Não são poucas ou desprezíveis as teses que apontam para um homossexualismo reprimido de Hitler, causa de toda violência contra “diferentes” (homossexuais, negros, deficientes físicos e, claro, judeus) na Segunda Guerra. Hitler tinha uma alma artística, havia tentado ingressar na Escola de Artes de Viena em duas ocasiões, sem sucesso. Entrou para a política. Deu no que deu. Seu passatempo preferido - além de mandar matar e destruir - era pintar picos nevados; não é preciso ser psiquiatra para fazer qualquer relação a partir dessa informação. A obstinação em ter um exército perfeito, de arianos lindos, todos com braços em riste (outra clara alusão ao falo ereto); uma máquina de guerra invencível e sexualmente pujante, mostra que sexo e violência andam juntos, especialmente quando não há a possibilidade plena da consumação sexual. Nessa impossibilidade, a violência pode se direcionar para fora do indivíduo ou para dentro do mesmo, como veremos a seguir, em um exemplo assombroso.

(Pintura de Hitler. Artista frustrado?)
Nessa altura, todos devem ter lido o sensacional artigo do médico Drauzio Varella na Folha de São Paulo de 4 de Dezembro passado, “Violência contra Homossexuais”. Se não leu, leia, faça sua família ler, faça seus filhos lerem, faça seu líder religioso ler. É um artigo exemplar em sua concisão e em como resolve um assunto que vem gerando tanta repercussão. Basicamente, diz que a sexualidade no indivíduo não é uma opção para ele, é uma imposição. Isso, clinicamente falando. Ninguém escolhe ter esse ou aquele desejo sexual, o indivíduo simplesmente o tem. Diz Varella: “O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira”. A comparação não é gratuita: o desejo é natural. Assim sendo, não teria sido criado por Deus?
Varella não passa ao largo da questão religiosa - embora seja menos incisivo do que eu gostaria:
“Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos”
A frase é ótima, primeiro por usar “pastores” numa comparação direta a “nazistas”, mas melhor por usar “recomendar”, que soa, a mim, diante do resto do texto, como “recomendo que você não beba água”, uma recomendação inútil. A mim, é isso o que, grosso modo, os líderes religiosos vêm fazendo: recomendações inúteis, quando o assunto é sexualidade.
O artigo não cita, mas é a propósito do caso do grupo de jovens que atacou outro grupo na Avenida Paulista, em São Paulo, por causa da diferença sexual. A sexualidade mal resolvida pode gerar violência externa, como dito acima, mas quando acrescenta elemento religioso, pode gerar um tipo de violência íntima que não pode ser desconsiderada. Os leitores do blog Amálgama tiveram um exemplo disso nos comentários desse texto. Veja, caro leitor, os desdobramentos do caso narrado por Isac. Seu filho, homossexual, diante da crítica que sofreria dos pais e dos pastores de sua igreja decide cometer suicídio. Apenas diante dessa possibilidade o pai, crente, se conscientiza de toda besteira religiosa. É uma perspectiva terrível, essa de perder um filho pelo suicídio. Isac descobriu antes que acontecesse.
Esse tipo de violência devia estar na pauta de discussão dos líderes religiosos, quando eles se posicionarem contra o que quer que seja. Especialmente, sobre sexo.
4 comments
Acho que a chave está na palavra "rebanho". Esse é um problema grave da humanidade: a necessidade de andar de turminha e de que todos os da turminha sigam as mesmas regras e atuem da mesma forma.
Pq td grupo humano tende a rejeitar qqer individuo (ou outro grupo) que seja dierente, pura e simplesmente. Basta ver o preconceito dos proprios homossexuais em relação aos bisexuais. É um contra-senso patético e, no entanto, algo que real e sistematicamente ocorre.
Penso que o ser humano teme o diferente pq td relação acaba sendo um espelho, uma projeção de coisas subconscientes pessoais, e não uma interação verdadeira onde podemos nos entender melhor, ao perceber realmente o outro.
Creio que onde não consegue se reconhecer, o sujeito recua apavorado.
Noves fora, é questão de só ter interesse no próprio umbigo: o humano em geral não quer interagir; só quer "introagir".
:>)
obrigado pelo comentário, tony. a ligação entre sexo e violência não é obrogatória, mas acho que em vários níveis ele funciona até naturalmente. tema para outro post.
Para quem quiser ver...
http://intercinegay.blogspot.com/2010/04/love-to-hide.html
Mas não concordo que sexo e violência andam juntos. Não necessariamente. Violência podemos encontrar em qualquer lugar, no amor, na paixão, amizades, na profissão, etc. assim como podemos encontrar amor com compaixão, amor com amizade, profissão com paixão, etc. Portanto, esta ligação não é obrigatória.
Um outro ponto importante é a questão evolucionária. Sim, homossexualismo existe em várias espécies, assim como perfis altruistas, cooperativos, dóceis, violentos, amáveis, etc. Todas elas são impostas por uma natureza genética, não por escolha. Porém, cada uma destas características ou comportamento predominante tem suas consequências refletidas pelo meio e ao meio. Numa dada espécie, por exemplo, onde o meio exige cooperação para facilitar a sobrevivência e a perpetuação da espécie, os indivíduos que não possuem esta característica serão automaticamente isolados e muito provavelmente não se acasalarão e consequentemente seus genes que caracterizam tal comportamento não serão transmitidos para outros, consequentemente, tal espécie será composta de indivíduos com comportamento predominantemente cooperativo, caso contrário, entraria em extinção. Observando que toda esta seleção demanda milhares de anos...
Extrapole isto para o homossexualismo, talvez surja a explicação para tal “rejeição” inconcebível e de difícil compreensão. Esclareço que é somente um ponto a ser considerado.