo Gomes, o e-mail foi dirigido diretamente ao delegado Alessando Thiers, titular da Delegacia de Repress&amp;atilde;o aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que solicitamente &amp;ldquo;atendeu&amp;rdquo; ao pedido desesperado (como se fosse um favor pessoal). Ou seja: a contraven&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;nbsp;parece ter contado pouco para o fechamento do estabelecimento. Quase como: a lei n&amp;atilde;o vem ao caso... Na segunda, fiquei pensando que decotes at&amp;eacute; o c&amp;oacute;ccix, vestidos transparentes, depila&amp;ccedil;&amp;otilde;es publianas e mulher sem calcinha fazem furor em passarelas, festas ou quartos; por&amp;eacute;m n&amp;atilde;o em rituais religiosos com todas aquelas luzes em cima do casal. N&amp;atilde;o tem nada a ver (ou melhor, no caso, viu-se at&amp;eacute; demais). E a mo&amp;ccedil;a ainda acusa o padre de estar pensando em &amp;ldquo;taradices&amp;rdquo; com ela... Isto &amp;eacute; que eu chamo de ego inflado... Sabe-se que em geral o casamento transformou-se em um grande espet&amp;aacute;culo (h&amp;aacute; at&amp;eacute; um seriado na TV chamado Casamentos Espetaculares, mostrando celebra&amp;ccedil;&amp;otilde;es milion&amp;aacute;rias) e que os votos (tais como a lei) n&amp;atilde;o v&amp;ecirc;m ao caso... mas tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o e preciso escancarar tudo, ops, tanto. &lt;/span&gt;Agora a noiva diz que vai fazer o casamento no terreiro de umbanda para homenagear a fam&amp;iacute;lia do noivo, que pratica esta religi&amp;atilde;o. Pergunto: voc&amp;ecirc;s j&amp;aacute; viram alguma filha de santo com vestido transparente e sem calcinha? Logo elas, que costumam colocar sete saias rodadas at&amp;eacute; quase o ch&amp;atilde;o, al&amp;eacute;m daquela cal&amp;ccedil;ola at&amp;eacute; os tornozelos... N&amp;atilde;o vai prestar...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Continuo com duas d&amp;uacute;vidas me martelando as ideias: ser&amp;aacute; que se lucrasse com a ilegalidade, o jogador denunciaria a jogatina? E s&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;er&amp;aacute; que a noiva, que &amp;eacute; professora, vai &amp;agrave;s aulas decotada, sem calcinha, inteiramente depilada, com roupas transparentes, e ainda, se interpelada, alega para a diretoria que as queixas s&amp;atilde;o de alunos relapsos que pensam em taradices com ela em vez de se dedicarem aos estudos? No primeiro caso, arrisco a pensar que provavelmente o homem esteja abatido e deprimido &amp;nbsp;(quem sabe at&amp;eacute; arrependido) por ter tido seu pedido prontamente atendido. At&amp;eacute; nisso ele teve m&amp;aacute; sorte... No segundo, prevejo significativo aumento na reprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alunos do sexo masculino, porque muitos deles provavelmente v&amp;atilde;o querer repetir a mat&amp;eacute;ria por v&amp;aacute;rios e v&amp;aacute;rios anos. E dizer que em 1923, nos Estados Unidos (pa&amp;iacute;s de primeiro mundo, avan&amp;ccedil;ado portanto), o contrato entre uma professora era ainda t&amp;atilde;o r&amp;iacute;gido que lhe proibia expressamente, logo na primeira cl&amp;aacute;usula inclusive, at&amp;eacute; de se casar... