<?xml version="1.0"?>
<rss version="2.0"><channel><image><url>http://www.yubliss.com/static/image/logo.png</url><title>YuBliss Home</title><link>http://www.yubliss.com/</link></image><title>Mal Tra&#xE7;adas - por L&#xED;lian Honda</title><link>http://www.yubliss.com/</link><description>Generated by the YuBliss community</description><language>en-us</language><copyright>Copyright 2010 Coffee Bean Technology Inc</copyright><generator>YuBliss.com Feed Generator</generator><managingEditor>feeds@yubliss.com</managingEditor><webMaster>webmaster@yubliss.com</webMaster><lastBuildDate>Fri, 10 Feb 2012 14:25:09 +0000</lastBuildDate><item><title>Tradi&#xE7;&#xE3;o oral n&#xE3;o se transforma em escrita</title><description>&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;ldquo;A tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral n&amp;atilde;o se transforma em escrita&amp;rdquo;, afirma Jos&amp;eacute; Luis Caba&amp;ccedil;o em seu artigo &amp;ldquo;A quest&amp;atilde;o da diferen&amp;ccedil;a na literatura mo&amp;ccedil;ambicana&amp;rdquo;. As literaturas africanas de l&amp;iacute;ngua portuguesa &amp;ndash; e, portanto, tamb&amp;eacute;m a de Mo&amp;ccedil;ambique &amp;ndash; s&amp;atilde;o fen&amp;ocirc;menos urbanos afastados do mundo rural de tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral. A maioria dos escritores foi assimilada, muitos deles s&amp;atilde;o de descend&amp;ecirc;ncia europ&amp;eacute;ia e n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m contato com o campo nem dom&amp;iacute;nio de idiomas aut&amp;oacute;ctones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o liter&amp;aacute;ria inicial em l&amp;iacute;ngua portuguesa mo&amp;ccedil;ambicana deu-se nos anos 20 do s&amp;eacute;culo passado, vinculada ao jornalismo. Jornalistas e intelectuais mo&amp;ccedil;ambicanos mesti&amp;ccedil;os e negros viveram a contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de encontrar na assimila&amp;ccedil;&amp;atilde;o uma tentativa de ascen&amp;ccedil;&amp;atilde;o social, ao mesmo tempo em que a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de assimilado reafirmava a supremacia da cultura do colono e dos quem exerciam o poder na col&amp;ocirc;nia. No entanto, foi a palavra escrita em l&amp;iacute;ngua portuguesa que se revelou a forma de combate contra o colonizador, por meio de den&amp;uacute;ncias publicadas na imprensa, nas quais esses intelelectuais reclamavam um espa&amp;ccedil;o na sociedade urbana. &amp;Agrave; medida em que passaram a ser censurados e, mais uma vez, exclu&amp;iacute;dos da condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cidad&amp;atilde;o, esses intelectuais encontraram na literatura um espa&amp;ccedil;o de luta para a causa da mo&amp;ccedil;ambicanidade, que instituiu-se em oposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao colonialismo portugu&amp;ecirc;s. Como diz Zil&amp;aacute; Bernd: "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Construindo-se como um desafio &amp;agrave; institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o liter&amp;aacute;ria, as literaturas emergentes, &amp;agrave;s vezes ainda pr&amp;oacute;ximas de seu passado colonial (como por exemplo, as jovens na&amp;ccedil;&amp;otilde;es africanas), est&amp;atilde;o destinadas a desempenhar um papel fundamental na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da consci&amp;ecirc;ncia nacional. (...) funcionam como o elemento que vem preencher os vazios da mem&amp;oacute;ria coletiva e fornecer os pontos de ancoramento do sentimento de identidade, essencial ao ato de auto-afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das comunidades amea&amp;ccedil;adas pelo rolo compressor da assimila&amp;ccedil;&amp;atilde;o".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico-citao"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em Mo&amp;ccedil;ambique, a guerra colonial e o crescimento urbano acentuaram o fosso entre cidade e campo, enfraquecendo ainda mais a liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a cultura tradicional de base oral. Para &amp;ldquo;preencher os vazios da mem&amp;oacute;ria coletiva&amp;rdquo; e instituir pontos de ancoragem identit&amp;aacute;rios, foi na heran&amp;ccedil;a cultural africana e na tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral que os escritores buscaram as refer&amp;ecirc;ncias de uma cultura de resist&amp;ecirc;ncia, que permitiram a recria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da l&amp;iacute;ngua portuguesa. Como explica Ana Mafalda Leite, &amp;ldquo;a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es orais e com a oralidade &amp;eacute;, &amp;agrave; partida, uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o em &amp;lsquo;segunda m&amp;atilde;o&amp;rsquo;, resultante, na maioria dos casos, n&amp;atilde;o de uma experi&amp;ecirc;ncia vivida, mas filtrada, apreendida, estudada&amp;rdquo;. Portanto, a oralidade configura-se nesta literatura como uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o intertextual de transposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, reinterpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o lingu&amp;iacute;stica.