Encantamento & Nova Consciência, por Paulo Urban
Sunday, 3 June 2012
posted by Paulo

LUASTRAL

 

A Lua é o que deseja o coração:

Se em Capricórnio ela é tenaz, segura;

em Sagitário ela é quem mais procura

e em Câncer faz sentir toda emoção.

 

Em Libra faz buscar na outra figura

desejos que alimentam Escorpião;

se em Touro ela ilumina amplo sertão,

em Virgem a si reserva-se em candura.

 

A Lua se emancipa em luz de Aquário,

e nasce magnífica em Leão;

em Peixes ela é cura, é um visionário,

 

Em Gêmeos é fantástica e/ou erótica,

em Áries ela é ‘Luz, Câmera e Ação’!

... e a todos os poetas... ora, é ótima!

 

 

Nicolau Nicolei de Ptolodamus

Astrólogo do Rei

Porta-Céu de onde é que estamos!   

Aos 13º de Gêmeos, 13h30min

Lua crescente/cheia em Sagitário, 2º 29’29’’ 
crédito de imagem:
("Blue Moon": foto premiada de Homero Pimentel (1939-2008), pai de Paulo Urban)    

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BIBLOS AD HUMUS

 

 

Às vezes quando penso que sei muito

e conto esses meus livros nas estantes,

e lembro os outros tantos que escrevi,

pergunto aos grandes sábios do Planeta,

 

 

Aos simples que nem têm biblioteca,

de que me vale ter lido Cervantes,

Pessoa e William Shakespeare de Assis...

... e aos pés de Paulapóstolo me junto.

 

 

Caído do cavalo em plenestrada,

rasgado em quedabismo sou fiasco

e vejo que estes livros são maçãs,

 

 

São frutos proibidos das manhãs,

são passos que buscando alçar Damasco,

fazem meu rastro em pó, pois não sei nada!

 

 

Paulo Urban

31 de dezembro, MMXI

13h – dec. her.

 

 

 Biblioteca de Alexandria, Egito, século III a. C.  

Grande Sala reconstituída segundo pesquisas arqueológicas de tudo aquilo que restou, melhor dizendo, do nada que restou após sua destruição em 415 d. C. por conta de uma horda de cristãos fanáticos que a incendiou completamente.   

 

 

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Wednesday, 16 November 2011
posted by Paulo

Um dos poetas contemporâneos com cuja obra muito me identifico é Alan Rodrigues de Carvalho, cujos sonetos malditos (e outros tantos eróticos) deveriam ser trazidos à luz por alguma editora, ainda que o charme desse poeta seja o de mais à vontade andar assim, à sombra acadêmica, sob a proteção do mais secreto crepúsculo das letras.

  

Privei-me intensamente dos soturnos ares de sua mente luminosa durantes os três saudáveis e consecutivos anos em que compartilhamos dos mesmos bancos escolares. Àquela época, deliciávamo-nos com as aulas de literatura ministradas pela Prof.ª Marta Marques da Silva, que tanto nos fez amar a mitologia clássica como descobrir o gênio de Machado, também com o ministério do Prof. Roberto Melo Mesquita, de quem herdamos, muito além de sua bem conceituada gramática, o amor pelos sonetos.

 

A propósito, Prof. Mesquita considerava a “forma soneto”, desde que preservadas fossem a economia e a riqueza imagética pelas penas dos poetas, verdadeiras obras-primas emolduradas em quatro quadros, dois quartetos e dois tercetos; pequenas operetas de musicalidade rítmica a dar conta de toda uma história inteiramente contada, começo, meio e fim, em suas justas e perfeitas tão-somente 14 linhas (de infinitas entrelinhas, é claro).

 

É que a verdadeira arte, seja ela qual for, requer dose de medida, tal qual a vemos fluir livre, sem que dela se desperdice uma só gota, em toda ação de justa Temperança, tal qual nos ensina o Arcano XIV do Tarô, grande selo oculto da Tradição da Alquimia.

 

Também em relação a esta artesotérica, cumpre dizer que Alan e eu comungamos de uma mesma fontescola, posto sermos discípulos de Christiano Sotero, 78 anos, também nosso mestre sonetista, que em sua bibliotecalquímica, oculta seu particular tesourencantado, todo ele formado por iluminuras, poções alquímicas, nosódios e florais, além de seus próprios sonetalquímicos, um dos quais já tive a honra de publicar aqui (o leitor interessado em conhecê-los, por gentileza, visite Panterespectro).

 

E foi assim, visando quadrar o círculo, buscando unir o sal à água, tentando estreitar os caminhos seco e úmido na febril procura pela Pedra e pelo Elixir, que Alan Rodrigues e eu nos encontramos no Templo da Grande Jornada, na Iniciação ao longo da qual, muito distantes ainda dos Mistérios que ousamos penetrar, buscamos sub rosa sonetar, cada qual à sua moda, dando conta da retorta alquímica que nos foi confiada, conforme nos orienta fazer toda a práxis esotérica e literária de Sotero.
 


Augusto dos Anjos (1884-1914)
 

Apresento-vos, pois, conforme prometido havia em Dama de Paus, o soneto Artinnatura de Alan Rodrigues de Carvalho, a expressar o êxtase em que se traduziu seu contato, desses que fazem arrebatar, encontro dele com o mestre Augusto dos Anjos que, em sua consciência de quiróptero, visitou-o certa noite na caverna onde ele escreve, fazendo com que a verdade se levantasse das pedras mortas, a abrir-lhe assim todas as portas para os ensinamentos esotéricos que o poetaugusto nos legou cifrado e bem codificado na singularidade do Eu, obra-máxima de sua alma.   

 

Por isso, segue o signo:     

 

 

ARTINNATURA

 

Às noites em meu quarto solitário

ouço batidas fortes e sonoras;

lúgubre carrilhão das densas horas,

retumba a madrugada em campanário.

 

Nas asas dos morcegos a alma aflora;

errante, voa e cumpre o itinerário,

refaz item por item questionário

que no escuro dos quartos sempre mora.

 

Inquietações da angústia da caverna

gotejam feito versos de um soneto,

explodem feito dor em dinamites;

 

- Augusto, acende logo tua lanterna!

E vê pingando em último terceto,

dos Anjos, pranto em estalactites.

 

 

Alan Rodrigues de Carvalho,

madrugada de 3 de agosto do ano da graça de 2001

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Thursday, 20 October 2011
posted by Paulo

VIDARCANO XIII

(porque o melhor epitáfio não vale mais que estar aqui)

 

 

Qual Dama é esta a morte que só espera?

Se é fim, ou torvelinho, ou labirinto,

Se é parte de mim mesmo que eu não sinto,

Soubesse, escaparia à Esfinge-Fera.

  

Se a morte é doce espírito de absinto,

Se a morte é uma mandala noutra esfera,

Quem sabe então morrer seja a quimera,

Passagem para o haver mundo distinto.

 

 Profundalém das pedras, das cavernas,

No abismo dissoluto do vazio,

Meus chackras se transmutam iridescentes...

 

 

A porta da gaiola se abre em fio,

Minha alma se desfia em ceninternas

Que me abrem luz e túnel incandescentes!

 

 

Paulo Urban

18 de outubro, MMXI

15h – dec. heróicos

 

Crédito de imagem:
"O Ciclo" - Arcano XIII do Tarô da Nova Consciência; óleo sobre tela do renomado artista plástico Eduardo Vilela

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