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9491</link><pubDate>Wed, 24 Aug 2011 03:56:39 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9491</guid></item><item><title>&#x201C;O ci&#xFA;me lan&#xE7;ou sua flecha preta&#x201D;</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nunca achei que ci&amp;uacute;me fosse prova de amor, considero uma das muitas mentiras que usamos para ado&amp;ccedil;ar a possessividade e aceit&amp;aacute;-la como se fosse carinho. Sinto como demonstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inseguran&amp;ccedil;a pessoal e de desconfian&amp;ccedil;a no outro - portanto, nefasto para todos. E n&amp;atilde;o &amp;eacute; da boca para fora: tenho ci&amp;uacute;me de certos objetos: carro (quando possu&amp;iacute;a um), livros, micro... mas, de pessoas, nunca que eu me lembre. &amp;nbsp;Nas acep&amp;ccedil;&amp;otilde;es do dicion&amp;aacute;rio do &amp;nbsp;Aur&amp;eacute;lio constam a respeito do ci&amp;uacute;me: &lt;em&gt;1. Sentimento doloroso que as exig&amp;ecirc;ncias de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade, fazem nascer em algu&amp;eacute;m; 2. Emula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, competi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, rivalidade. 3. Despeito invejoso; inveja. 4. Cuidado, zelos; receio de perder alguma coisa&lt;/em&gt;. Alguma &lt;strong&gt;coisa&lt;/strong&gt;... No caso de pessoas, acho que o ci&amp;uacute;me &amp;eacute; mais medo da perda do que propriamente zelo. Endosso, na literatura, pensamento de La Rochefoucauld: "nos ci&amp;uacute;mes h&amp;aacute; mais amor-pr&amp;oacute;prio do que amor verdadeiro&amp;rdquo;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tamb&amp;eacute;m na MPB h&amp;aacute; algumas letras de compositores que n&amp;atilde;o consideram o ci&amp;uacute;me como qualidade: o t&amp;iacute;tulo desta cr&amp;ocirc;nica &amp;eacute; o in&amp;iacute;cio de uma letra de Caetano, verso que s&amp;oacute; prestei aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela primeira vez outro dia, embora tivesse o CD j&amp;aacute; h&amp;aacute; bastante tempo. Tamb&amp;eacute;m "A Ma&amp;ccedil;&amp;atilde;", do Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta: &lt;em&gt;"Se esse amor ficar entre n&amp;oacute;s dois vai ser t&amp;atilde;o pobre amor, vai se gastar... Se eu te amo e tu me amas um amor a dois profana o amor de todos os mortais (...) Amor s&amp;oacute; dura em liberdade,/ o ci&amp;uacute;me - essa vaidade -/ sofro, mas eu vou te libertar/ o que &amp;eacute; que eu quero, se eu te privo/ do que eu mais venero/ que &amp;eacute; a beleza de deitar".&lt;/em&gt; E Rita Lee canta: &lt;em&gt;"Desculpe o au&amp;ecirc;/ eu n&amp;atilde;o queria magoar voc&amp;ecirc;/ Foi ci&amp;uacute;me sim/ Fiz greve de fome/ Guerrilhas, motim/ Perdi a cabe&amp;ccedil;a./ Esque&amp;ccedil;a... Da pr&amp;oacute;xima vez eu me mando/ que se dane o meu jeito inseguro"&lt;/em&gt;... Pena &amp;eacute; que as pessoas em geral cantam essas m&amp;uacute;sicas sem prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; letra, porque o que vemos &amp;eacute; uma pr&amp;aacute;tica diferente na vida. &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E n&amp;atilde;o venham com essa de me dizer que ci&amp;uacute;me &amp;eacute; &amp;ldquo;a pimenta do amor&amp;rdquo;, primeiro porque gosto de pimenta; segundo porque &amp;eacute; o tipo de frase que induz a gente a acreditar que o amor precisa de afli&amp;ccedil;&amp;otilde;es e tumultos para n&amp;atilde;o ser insosso. Como ingrediente,&amp;nbsp; ci&amp;uacute;mes s&amp;atilde;o &amp;oacute;timos para gerarem intrigas e conflitos na trama das novelas e romances; por&amp;eacute;m no cotidiano &amp;eacute; o tipo de sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que corr&amp;oacute;i, intranquiliza, amea&amp;ccedil;a, desrespeita e, muitas vezes, fantasia e delira. Literalmente invade. Entra