Home > Além das Letras - por Leila Míccolis > Piada um tanto sem graça
Quando eu morava no Rio (e ainda comia peixe), costumava ir com uma amiga paraense ao Arataca de Copacabana, saborear pupunhas como entrada e surubim como prato principal, delícias acompanhadas por uma das marcas de cerveja que mais gostávamos.
Ficamos tão habituées da casa, que o maître, quando o local ainda estava vazio, à tarde, nos contava alguns causos acontecidos no restaurante e, deles, um em especial me é inesquecível: um garção no primeiro dia do emprego lá, foi advertido de que não havia peixes de água doce naquele dia; o rapaz, não sabendo o que era pupunha (palmito) e não querendo ser desagradável, diante do pedido de um cliente assíduo, respondeu: — "Desculpe-me, senhor, mas a pupunha está em falta". E acrescentou, muito compenetrado: — "É que a pupunha está em desova...".
Lembro-me sempre deste episódio quando leio diariamente tanto falso expert falando difícil para disfarçar seu pouco conhecimento de algum assunto: enrolam a língua, juntam palavras que pouco ou nenhum nexo têm, são capazes de argumentar com bombásticas frases de efeito, e acabam, em sua soberba, se achando soberbos, ainda mais se podem exibir dois ou três livros em seu currículo ou mencionar que têm mais um a caminho (sobre algum assunto que eles achem de suma importantância para a humanidade...).
Sejam poetas ou prosadores há muitos parecidos com o garção do restaurante. Pior é que ainda existe quem, inadvertidamente, ache que falar difícil é sinal de cultura e sabedoria, e aplauda o orador ou o escritor. Muito triste. Por isto, tenho sempre o cuidado de omitir algum título que porventura tenha conseguido nesta vida, e também detesto o ar de superioridade do "magister dix", para que as pessoas me achem o máximo, só porque não entendem o que eu digo: não quero que uma piada se torne, em minha prática de vida, um exercício árido e estéril de grandiloquência e estrelismo pessoal, nem quero reduzir-me a uma piada. Saber adequar a fala a diversos tipos de ouvintes, é habilidade que me orgulho de aprender respeitosa e diariamente com os outros, para além das letras.
Ficamos tão habituées da casa, que o maître, quando o local ainda estava vazio, à tarde, nos contava alguns causos acontecidos no restaurante e, deles, um em especial me é inesquecível: um garção no primeiro dia do emprego lá, foi advertido de que não havia peixes de água doce naquele dia; o rapaz, não sabendo o que era pupunha (palmito) e não querendo ser desagradável, diante do pedido de um cliente assíduo, respondeu: — "Desculpe-me, senhor, mas a pupunha está em falta". E acrescentou, muito compenetrado: — "É que a pupunha está em desova...".
Lembro-me sempre deste episódio quando leio diariamente tanto falso expert falando difícil para disfarçar seu pouco conhecimento de algum assunto: enrolam a língua, juntam palavras que pouco ou nenhum nexo têm, são capazes de argumentar com bombásticas frases de efeito, e acabam, em sua soberba, se achando soberbos, ainda mais se podem exibir dois ou três livros em seu currículo ou mencionar que têm mais um a caminho (sobre algum assunto que eles achem de suma importantância para a humanidade...).
Sejam poetas ou prosadores há muitos parecidos com o garção do restaurante. Pior é que ainda existe quem, inadvertidamente, ache que falar difícil é sinal de cultura e sabedoria, e aplauda o orador ou o escritor. Muito triste. Por isto, tenho sempre o cuidado de omitir algum título que porventura tenha conseguido nesta vida, e também detesto o ar de superioridade do "magister dix", para que as pessoas me achem o máximo, só porque não entendem o que eu digo: não quero que uma piada se torne, em minha prática de vida, um exercício árido e estéril de grandiloquência e estrelismo pessoal, nem quero reduzir-me a uma piada. Saber adequar a fala a diversos tipos de ouvintes, é habilidade que me orgulho de aprender respeitosa e diariamente com os outros, para além das letras.
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8 comments
Obrigada por escrever!
bjs gdes