Home > Metáfora - por Luiz Biajoni > O Homem é Transgressor
O rabino Nilton Bonder, em seu mais famoso livro, “A Alma Imoral”, prega algo estranho, a primeira vista, para um rabino: o valor da transgressão.
Segundo ele, grosso modo, Deus fez o homem para transgredir, do contrário Ele não teria colocado uma árvore linda e frondosa no meio do Jardim do Éden com frutos vistosos e suculentos e ordenado: não coma! Do alto de sua onisciência divina, é bem claro que Deus sabia que eles iam comer – e assim queria. Ao transgredir, o homem passou de uma condição de animal para a condição de além-animal – e a evolução está sempre atrelada à transgressão.
Diz Bonder:
“Na verdade, essa parceria no processo de transgredir se inicia no próprio Criador, que implanta uma espécie de primeira consciência através de uma proibição. [...] ...quando o Criador comanda, está em sua mais plena função de estabelecer diretrizes ao que cria; quando proíbe, abre a porta para uma dimensão de co-criação”.
Conhecemos isso como “psicologia infantil”, basta proibir para que a criança queira ainda mais.

Para o autor, ainda, a “alma” seria o componente consciente da necessidade de evolução, “a parcela de nós capaz de romper com os padrões e com a moral. Sua natureza seria, portanto, transgressora e ‘imoral’, por não corroborar os interesses da moral”.
Embora sejam vários os mitos que exploram a transgressão das mais diversas formas, Campbell quase não usa esse termo em suas obras (pelo menos, não encontrei na rápida procura que fiz). Na História e nas histórias das religiões, vemos os líderes sempre transgredindo o status-quo, de Maomé a Jesus, passando por Abraão e Buda e indo a Lutero.
Não por acaso, “tradição” e “traição” são palavras com raízes comuns. O fundamentalismo religioso; a obediência cega às pregações e doutrinas; a leitura literal, obsessiva e resignada dos grandes livros sagrados; o cabresto social que a religião coloca no crente, tudo isso pode ser exatamente o contrário do que Deus quer de nós.
Se é que Ele realmente espera algo de nós.
Segundo ele, grosso modo, Deus fez o homem para transgredir, do contrário Ele não teria colocado uma árvore linda e frondosa no meio do Jardim do Éden com frutos vistosos e suculentos e ordenado: não coma! Do alto de sua onisciência divina, é bem claro que Deus sabia que eles iam comer – e assim queria. Ao transgredir, o homem passou de uma condição de animal para a condição de além-animal – e a evolução está sempre atrelada à transgressão.
Diz Bonder:
“Na verdade, essa parceria no processo de transgredir se inicia no próprio Criador, que implanta uma espécie de primeira consciência através de uma proibição. [...] ...quando o Criador comanda, está em sua mais plena função de estabelecer diretrizes ao que cria; quando proíbe, abre a porta para uma dimensão de co-criação”.
Conhecemos isso como “psicologia infantil”, basta proibir para que a criança queira ainda mais.

Para o autor, ainda, a “alma” seria o componente consciente da necessidade de evolução, “a parcela de nós capaz de romper com os padrões e com a moral. Sua natureza seria, portanto, transgressora e ‘imoral’, por não corroborar os interesses da moral”.
Embora sejam vários os mitos que exploram a transgressão das mais diversas formas, Campbell quase não usa esse termo em suas obras (pelo menos, não encontrei na rápida procura que fiz). Na História e nas histórias das religiões, vemos os líderes sempre transgredindo o status-quo, de Maomé a Jesus, passando por Abraão e Buda e indo a Lutero.
Não por acaso, “tradição” e “traição” são palavras com raízes comuns. O fundamentalismo religioso; a obediência cega às pregações e doutrinas; a leitura literal, obsessiva e resignada dos grandes livros sagrados; o cabresto social que a religião coloca no crente, tudo isso pode ser exatamente o contrário do que Deus quer de nós.
Se é que Ele realmente espera algo de nós.
16 comments
:>)
Eu acredito que o homem só terá sossego e paz de espírito quando aceitar que não precisa ter respostas para tudo. A racionalidade nos incita a cognição, foi útil para nossa defesa até nosso domínio, hoje extrapola a razão e vem nos conduzindo para dilemas que só servem para ocupar nossa mente ao invés de deixá-la livre para simplesmente nos deixar viver prazeirosamente."
:>)
como cito a história da árvore e da fruta comida por adão e eva, botei a foto. na verdade, a religião transformou a fruta em "pecado da carne"; mas antes da proibição de comer a fruta, deus tinha dito que o homem devia se multiplicar. a fruta é só uma imagem, mais uma metáfora, que aponta talvez para o desejo que deus tinha de testar a cega obediência de suas novas criaturas. e ele não devia querer que elas o obedecessem de fato.
;>)
tudo isso dito num plano muito específico de acreditarmos que tudo isso de fato aconteceu - muita gente acredita, especialmente judeus e evangélicos.
:>*
O desejo é selvagem e portanto transgressor?
a sociedade moderna e' baseada em controles e mensagens que nos levam a certos objetivos. o racionalismo e' sucesptivel a controles enquanto o espirito e' livre.
vamos viver! estou com este pensamento simples.
eu me identifico com um Deus que voce sente e tem fe', e pronto. Neste ponto gosto do Zen, que diz se voce tentar definir ja' esta' no caminho errado. entao estes livros sobre Deus sao sobre nos mesmos...
penso isto...
que opera segundo outras diretrizes.
O problema é quando o indivíduo nem sabe diferenciar uma da outra.