pelo livre arb&amp;iacute;trio da outra pessoa, revira bolsos, exige provas, turva&amp;nbsp; os sentidos, reprime, oprime, acaba por tolher a liberdade individual, e at&amp;eacute; pode matar. No entanto, generalizou-se como prova de bem querer... Se a esposa ou o namorado n&amp;atilde;o demonstra este tipo de "preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o constante em n&amp;atilde;o perder o outro", se n&amp;atilde;o aceita as regras deste jogo perigosamente destrutivo, provavelmente ser&amp;aacute; taxado de fria(o) e indiferente. Vai da&amp;iacute; que um dos parceiros pode acabar fingindo um ci&amp;uacute;me que est&amp;aacute; longe de sentir, apenas para "agradar" o outro, ou simplesmente agir segundo as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es da tribo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;L&amp;oacute;gico que, assim como para tudo h&amp;aacute; um limite, n&amp;atilde;o senti-lo tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o implica em que o outro possa fazer tudo o que queira irresponsavelmente, sem nenhuma consequ&amp;ecirc;ncia. Outro dia assisti a uma bel&amp;iacute;ssima entrevista da Maria Tereza Maldonado que dizia que as pessoas hoje confundem referenciais, como por exemplo autenticidade com falta de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Precisamos aprender a &amp;nbsp;falar (e a sentir) sem desrespeitar o outro. A prop&amp;oacute;sito, lembrei-me de uma hist&amp;oacute;ria que minha m&amp;atilde;e contava da bisav&amp;oacute; dela, que tinha um marido cuja mania era receber gravatas de seda das suas apaixonadas admiradoras e exibir-se em casa: "&amp;ndash; Essa foi dada por fulana... Aquela, por beltrana"... Por um bom tempo ela engoliu calada o que julgava ser humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o; e, cada vez mais, o marido ati&amp;ccedil;ava-lhe os ci&amp;uacute;mes, sem que ela demonstrasse qualquer rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o impulsiva de raiva ou revolta. Um dia, por&amp;eacute;m, quando ele chegou em casa, n&amp;atilde;o encontrou no guarda-roupa suas belas pe&amp;ccedil;as de vestu&amp;aacute;rio masculino e esbravejou: " &amp;ndash; Onde est&amp;atilde;o minhas gravatas? O que voc&amp;ecirc; fez com elas?" E minha bisav&amp;oacute; respondeu, num tom suave e calm&amp;iacute;ssimo, com certeza preparado para a ocasi&amp;atilde;o: &amp;nbsp;"&amp;ndash; Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o as viu? Pois voc&amp;ecirc; acabou de pisar em todas elas..."&amp;nbsp; Ela pacientemente cortara as gravatas at&amp;eacute; virarem p&amp;oacute; e as espalhara em um fin&amp;iacute;ssimo rastro, da sala de estar ao quarto do casal. Desde ent&amp;atilde;o &amp;ndash; talvez at&amp;eacute; por medo de tamb&amp;eacute;m ser cortado em pedacinhos e virar p&amp;oacute; da noite para o dia &amp;ndash; ele abandonou as admiradoras. Ou, pelo menos, deixou de levar as gravatas que ganhava para a casa... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9446</link><pubDate>Thu, 28 Jul 2011 19:18:50 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9446</guid></item><item><title>Quebrando a cabe&#xE7;a</title><description>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Amanh&amp;atilde;, dia 24 de junho, al&amp;eacute;m de ser dia de S. Jo&amp;atilde;o, &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m o Dia Internacional dos UFOs. Ent&amp;atilde;o, antes que pensem que fui abduzida por algum, c&amp;aacute; estou com mais uma historinha de Maric&amp;aacute;. Estando cercados de