L' salut por Pablo Santurbano

Era domingo a noite de um fim de semana tenso. Depois de discutir com seu marido, Cássia sente falta de ar. No decorrer da semana o sintoma a preocupa, fazendo-a ir ao hospital a fim de tentar descobrir o porquê. Depois de realizar exames, conversar com médicos, fazer inalações, Cássia não obteve resposta para o seu problema e os médicos lhe disseram que sua falta de ar era psicológica. Eles acertaram. No presente artigo tentarei elucidar o caminho desde o agressor até o sintoma de uma paciente real (apenas seu nome é fictício).


Antes de tudo precisamos entender o que afligia Cássia antes do problema. Na época ela e o marido encontravam-se em uma situação financeira difícil. Desempregada há dois anos, seu marido sustentava a casa, mas, atualmente, passava por uma fase ruim no trabalho. Cássia sentia medo e não via perspectivas.


Este sentimento de apreensão que Cássia sentia ativou inconscientemente em seu organismo um programa de reação do organismo. A discussão que ela e o marido tiveram, mesmo que tola, foi o estopim que ativou este programa primitivo, um modus operandi presente em todos os seres vivos ao se depararem com um conflito arcaico biológico. No caso de Cássia o conflito por qual ela passa é o de falta e de medo da morte. Mas Cássia e o marido não estavam efetivamente passando fome, não existia falta de alimento, apenas falta de dinheiro. Mas para o organismo, um conflito é um conflito mesmo que não esteja acontecendo concretamente, seja criado pela mente, como neste caso – um conflito de falta abstrato.


Esta definição de conflitos biológicos é um dos fundamentos da Nova Medicina Alemã. Os programas ativados durante os conflitos foram desenvolvidos durante a evolução das espécies que nos antecederam. De tanto reagir a conflitos específicos (fome, falta, reprodução, território, etc) os organismos foram se adaptando e se especializando para se mobilizarem e reagirem mais eficazmente e, assim, serem mais sucedidos na sobrevivência. Desta forma, perante conflitos concretos e reais, tais programas foram sendo moldados pela evolução.


Nós, humanos, no entanto, pagamos um preço por dominarmos a capacidade de abstração, pois junto com todos seus benefícios (razão, antecipação, resolução de problemas) a mente humana tem um “bug biológico”; pois ao invés de ativar os programas de resolução de conflitos apenas perante os conflitos concretos (como a real escassez de alimentos) o organismo, por causa da mente, reconhece conflitos abstratos como reais, pois, para ele, não há diferença entre o concreto e o abstrato.


Voltando à Cássia. Na noite da discussão, ela mal dormiu, e assim passou a ser no decorrer da semana. Isto aconteceu porque seu organismo já havia entrado em estado de “proteção”, ou seja, todas as suas energias estavam sendo mobilizadas para a resolução do conflito. Primeiramente veio a insônia, uma tentativa do organismo de mobilizar seus esforços para resolver intelectualmente o problema – quem nunca passou por isto? Alterações do sono, falta de apetite, extremidades frias, estresse e irritabilidade são todos sintomas de que se está passando pela fase ativa de um conflito, na qual o organismo opera em modo de proteção, ou seja, o sistema nervoso autônomo mobiliza todos os órgãos para a ação.


De acordo com os princípios que regem a teoria dos conflitos biológicos, existem também alterações em órgãos específicos de acordo com cada tipo de conflito, a fim de mobilizar o órgão para que se tenha uma melhor chance de sobrevivência perante o conflito específico. Eis alguns exemplos:

(1)    um homem que vivencia um conflito de “perda de território” quando inesperadamente perde seu lar ou local de trabalho, pode ter alterações no trato urinário, pois o organismo mobilizou “sua atenção e energia” a fim de que o macho marque seu território através da urina;

(2)    uma mulher passando por um conflito “mãe-filho”, ou seja, um conflito primitivo de preocupação com o bem-estar da prole, pode ter alterações nas glândulas mamárias, a fim de disponibilizar mais leite e garantir o bem estar de seu descendente.


Cássia, por sua vez, passava por um conflito arcaico de falta, um medo de morrer pela falta. Em termos biológicos, o pânico da morte é equiparado ao ser que é incapaz de respirar. Assim o organismo mobiliza o pulmão, que passa a funcionar de um modo alterado. No caso de Cássia, aumentou-se a inspiração (entrada de ar) a fim de não faltar o oxigênio, contudo este aumento exacerbado fez com que a expiração não acontecesse de forma adequada: sem se esvaziar o pulmão adequadamente não se pode enchê-lo adequadamente. Assim, a sensação de falta de ar.


Em um caso extremo, o medo da morte e da falta poderia provocar um aumento das células pulmonares, a fim de ter mais células para realizar a troca de oxigênio com o ambiente, criando, por exemplo, um tumor.


Cássia, então, chegou ao consultório. Queixando-se de falta de ar. Durante a sessão de Microfisioterapia, encontrou-se o registro de uma agressão no corpo de Cássia, um trauma que havia sido reativado recentemente. Pesquisando os tecidos nos quais o trauma estava registrado, descobriu-se que, há 20 anos, Cássia, então aos 17 anos de idade, pensou que fosse perder o pai devido a um ataque cardíaco. Seu pai não morreu, porém, além de ter medo de perder o ente amado e admirado, Cássia teve muito medo de perder suas condições de subsistência, pois seu pai era o arrimo de família.

 

Com este caso, podemos observar que, além dos mecanismos primitivos e arcaicos de resposta, nosso corpo reage de acordo com a nossa experiência. Para Cássia, a situação financeira ruim atual, fez com que seu corpo “se lembrasse” de como reagiu perante a possível perda do arrimo de família, 20 anos atrás. É por isso que Cássia sofria. Seu organismo estava marcado pelas agressões sofridas no decorrer da vida. É verdade que quando estamos bem de corpo e mente, os problemas parecem tomar dimensões menores e nós conseguimos superá-los mais facilmente. Contudo o inverso também é verdadeiro.

 

Após limpar tais registros corporais das agressões, Cássia, parou de ter falta de ar, voltou a dormir e sentiu-se melhor, pois seu organismo não estava mais em estado de proteção, seu conflito, ao menos fisiologicamente, fora resolucionado.

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4 comments


Melissa
Muito interessante isso!
1 year ago
Chico,tbm tive a mesma sensação.Entrei em contato com "medos",que já haviam adormecido
1 year ago
chico abelha
Pablo, lendo o relato do caso da Cassia, me veio como um raio, a memória de que com 8 anos de idade eu tbm tive o medo de perder meu pai. Ele ia passar por uma cirurgia do coração e me lembro que senti medo que ele morresse e não tivessemos mais que nos sustentasse. Essa memória me acompanha desde esse tempo, eu tenho o quadro vivo na minha mente... Ler a sua história me colocou em contato com um medo que eu não percebia muito claramente. Valeu!
1 year ago
Deus sabe que eu fui uma Cassia da vida,por duas vezes...é ir ao inferno posso dizer de cadeira
1 year ago