BIBLOS AD HUMUS
Às vezes quando penso que sei muito
e conto esses meus livros nas estantes,
e lembro os outros tantos que escrevi,
pergunto aos grandes sábios do Planeta,
Aos simples que nem têm biblioteca,
de que me vale ter lido Cervantes,
Pessoa e William Shakespeare de Assis...
... e aos pés de Paulapóstolo me junto.
Caído do cavalo em plenestrada,
rasgado em quedabismo sou fiasco
e vejo que estes livros são maçãs,
São frutos proibidos das manhãs,
são passos que buscando alçar Damasco,
fazem meu rastro em pó, pois não sei nada!
Paulo Urban
31 de dezembro, MMXI
13h – dec. her.

Biblioteca de Alexandria, Egito, século III a. C.
Grande Sala reconstituída segundo pesquisas arqueológicas de tudo aquilo que restou, melhor dizendo, do nada que restou após sua destruição em 415 d. C. por conta de uma horda de cristãos fanáticos que a incendiou completamente.

RITO DE NÚPCIAS DOS KRÉTERES
Singrei navestelar, quadrante Teta,
à caça de outras vidas, novos seres...
- Um curso em dobra 8, linda alferes!
- Perfeito, capitão! – Traçada a meta,
Surgiu então na tela a Lua Ceres,
satélite de Ontárius, seu planeta,
que em órbita de Kirgam, estrela neta,
era morada inóspita dos Kréteres.
Criaturas com guelras, corpescamas,
cujas núpcias demoram dez eons...
Um macho fecundava a fêmea em glória;
Depois de engravidá-la, vai-se embora;
e até que eclodam os novos ovos bons,
meu Sol já será morto, sem ter chamas!

Paulo Urban
Comandantestelar do Aquarismo
Galáxaguas de São Pedro, Cosmosferas.
Datestelar: 8.21.20.11
crédito das imagens:
- Avery-Frost Orion; copirigth de J. S. Artists; Hamlyn Publishing Group Limited, London.
- Híbrido Homem-cobra; ilustr. de Jean Torton (nosso Kréter, ou o que de mais perto pude encontrar desse espécime, criaturas jamais fotografadas, quer pela NASA, quer pela Starfleet Federation)

JE COMPRENDS
É mestra a solidão que nos ensina
Cruzar deserto e campo de batalhas
Em busca do perdão pras nossas falhas,
Ainda seja o errar a nossa sina.
Erramos, somos nômades, por malhas
Que ao longo dos caminhos são tecidas;
Continuum-peregrinuum, muitas vidas
Viramos na Samsara em rodas-calhas.
Mas seja a solidão, seja o deserto,
A vida é uma lição, é um livro aberto,
E há flores no caminho, eis seu perfume...
Se errar é estar aberto pras surpresas,
O amor é aquele que não tem ciúme,
E amar é o estar seguro sem certezas.
Paulo Urban, Sonetista do Aquarismo
decassílabos heróicos
(crédito da foto: Casa Caipira, fragrante sensibilidade do poeta mineiro Diovvani Mendonça)

- Folllow your bliss, meus caros sonhadores:
na vida somos todos bons guerreiros,
somos partes de um todo e em ser inteiros,
prismas-vivos do amor em sete cores.
Somos, enfim, poetas seresteiros,
humanas criaturas, somos dores,
centelhas de divina chama em flores,
artífices da História e seus pedreiros.
Somos peixes e humildes pescadores,
somos terra, também fogo de estrelas,
somos mar, vento em popa em caravelas,
Somos almas e heróis a pé na estrada
buscando compreender a mãe-jornada,
somos bliss, following it where it goes!
Paulo Urban
decassílabos heróicos
27 de agosto, MMIX -10h40min
crédito da imagem:
“A Potência”, óleo sobre tela, Arcano VII do Tarô
pintado pelo renomado artista plástico Eduardo Vilela