verdes, praias, lagoas, mares e restingas por todos os lados, gostamos de apresent&amp;aacute;-los aos que nos visitam, como uma retribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; alegria de t&amp;ecirc;-los aqui. Pois bem, est&amp;aacute;vamos com uma amiga de Santa Catarina, e no segundo dia de sua estada, resolvemos empreender nosso turismo local levando-a a conhecer as redondezas. De repente, por&amp;eacute;m, em vez de vistas panor&amp;acirc;micas, quisemos proporcionar-lhe um encontro hist&amp;oacute;rico, e nos dirigimos ao local onde Anchieta fez um o primeiro milagre no Brasil &amp;ndash; assim est&amp;aacute; escrito na placa explicativa. Chegando l&amp;aacute;, n&amp;atilde;o acreditamos no que vimos, ou melhor, no que n&amp;atilde;o vimos: &amp;agrave; nossa frente estava o padre, petrificado, mutilado, esquartejado, sem cabe&amp;ccedil;a. Foi um momento de constrangimento, de agress&amp;atilde;o &amp;agrave;quela tarde at&amp;eacute; ali t&amp;atilde;o perfeita. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Foi a primeira vez na vida que vi uma est&amp;aacute;tua decapitada e, talvez por isso, a imagem tenha me impressionado tanto. Tivesse eu m&amp;aacute;quina fotogr&amp;aacute;fica &amp;agrave; m&amp;atilde;o, teria registrado o momento, e concorrido, posteriormente, a algum pr&amp;ecirc;mio fotogr&amp;aacute;fico de uma dessas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es que visam arquivar peda&amp;ccedil;os do Brasil... Creio que muita gente sentiria o mesmo impacto que a cena me despertou porque, se em &amp;ldquo;cada cabe&amp;ccedil;a uma senten&amp;ccedil;a&amp;rdquo;, neste caso, ao contr&amp;aacute;rio, sentenciaram que o jesu&amp;iacute;ta perdesse a cabe&amp;ccedil;a, e ele, mesmo sendo santo, n&amp;atilde;o conseguiu manter sua cabe&amp;ccedil;a no lugar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Tal inusitada ocorr&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o chegou a empanar o brilho do nosso passeio, mas deu-me muito que pensar, constituindo-se em mat&amp;eacute;ria de s&amp;eacute;rias reflex&amp;otilde;es nos dias seguintes. Afinal, o que leva uma pessoa a decapitar uma est&amp;aacute;tua? Em uma terra como esta, repleta de Igrejas Universais, seria algum problema de fanatismo contra a religi&amp;atilde;o cat&amp;oacute;lica? Vontade que quebrar a rotina quebrando uma escultura? Ou simples prazer da degola? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Quanto &amp;agrave; autoria desta tremenda cabe&amp;ccedil;ada penso que deva ser atribu&amp;iacute;da a quem perde sua pr&amp;oacute;pria cabe&amp;ccedil;a pelos vandalismos e desatinos di&amp;aacute;rios, e que numa noite, insanamente, resolve projetar seu conflito interior destruindo uma obra de arte, de pouca utilidade ou nenhuma serventia para a quase totalidade da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o maricaense. Ou ent&amp;atilde;o, o criador da destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o poderia ser algu&amp;eacute;m que, com a revolta subindo-lhe &amp;agrave; cabe&amp;ccedil;a, e sem poder ver as cabe&amp;ccedil;as de certos pol&amp;iacute;ticos que est&amp;atilde;o no poder rolarem, satisfez sua vontade inconfess&amp;aacute;vel atrav&amp;eacute;s de um ato simb&amp;oacute;lico, tipo &amp;ldquo;dente por dente, olho por olho&amp;rdquo; e cabe&amp;ccedil;a por cabe&amp;ccedil;a... Sobre o mist&amp;eacute;rio do fim dado ao busto de Anchieta, tamb&amp;eacute;m formulei mil hip&amp;oacute;teses, bem menos politizadas: ter&amp;aacute; ele sido levado como &amp;ldquo;souvenir&amp;rdquo; por algum turista man&amp;iacute;aco por lembran&amp;ccedil;as ex&amp;oacute;ticas de pa&amp;iacute;ses tropicais? Estar&amp;aacute;, neste momento, ornamentando, como trof&amp;eacute;u, a sala de algum colecionador, ao lado de cabe&amp;ccedil;as empalhadas de le&amp;otilde;es e outros bichos selvagens? