Estive na semana passada na Bienal do Livro de São Paulo. Pude constatar o incrível número de estandes oferecendo livros espíritas, é fato que o espiritismo está ganhando cada vez mais terreno no País. Também era vários os estandes com livros religiosos diversos, de católicos a evangélicos, passando pelo candomblé, e até um estande da incrível “Cultura Racional”, aquela inacreditável seita da qual Tim Maia participou por um breve momento – no qual gravou dois grandes discos.
Paralelamente ao crescimento dos estandes oferecendo livros doutrinários, temos títulos ateus ou céticos, de questionamento ou perscrutórios, muitos dos quais nem tinha ouvido falar. Comprei alguns, falarei deles em breve. O que leio no momento é “Deus e Eu – Conversas sobre fé e religião”, organizado por Antonio Monda.

Monda pergunta sobre fé e religião para diversos intelectuais, Paul Auster, Saul Bellow, Michael Cunningham, Jonathan Franzen, Spike Lee, Salman Rushdie, David Lynch, Martin Scorsese, Eli Wiesel entre outros. Vale a pena ler os posicionamentos desses pensadores.
Auster, por exemplo, não acredita que exista um Deus. Mas considera a religião um elemento cultural fundamental para a sociedade. Bellow acredita em Deus, mas diz que não espera “importuná-lo”. Cunningham filosofa sobre a necessidade que o homem teve de “criar” Deus, mas atesta que acredita em algo, já que nem tudo pode ser explicado pela ciência. Jane Fonda tem uma teoria de que Jesus foi o primeiro feminista. Franzen tem uma ótima postura: “Digamos que, se Deus existe, ele opera de maneira tão misteriosa que para mim resulta quase irrelevante”. Rushdie acha que Deus é incompreensível. E Nathan Englander diz que tem medo de dizer que não acredita n´Ele por medo de uma reação d´Ele.
O livro mostra que mesmo intelectuais já pensaram sobre isso, a existência de Deus. E mesmo eles têm os mesmos pensamentos que a maioria.
7 comments
Pra mim não faz diferença, já que a grandeza da vida não depende da existência de um Deus.
;>)
Abraço!
E quanto à vida eterna, MarcosVP, eu sempre digo: se as pessoas se preocupassem mais com essa vida e levá-la da melhor forma, não precisariam se preocupar com o que vem depois ;-)
Beijos (e muito bom saber desse teu blog!)
Aline T.H.
:>)
Aí, nesse processo de descrença, ao mesmo tempo eu percebo que muitas coisas intrínsecas ao modo de ser e pensar religioso, nunca me bateram, como, por exemplo, a preocupação com a vida eterna. Essa parte é simples, já que nunca pensei mesmo nisso. E o que é complicado? contar para as crianças que eu não acredito mais no Deus em que elas acreditam e ignorar sinais que, durante 40 anos, me fizeram crer que aquele Deus existia. Agora, preciso encarar as coisas como simples coincidência. Não é fácil.
No mais, eu tenho alguns amigos físicos com os quais adoro debater isso. Numa eu já os encurralei algumas vezes: a física e a matemática só podem provar existências. Uma inexistência só pode ser provada quando contraposta a uma existência que a anule. Ou seja, como não há existência nenhuma que anule a possibilidade de um plano metafísico, não se prova a inexistência de Deus. Ateus e crentes dividirão, talvez por toda a eternidade, o mesmo nível de ignorância. E puxarão eternamente suas sardinhas.
Abs.
MarcosVP