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral n&amp;atilde;o &amp;eacute;, por&amp;eacute;m, o &amp;uacute;nico componente desse &amp;ldquo;feixe de conex&amp;otilde;es&amp;rdquo; que &amp;eacute; o texto liter&amp;aacute;rio. O desenvolvimento da literatura mo&amp;ccedil;ambicana encaixa-se no conceito de &amp;ldquo;ecologia cultural&amp;rdquo;, de que trata Bejamin Abdala Jr. em &amp;ldquo; A literatura, a diferen&amp;ccedil;a e a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o intelectual&amp;rdquo;: "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tendo em conta que as configura&amp;ccedil;&amp;otilde;es culturais s&amp;atilde;o h&amp;iacute;bridas e apontam para v&amp;aacute;rias temporalidades e espa&amp;ccedil;os, n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel deixar convergir para elas redes discursivas que t&amp;ecirc;m refer&amp;ecirc;ncias locais, regionais e nacionais. Melhor ainda, referenciais comunit&amp;aacute;rios supranacionais (...). A imagem ecol&amp;oacute;gica leva-nos a um sujeito concreto, historicamente situado, e ser&amp;aacute; a partir de seu l&amp;oacute;cus que procurar&amp;aacute; acessar um mundo que se articula em rede".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico-citao"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O &amp;ldquo;feixe de conex&amp;otilde;es&amp;rdquo; e a &amp;ldquo;ecologia cultural&amp;rdquo; explicam a tentativa de fixar em formas tradicionais da poesia europeia, como o soneto, as refer&amp;ecirc;ncias tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral na poesia de Rui de Noronha, tido como o fundador da literatura mo&amp;ccedil;ambicana. O poeta busca na literatura can&amp;ocirc;nica portuguesa, principalmente em Antero de Quental e Ces&amp;aacute;rio Verde, elementos que ir&amp;aacute; ressignificar como recusa da condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o colonial e da id&amp;eacute;ia de progresso que o colonizador traz consigo. Simultaneamente, as refer&amp;ecirc;ncias &amp;agrave; cultura de base oral e aos temas locais marcam claramente o lugar da enuncia&amp;ccedil;&amp;atilde;o po&amp;eacute;tica, inaugurando a quest&amp;atilde;o da identidade nacional nessa literatura.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico-citao"&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tal como no poema &amp;ldquo;Bairro Moderno&amp;rdquo;, de Ces&amp;aacute;rio Verde, Rui de Noronha mostra a contradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o embutida no conceito de progresso e civiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o inerentes ao colonialismo, na figura dos carregadores que envelhecem sem poder deixar um trabalho bra&amp;ccedil;al, exercido em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es que beiram &amp;agrave; escravid&amp;atilde;o. Em &amp;ldquo;Quenguelequ&amp;ecirc;ze&amp;rdquo;, o poeta faz um paralelo entre uma cerim&amp;ocirc;nia comum em Mo&amp;ccedil;ambique (a apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da crian&amp;ccedil;a nascida &amp;agrave; lua, ap&amp;oacute;s um per&amp;iacute;odo de reclus&amp;atilde;o, como forma de reconhecimento paterno) com a literatura, que seria a s&amp;iacute;ntese entre colonizador e colonizado, entre cultura letrada e tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o oral, inconcili&amp;aacute;veis, mas que, ainda assim, d&amp;atilde;o origem a esse paradoxal &amp;ldquo;fruto&amp;rdquo;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O desenvolvimento da literatura mo&amp;ccedil;ambicana deu-se de forma similar &amp;agrave; literatura de transcultura&amp;ccedil;&amp;atilde;o proposta por &amp;Aacute;ngel Rama, que envolve, simultaneamente, perdas, sele&amp;ccedil;&amp;otilde;es, assimila&amp;ccedil;&amp;otilde;es, redescobertas, transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es, num amplo processo criativo de &amp;ldquo;remanejamento cultural&amp;rdquo; de l&amp;iacute;ngua, estrutura liter&amp;aacute;ria e concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mundo. A partir da d&amp;eacute;cada de 50, autores do modernismo brasileiro ligados &amp;agrave; chamada &amp;ldquo;gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 30&amp;rdquo;, especialmente Jorge Amado, e mais Manuel Bandeira, Jo&amp;atilde;o Cabral de Melo Neto e Carlos Drumond de Andrade, provocaram um grande impacto no imagin&amp;aacute;rio dos escritores mo&amp;ccedil;ambicanos, principalmente na reelabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma l&amp;iacute;ngua, &amp;ldquo;um portugu&amp;ecirc;s sem Portugal, de um idioma que&amp;rdquo;, nas palavras de Mia Couto, &amp;ldquo;sendo do Outro, nos ajudasse a encontrar