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Ningu&amp;eacute;m sabe, ningu&amp;eacute;m viu. O fato &amp;eacute; que o &amp;ldquo;Ap&amp;oacute;stolo do Brasil&amp;rdquo; levou na cabe&amp;ccedil;a: o primeiro fil&amp;oacute;logo que tivemos continua l&amp;aacute;, decapitado, esperando talvez pelo maior de todos os milagres (t&amp;atilde;o enorme que talvez nem ele pr&amp;oacute;prio seja capaz de realizar): o prod&amp;iacute;gio espantoso de algum pol&amp;iacute;tico notar o abandono em que a cidade se encontra, reparar os estragos, dando mais aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m &amp;agrave; preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos monumentos hist&amp;oacute;ricos, t&amp;atilde;o poucos e raros. De qualquer forma, agora est&amp;aacute; claro, expl&amp;iacute;cito e explicado para mim o porqu&amp;ecirc; do pa&amp;iacute;s n&amp;atilde;o ter mem&amp;oacute;ria: faltam cabe&amp;ccedil;as... (naturalmente as pensantes, porque as ocas e as de vento, estas abundam). E se mais monumentos come&amp;ccedil;arem a aparecer decapitados pelo pa&amp;iacute;s, come&amp;ccedil;arei a pensar em um serial killer de est&amp;aacute;tuas, que, se descoberto, poder&amp;aacute; at&amp;eacute; ser preso por dano &amp;agrave; propriedade p&amp;uacute;blica, mas certamente lucrar&amp;aacute; e ficar&amp;aacute; milion&amp;aacute;rio, vendendo os direitos da hist&amp;oacute;ria de sua vida para al ind&amp;uacute;stria cinematogr&amp;aacute;fica hollywoodiana. No roteiro, provavelmente, haver&amp;aacute; uma justificativa para seus atos,&amp;nbsp; um desajuste causado por algum conflito familiar ou algum outro fator psicol&amp;oacute;gico que explique este seu estranho comportamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;S&amp;oacute; espero que Maric&amp;aacute;, que entre os cariocas da Zona Sul j&amp;aacute; &amp;eacute; tido como o lugar &amp;ldquo;onde Judas perdeu as botas&amp;rdquo;, tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o seja considerado, a partir de agora, como o lugar onde Anchieta perdeu a cabe&amp;ccedil;a... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9339</link><pubDate>Thu, 23 Jun 2011 16:21:42 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9339</guid></item><item><title>Uma de papagaio...</title><description>&lt;img src="file:///C:/DOCUME~1/Leila/CONFIG~1/Temp/moz-screenshot.jpg" border="0" /&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;J&amp;aacute;  notaram como todos t&amp;ecirc;m uma piada ou um "causo" de papagaio para contar? Falar  sobre papagaio e futebol &amp;eacute; como apresentarmos prova cabal de nossa nacionalidade brasileira. Em geral o que papagaio mais fala &amp;eacute;  palavr&amp;atilde;o, porque &amp;eacute; incr&amp;iacute;vel a imensa capacidade do ser humano em ensinar ao  bichinho aquilo que ele gosta de ouvir. Seja por&amp;eacute;m por isso ou por aquilo, pela plumagem verde  e amarela ou pelo seu jeito desinibido e obedientemente desbocado, o certo &amp;eacute; que esta  irrequieta ave est&amp;aacute; sempre presente nos papos de bar ou na boca de quem procura o  riso f&amp;aacute;cil e estereotipado. Tenho um conhecido paulista que toda vez que vem ao Rio traz um  repert&amp;oacute;rio novo de piadas deste tipo, e, entre elas, h&amp;aacute; sempre in&amp;uacute;meras sobre o  animalzinho  tagarela. