Metáfora - por Luiz Biajoni
Thursday, 9 December 2010
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Não são poucas ou desprezíveis as teses que apontam para um homossexualismo reprimido de Hitler, causa de toda violência contra “diferentes” (homossexuais, negros, deficientes físicos e, claro, judeus) na Segunda Guerra. Hitler tinha uma alma artística, havia tentado ingressar na Escola de Artes de Viena em duas ocasiões, sem sucesso. Entrou para a política. Deu no que deu. Seu passatempo preferido - além de mandar matar e destruir - era pintar picos nevados; não é preciso ser psiquiatra para fazer qualquer relação a partir dessa informação. A obstinação em ter um exército perfeito, de arianos lindos, todos com braços em riste (outra clara alusão ao falo ereto); uma máquina de guerra invencível e sexualmente pujante, mostra que sexo e violência andam juntos, especialmente quando não há a possibilidade plena da consumação sexual. Nessa impossibilidade, a violência pode se direcionar para fora do indivíduo ou para dentro do mesmo, como veremos a seguir, em um exemplo assombroso.

 

(Pintura de Hitler. Artista frustrado?)


Nessa altura, todos devem ter lido o sensacional artigo do médico Drauzio Varella na Folha de São Paulo de 4 de Dezembro passado, “Violência contra Homossexuais”. Se não leu, leia, faça sua família ler, faça seus filhos lerem, faça seu líder religioso ler. É um artigo exemplar em sua concisão e em como resolve um assunto que vem gerando tanta repercussão. Basicamente, diz que a sexualidade no indivíduo não é uma opção para ele, é uma imposição. Isso, clinicamente falando.  Ninguém escolhe ter esse ou aquele desejo sexual, o indivíduo simplesmente o tem. Diz Varella: “O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira”. A comparação não é gratuita: o desejo é natural. Assim sendo, não teria sido criado por Deus?


Varella não passa ao largo da questão religiosa - embora seja menos incisivo do que eu gostaria:


“Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos”


A frase é ótima, primeiro por usar “pastores” numa comparação direta a “nazistas”, mas melhor por usar “recomendar”, que soa, a mim, diante do resto do texto, como “recomendo que você não beba água”, uma recomendação inútil. A mim, é isso o que, grosso modo, os líderes religiosos vêm fazendo: recomendações inúteis, quando o assunto é sexualidade.


O artigo não cita, mas é a propósito do caso do grupo de jovens que atacou outro grupo na Avenida Paulista, em São Paulo, por causa da diferença sexual. A sexualidade mal resolvida pode gerar violência externa, como dito acima, mas quando acrescenta elemento religioso, pode gerar um tipo de violência íntima que não pode ser desconsiderada. Os leitores do blog Amálgama tiveram um exemplo disso nos comentários desse texto. Veja, caro leitor, os desdobramentos do caso narrado por Isac. Seu filho, homossexual, diante da crítica que sofreria dos pais e dos pastores de sua igreja decide cometer suicídio. Apenas diante dessa possibilidade o pai, crente, se conscientiza de toda besteira religiosa. É uma perspectiva terrível, essa de perder um filho pelo suicídio. Isac descobriu antes que acontecesse.


Esse tipo de violência devia estar na pauta de discussão dos líderes religiosos, quando eles se posicionarem contra o que quer que seja. Especialmente, sobre sexo.

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Wednesday, 25 August 2010
posted by Biajoni

Estive na semana passada na Bienal do Livro de São Paulo. Pude constatar o incrível número de estandes oferecendo livros espíritas, é fato que o espiritismo está ganhando cada vez mais terreno no País. Também era vários os estandes com livros religiosos diversos, de católicos a evangélicos, passando pelo candomblé, e até um estande da incrível “Cultura Racional”, aquela inacreditável seita da qual Tim Maia participou por um breve momento – no qual gravou dois grandes discos.

Paralelamente ao crescimento dos estandes oferecendo livros doutrinários, temos títulos ateus ou céticos, de questionamento ou perscrutórios, muitos dos quais nem tinha ouvido falar. Comprei alguns, falarei deles em breve. O que leio no momento é “Deus e Eu – Conversas sobre fé e religião”, organizado por Antonio Monda.



Monda pergunta sobre fé e religião para diversos intelectuais, Paul Auster, Saul Bellow, Michael Cunningham, Jonathan Franzen, Spike Lee, Salman Rushdie, David Lynch, Martin Scorsese, Eli Wiesel entre outros. Vale a pena ler os posicionamentos desses pensadores.

Auster, por exemplo, não acredita que exista um Deus. Mas considera a religião um elemento cultural fundamental para a sociedade. Bellow acredita em Deus, mas diz que não espera “importuná-lo”. Cunningham filosofa sobre a necessidade que o homem teve de “criar” Deus, mas atesta que acredita em algo, já que nem tudo pode ser explicado pela ciência. Jane Fonda tem uma teoria de que Jesus foi o primeiro feminista. Franzen tem uma ótima postura:  “Digamos que, se Deus existe, ele opera de maneira tão misteriosa que para mim resulta quase irrelevante”. Rushdie acha que Deus é incompreensível. E Nathan Englander diz que tem medo de dizer que não acredita n´Ele por medo de uma reação d´Ele.

