Não poderia haver data mais propícia que uma Sexta-Feira 13 (melhor ainda por ser do inquietante mês de Agosto) a me auferir a auspiciosa tarefa de apresentar ao grande público o mais maldito dos poetas sonetistas que conheço, nenhum outro senão aquele que secretamente sevivesconde em seu castelo e que, entre velas e sombras, se protegesquiva de nosso profano mundo literário.
Apresento-vos, pois, o poeta Alan Rodrigues de Carvalho, que em plena sexta-feira 13 estreia aqui, no Yubliss, publicando um de seus clássicos sonetos:
Dama de Paus
cujo tema, consonante a esta sinistra data,
trata de seu malditamor por uma lindelegante feiticeira.
Alan Rodrigues de Carvalho é poetobscuro e premiado, um dos ilustres convidados a participar do “Pão e Poesia – 2010″, projeto cultural de autoria do poeta mineiro Diovvani Mendonça (logo publicaremos também em nosso site, o Amigo da Alma, matéria sobre Diovvani, o ”Pão e Poesia”, e outros projetos culturais que levam sua chancela).
No Pão & Poesia 2010, Alan publicou uma de suas obras-primas, o soneto Artinnatura, (que em breve poderá também ser lido aqui e no Amigo da Alma), um sonetomenagem dedicado ao grande poeta paraibano Augusto dos Anjos, cuja verve poética influencia visceralmente toda a poesia de Alan.
Alan é engenheiro civil formado pela USP; foi militante do partido comunista nas décadas de 80-90, mas hoje, decepcionado com a política, palco da corrupção que anda à solta nas esferas de nosso Governo Federal, Alan prefere ser partidário apenas da verdade e da cara limpa, optando, pois, por não aderir a “ismo” mais algum de qualquer espécie, seja o comunismo, seja o anarquismo, menos ainda se importando com o que dizem de sua obra que, devido à sua naturezinsólita, não se adapta às burras arestas de qualquer academicismo.
Toda a poesia de Alan resta assim, pois, inclassificável, incapaz de ser contida pelas raias do infinito leque de escolas em que se abriu nosso pós-modernismo, tanto quanto permanece fugidia a escapar pelas frestas dos dedos, sempre que insistimos tomá-la em referência às já caducas premissas de liberalidade do surrealismo ultrerótico.
Alan, entretanto, cujo caminho esotérico se iniciou precocemente, já na adolescência, assina sempre com chumbo e prata seus poemas; seus sonetos são verdadeiras ogivas góticas e cada conjunto de seus 14 versos traduz o intrincado labirinto de sua própria natureza anímica, a expressar uma alma perturbada, perplexa diante da impossível tarefa de compreender racionalmente (como os engenheiros sempre tentam) a beleza da áurea proporção divina, conforme descrita pelo matemático italiano Fibonacci.
Alan, antes de tudo, é um de meus grandes amigos, irmão de Ordem, confrade de Letras, enxadrista com quem partilhei bons momentos de jogo desde os idos do Colégio, época esta em que juntos conhecemos o artesão-filósofo Christiano Sotero, nosso mestre sonetista, (também presente no Amigo da Alma), hoje com 78 anos, que nos iniciou a ambos (em momentos distintos) nos ensinamentos esotéricos da augusta Ordem da TAO (Tradição Alquímica do Ocidente).
Segue, pois, seu sonestestreia:
DAMA de PAUS
Minha bruxa entrou pela porta adentro
e em negro se deitou em minha cama;
as velas que ao castelo o amor conclama
acendem-se em meu quarto e a cama é o centro.
Descalça se deitou feito uma dama
e em beijos me curou com seus unguentos;
na hemoterapia dos momentos,
vampira, me sugou meu sangue em chama.
Nos olhos traz magia cor do mar,
o mesmo que ela vê toda manhã,
sonhando estar comigo em meu castelo.
E eu bebo de seu ventre o chá libelo
no cálice do amor poção romã
que me faz desse amor meu ser voar!
Alan Rodrigues de Carvalho
madrugada de 30 de março do ano da graça de 2009
7 comments
E só você mesma para comentar em francês e valorizar o post. Un gross bisou pour toi, aussi! merci!
Valeu o comentário, mano!
l`image de la DAMME de PIQUE...on dirai qu`elle es vivante....BISOUS
Quanto ao "Dama de paus": envolve a gente, sensual, d+, delícia pra quem lê, vê se te cuida aí, meu irmão!
e aquilo que tu dizes eu endosso,
pois quando leio Alan, sempre que eu posso,
cravo um Pinot Noir nalgum pescoço.