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;N&amp;atilde;o  vou reproduzir nenhuma delas... at&amp;eacute; porque n&amp;atilde;o sou f&amp;atilde; de anedotas escabrosas ou que transmitem mais preconceitos do que risos (as que ridicularizam mulheres - louras ou morenas, por exemplo -, ou as que zombam de gays, de portugueses, de para&amp;iacute;bas, de negros, etc.). Vou contar, por&amp;eacute;m, uma historinha ver&amp;iacute;dica que me  impressionou muito e que aconteceu h&amp;aacute; alguns anos com um amigo meu, poeta e  cr&amp;iacute;tico liter&amp;aacute;rio do Rio Grande do Norte. Para preservar-lhe a privacidade,  vamos cham&amp;aacute;-lo, aqui, hipoteticamente, de Juliano. Ele morava em uma cidade perto de Natal com a av&amp;oacute;, cuja  caracter&amp;iacute;stica principal era ser uma mulher extremamente hipocondr&amp;iacute;aca. Apesar de  relativamente mo&amp;ccedil;a e saud&amp;aacute;vel, todas as noites  desfiava um ros&amp;aacute;rio de sintomas, todos perigosos, irreversivelmente fatais, e culminava dizendo ao  neto: &amp;mdash; "Desta noite n&amp;atilde;o passo". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Na  casa, havia um papagaio, muito diferente de todos os outros: era mudo. Jamais  falara nada. Por mais que Juliano tivesse tentado ensin&amp;aacute;-lo, ele fechava-se em  seu sil&amp;ecirc;ncio e dele nunca se ouviu um currupacopapaco sequer, mesmo entredentes  (ops, entrebico). Aos poucos, meu amigo foi desistindo de ensinar-lhe alguma  coisa e, com o correr dos anos, acabou por acostumar-se ao sil&amp;ecirc;ncio do "louro".  No entanto, sempre cuidadoso com ele, o rapaz todo dia levava-o para o quintal  pela manh&amp;atilde; e o apanhava &amp;agrave; tardinha, quando voltava do seu trabalho no jornal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Um  dia, por&amp;eacute;m, devido a um temporal, meu amigo ficou preso na reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o do jornal, em Natal, sem ter  como se comunicar com a av&amp;oacute; (pois em casa eles n&amp;atilde;o tinham telefone e o da vizinha  estava com defeito). Por nunca ter cuidado do papagaio, a av&amp;oacute; nem se lembrou  dele, at&amp;eacute; porque o animal n&amp;atilde;o reclamava de nada: n&amp;atilde;o piava, n&amp;atilde;o miava nem  latia... Quando Juliano voltou para casa, encontrou o papagaio ensopado.  Recolheu-o, enxugou-o, mas, de noite, o bichinho come&amp;ccedil;ou a tossir muito. A av&amp;oacute;,  "perita em doen&amp;ccedil;as", diagnosticou que aquilo era uma gripinha de nada, em dois  ou tr&amp;ecirc;s dias ele estava bom novamente, n&amp;atilde;o era como ela, que estava nas &amp;uacute;ltimas (sempre).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Ao  deitar-se, Juliano fez um carinho na cabecinha do papagaio, todo encolhido e murcho. O  louro olhou para ele e, pela primeira vez, dirigiu-lhe a palavra, dizendo: &amp;mdash;  "Dessa noite n&amp;atilde;o passo". Juliano ficou animado: pelo menos a chuva tinha  limpado a garganta de seu amiguinho, ele agora era um papagaio normal, que  repetia o que sempre ouvira ao seu redor. No entanto, sua alegria durou pouco.  No dia seguinte, o papagaio tinha mesmo "passado", morrera. Coment&amp;aacute;rio de meu amigo, diante da enorme diferen&amp;ccedil;a, no caso, entre as pessoas e os animais: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman','serif'; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;&amp;mdash;  "Vov&amp;oacute; matraqueia o tempo todo falando em morte, e continua viva. O papagaio, com  incr&amp;iacute;vel senso de propriedade, na &amp;uacute;nica vez que falou, mostrou que entendeu direitinho o  significado do que ela vive dizendo, e morreu sem desperdi&amp;ccedil;ar uma &amp;uacute;nica palavra.  