O livro mostra que mesmo intelectuais já pensaram sobre isso, a existência de Deus. E mesmo eles têm os mesmos pensamentos que a maioria.

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O programa duplo da segunda-feira foi “Homens que Encaravam Cabras” e "Religulous”. Os filmes tem muita coisa em comum.

O primeiro filme tem um time de astros e conta a história verdadeira de um impressionante grupo de militares místicos e doidões que acreditavam em paranormalidade e poderes da mente. O exército faz experiências com eles, a ponto de imaginar que alguns podiam matar animais com o poder da mente. O estranho título vem justamente de uma dessas experiências, quando um dos protagonistas da trama, interpretado por um genial George Clooney, encara uma cabra até matá-la. O núcleo de doidões começa a se desfazer quando um dos soldados acaba se matando, com um tiro na cabeça, depois de uma sessão de LSD. E quando a luta pelo poder dentro do grupo começa a se dividir entre os personagens de Jeff Bridges e de Kevin Spacey. A grande piada dentro do filme é a presença de Ewan McGregor, que já foi Obi-Wan Kenobi na saga “Star Wars”, fazendo o jornalista que quase começa a acreditar em uma “raça” de “militares Jedi”. O filme é baseado no livro do jornalista Jon Ronson, que também inspirou o personagem de McGregor.


Para mim, através da ridicularização do misticismo setentista, cheio de drogas, o filme provocou certa vergonha alheia de amigos que ainda acreditam em coisas assim, como a visão remota ou aquelas bobagens de Carlos Castañeda.


Nesse sentido, “Religulous” é ainda mais sensacional, pois desanca diretamente e também de maneira bem-humorada a maioria das grandes religiões através do questionamento direto de alguns grandes líderes. É um documentário, dirigido por Larry Charles, o mesmo de “Borat”. Mas é muito melhor que “Borat”, até por ser verdadeiro e com um personagem muito mais carismático que o repórter fictício do Cazaquistão. Falo de Bill Maher, comediante famoso nos EUA. Ele ridiculariza completamente a religião e seus inacreditáveis crentes. É incrível como ele consegue provocar os entrevistados com perguntas simples como “Você acredita MESMO no que está falando?”, desconcertando o entrevistado.


Não creio que tenha sido lançado no Brasil - alguém me disse que o filme não conseguiu distribuidores em boa parte dos países, a gente pode imaginar o porquê. Mas dá para baixar na internet. Recomendo muitíssimo, especialmente a entrevista com um bispo do Vaticano, um velhinho simpático que, lá pelas tantas, rindo muito, diz: “Quem é que ainda acredita nessas coisas?!”.


 


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Thursday, 15 April 2010
posted by Biajoni

Todos estão preocupados com nossas crianças. O Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro questiona a Rede Globo sobre Klara Castanho, a garotinha Rafaela, da Novela “Viver a Vida”, um dos pouco motivos para se acompanhar a trama de Manoel Carlos. A Justiça pode ter atrapalhado o desenvolvimento da carreira de Maysa, a garotinha que falava o que lhe passava à cabeça ao patrão Silvio Santos. O ápice do que chamaram de “exploração” da menor foi um susto que o patrão lhe causou e resultou em choro. Mais recentemente, foi divulgado que uma tal Lady Gaga mirim estava cobrando para aparecer em programas de TV – e a Vara da Infância e Juventude apareceu para “monitorar” o caso. Nesses três exemplos, é bom que se diga que os pais acompanham os filhos e que as emissoras fazem acompanhamento pedagógico e psicológico. Difícil discordar que Klara Castanho é uma grande atriz mirim e que Maysa é uma comunicadora nata. Não conheço a Lady Gaga mirim.

Mais grave, é claro, são as acusações de pedofilia, que estão aparecendo em enxurrada contra representantes da Igreja Católica.

Mas gostaria de relacionar os casos das garotinhas acima ao que tenho visto em programas religiosos evangélicos, tarde da noite. Especialmente da Igreja Mundial do Poder de Deus. E perguntar onde estão o Ministério Público e a Vara da Infância e Juventude para “monitorar” o que está acontecendo ali.



Apenas no programa de ontem (14/04), em alguns minutos, o pastor Roberto Damásio, com um chapelão de caubói e fala caipira, fez:

- Uma garotinha de uns 8 anos, que se apresentou como cega, dizer para a mãe que não era mais cega, enquanto todos se acabavam em lágrimas;

- Uma garotinha de uns 9 anos, toda torta, andar com esforço aparente. A mãe trazia documentos que “comprovavam” que ela não andava há muito tempo;

- Um garotinho o abraçar, pela cura do câncer que a igreja teria proporcionado. Mostrou VT do garotinho careca, fazendo quimio. Os fiéis exultaram, a mãe disse que os médicos afirmaram que se o garoto fosse para cirurgia, ele “ficaria na mesa”. O pastor Damásio: “ele ia morrer, né?”. E o garotinho ali, assustado.

Até quando vão explorar crianças e a fé de desavisados?

Essas crianças sabem ou saberão um dia o que aconteceu?

Houve cura de fato?

De quem é a responsabilidade por apurar veiculações desse tipo?

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