Que bicho mais s&amp;aacute;bio!...". &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9210</link><pubDate>Mon, 09 May 2011 18:40:40 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9210</guid></item><item><title>O seu &#xE9; igual ao meu?</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva;"&gt;Este ano &amp;eacute; ano em que defendo minha tese na UFRJ e todo o tempo do mundo &amp;eacute; pouco  para isto. Nunca vi nada t&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil em literatura. Minha dificuldade maior,  talvez, se d&amp;ecirc; n&amp;atilde;o pelo fato de ter de trabalhar com a linguagem acad&amp;ecirc;mica, mais  elaborada (quem escreveu para a televis&amp;atilde;o aprende muito bem a usar varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es  lingu&amp;iacute;sticas, a ter este tipo de flexibilidade de&amp;nbsp;adequar a fala &amp;agrave; necessidade  do personagem, ou do momento). Tenho a impress&amp;atilde;o de que o mais complicado, para  mim, &amp;eacute; lidar com as palavras em seu significado exato, sem o plurissentido  interpretativo que elas cont&amp;ecirc;m. Habituada com a poesia, em que a met&amp;aacute;fora muda  completamente o &amp;ldquo;plano de voo&amp;rdquo;, e em que uma palavra pode mover-se em&amp;nbsp;m&amp;uacute;ltiplas  dire&amp;ccedil;&amp;otilde;es, a linguagem acad&amp;ecirc;mica, ainda mais na Ci&amp;ecirc;ncia da Literatura, rejeita  esta polival&amp;ecirc;ncia: &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio pensarmos em cada voc&amp;aacute;bulo v&amp;aacute;rias vezes&amp;nbsp;at&amp;eacute; que  cheguemos&amp;nbsp;&amp;agrave; constata&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que ele caminha em uma dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;uacute;nica.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o h&amp;aacute;  margem para&amp;nbsp;para&amp;nbsp;sentidos duplos (muito menos triplos) e cansa: &amp;agrave;s vezes fico  horas (literalmente) em um par&amp;aacute;grafo, tentando achar a palavra adequada,  precisa,&amp;nbsp;ao encaminhamento do meu pensamento. Este fato, aliado &amp;agrave; originalidade  de um tema dif&amp;iacute;cil, com pouca ou nenhuma refer&amp;ecirc;ncia como suporte,&amp;nbsp;nos&amp;nbsp;requer na  maior parte do tempo um esfor&amp;ccedil;o &amp;ldquo;herc&amp;uacute;leo&amp;rdquo;; sem contar que, depois de cinco  a&amp;nbsp;seis horas neste processo, quando voc&amp;ecirc; p&amp;aacute;ra (ainda bem que conservaram  o&amp;nbsp;acento, segundo o Caldas Aulete digital)&amp;nbsp;e vai responder aos e-mails, ainda est&amp;aacute; envolvida na tese, a&amp;iacute; o clima  &amp;ldquo;vaza&amp;rdquo;, e as pessoas acabam achando&amp;nbsp;que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; &amp;ldquo;s&amp;eacute;ria demais&amp;rdquo;, talvez com  algum problema&amp;nbsp;t&amp;atilde;o grave que n&amp;atilde;o queira contar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Calma, n&amp;atilde;o precisa parar  de ler, porque n&amp;atilde;o vou discorrer sobre as agruras e alegrias inerentes a minha  tese, que serve apenas de "introito preliminar". Quero &amp;eacute; contar um fato muito  interessante que observei h&amp;aacute; dias, a respeito dela, quando precisei copiar um  verso de um dos autores analisados por mim,&amp;nbsp;contendo a&amp;nbsp;palavra: puta.  Imediatamente o autom&amp;aacute;tico corretor de textos&amp;nbsp; do word&amp;nbsp;sublinhou-a com&amp;nbsp;aquela  linhazinha vermelha que&amp;nbsp;sinaliza sempre um erro ortogr&amp;aacute;fico. Como eu teria que  escrever puta v&amp;aacute;rias vezes, pedi ent&amp;atilde;o para&amp;nbsp;que ela fosse&amp;nbsp;adicionada ao  dicion&amp;aacute;rio. Qual n&amp;atilde;o foi meu espanto&amp;nbsp;quando o corretor ortogr&amp;aacute;fico recusou-se.  Ou melhor: ele n&amp;atilde;o atendeu ao meu comando e n&amp;atilde;o a adicionou. Tentei v&amp;aacute;rias  vezes, inclusive com P mai&amp;uacute;sculo, grafada em it&amp;aacute;lico, tudo em  v&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Impressionada com aquela verdadeira demonstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de puritanismo,  resolvi escrever a palavra merda... E, pasmem, o corretor tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o aceitou. A  esta altura estava disposta a ver se ele aceitava algum palavr&amp;atilde;o e comecei a  escrever todos os que eu sabia. Ele continuou firme, a ignor&amp;aacute;-los solenemente (a  esta altura, solenemente mesmo... Eu podia inclusive sentir o ar de reprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e  censura partindo dele: logo eu, uma ex-advogada, uma quase doutora em letras  constrangendo-o a adicionar palavras chulas, pior: termos de baixo cal&amp;atilde;o...).  Por pouco n&amp;atilde;o me xingou &amp;mdash; melhor dizendo, por pouco n&amp;atilde;o me dirigiu veementes  improp&amp;eacute;rios.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;"Admoestada"&amp;nbsp;e reduzida &amp;agrave; p&amp;oacute; pela m&amp;aacute;quina,&amp;nbsp;e j&amp;aacute; quase sem  palavr&amp;otilde;es&amp;nbsp;na manga,&amp;nbsp;escrevi finalmente a palavra caralho e pedi de novo para que  fosse acrescentada ao dicion&amp;aacute;rio. Pois n&amp;atilde;o &amp;eacute; que o meu pern&amp;oacute;stico corretor  aceitou numa boa e adicionou-a rapidinho? Como puta e merda n&amp;atilde;o podem e caralho  pode? Podendo. N&amp;atilde;o sei se os corretores modernos, de &amp;uacute;ltima gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ops, de  &amp;uacute;ltima vers&amp;atilde;o s&amp;atilde;o iguais (o meu, jur&amp;aacute;ssico, &amp;eacute; de 2003), se quiser fa&amp;ccedil;a o teste e  me informe &amp;ndash; eu sinceramente espero que o seu seja mais evolu&amp;iacute;do; mas este  epis&amp;oacute;dio me intrigou tanto que, depois de muito pensar, n&amp;atilde;o vejo outra  alternativa&amp;nbsp;se n&amp;atilde;o concluir que meu corretor de textos tem uma s&amp;eacute;ria avers&amp;atilde;o  problem&amp;aacute;tica ("qui&amp;ccedil;&amp;aacute;" traum&amp;aacute;tica) apenas com palavr&amp;otilde;es femininos.&amp;nbsp;Alcan&amp;ccedil;ado tal  "patamar", penso que ele&amp;nbsp;atingiu&amp;nbsp;o m&amp;aacute;ximo&amp;nbsp;em sua modalidade, e elegi-o o&amp;nbsp;revisor  ortogr&amp;aacute;fico&amp;nbsp;mais mis&amp;oacute;geno do s&amp;eacute;culo XXI. Acho, por&amp;eacute;m, que ele n&amp;atilde;o gostou do  pr&amp;ecirc;mio que lhe "outorguei": escrevi por diversas vezes a express&amp;atilde;o puta merda,  obrigando-o,&amp;nbsp;ao insistir em colocar aquele sublinhado vermelho, a dar mais  realce ainda &amp;agrave;s palavras que ele, por todo sempre,&amp;nbsp;continuar&amp;aacute; fingindo ignorar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>/blog/9108</link><pubDate>Tue, 12 Apr 2011 17:36:17 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9108</guid></item></channel></rss>