uma identidade pr&amp;oacute;pria&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nos anos 50, No&amp;eacute;mia de Sousa publica o &amp;ldquo;Poema a Jorge Amado&amp;rdquo;, como parte de uma obra tamb&amp;eacute;m que apresenta clara sintonia com o Black Renaissance, a negritude europ&amp;eacute;ia, as vanguardas modernistas, a mo&amp;ccedil;ambicanidade e o movimento anticolonial. No poema &amp;ldquo;Deixa passar o meu povo&amp;rdquo; (t&amp;iacute;tulo que &amp;eacute; refr&amp;atilde;o de um &lt;em&gt;spiritual&lt;/em&gt;), ao lado da tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o africana e dos ancestrais, s&amp;atilde;o citados a r&amp;aacute;dio &amp;ldquo;A Voz da Am&amp;eacute;rica&amp;rdquo;, os cantores norte-americanos Paul Robson e Marian Anderson, o Harlen, bem como h&amp;aacute; alus&amp;atilde;o &amp;agrave; autonomia da linguagem po&amp;eacute;tica, t&amp;atilde;o cara aos modernistas. No&amp;eacute;mia de Sousa inaugura, ainda, o sujeito po&amp;eacute;tico feminino, africano e negro, relacionando a &amp;Aacute;frica &amp;agrave; figura da mulher-m&amp;atilde;e, de que o poema &amp;ldquo;Sangue negro&amp;rdquo; &amp;eacute; exemplo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O acento &amp;eacute;pico &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m encontrado em Jos&amp;eacute; Craveirinha, poeta que oscila entre o tom &amp;eacute;pico, do qual se afasta quando o Estado mo&amp;ccedil;ambicano d&amp;aacute; mostras de n&amp;atilde;o corresponder &amp;agrave; utopia libertadora, e o lirismo. Na poesia de Craveirinha, a repulsa ao colonialismo combina-se com a compreens&amp;atilde;o da complexidade e contradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que esse sistema cria, com as ruas, vielas e gentes da Mafalala, com uma utopia inconformada e com um sentido alargado de nacionalidade. No poema &amp;ldquo;Ao meu belo pai, ex-emigrante&amp;rdquo;, por exemplo, deixa claro, a partir do t&amp;iacute;tulo, como o pai portugu&amp;ecirc;s vai se tornando o &amp;ldquo;n&amp;uacute;mero UM Craveirinha mo&amp;ccedil;ambicano&amp;rdquo;, num olhar que ultrapassa as fronteiras geogr&amp;aacute;ficas. Nesse sentido, o da amplitude de vis&amp;atilde;o de mundo, j&amp;aacute; se l&amp;ecirc; em Craveirinha cita&amp;ccedil;&amp;otilde;es e refer&amp;ecirc;ncias a contextos mundiais e &amp;agrave; hegemonia norte-americana e europeia, como no poema &amp;ldquo;&amp;Aacute;frica&amp;rdquo;, em que aparece a ironia, recorrente no autor, quando diz que &amp;ldquo;aprende&amp;rdquo; com os criadores da cadeira el&amp;eacute;trica, das bombas V2, da Ku&lt;span style="mso-bidi-font-size: 10.0pt; line-height: 150%;"&gt;-Klux Klan, de Hiroshima e Nagasaki&lt;/span&gt;, e que l&amp;ecirc;em &lt;span style="mso-bidi-font-size: 10.0pt; line-height: 150%;"&gt;l&amp;ecirc;em Plat&amp;atilde;o, Marx, Gandhi, Einstein e Jean-Paul Sartre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As quest&amp;otilde;es que t&amp;ecirc;m como refer&amp;ecirc;ncia a hist&amp;oacute;ria do Ocidente e da poesia ocidental, bem como a reflex&amp;atilde;o sobre o fazer po&amp;eacute;tico, s&amp;atilde;o o tema da poesia de Rui Knopfli, que raramente trata da identidade mo&amp;ccedil;ambicana em sua obra, a ponto de ter sido exclu&amp;iacute;do das antologias relacionadas &amp;agrave; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da literatura do pa&amp;iacute;s at&amp;eacute; meados dos anos 90. Recusando o engajamento, o poeta preferiu a autonomia e a liberdade da poesia, o discurso filos&amp;oacute;fico, o cosmopolitismo, a iconoclastia, o &lt;em&gt;underground&lt;/em&gt;, o humor, a multiplicidade da heran&amp;ccedil;a cultural (que, no seu caso, envolve a ascend&amp;ecirc;ncia portuguesa, su&amp;iacute;&amp;ccedil;a e &amp;aacute;rabe). Encontra-se a exemplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o disso no poema &amp;ldquo;C&amp;acirc;ntico negro&amp;rdquo;: &amp;ldquo;Cago na juventude e na contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o / e tamb&amp;eacute;m me cago em Jean-Luc Godard. / (...) Porque eu teimo, / recuso e n&amp;atilde;o alinho. / (...) I am really the Underground&amp;rdquo;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;Reconhecido nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas como um dos melhores poetas de l&amp;iacute;ngua portuguesa, Knopfli apontou um novo caminho, que viria a prevalecer na literatura mo&amp;ccedil;ambicana, o da diversidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;strong&gt;Refer&amp;ecirc;ncias bibliogr&amp;aacute;ficas:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;ABDALA JR., Benjamin. &amp;ldquo;A literatura, a diferen&amp;ccedil;a e a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o intelectual&amp;rdquo;. In: Revista Brasileira de Literatura Comparada. &amp;nbsp;n. 8, Belo Horizonte: ABRALIC, 2006.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;BERND, Zil&amp;aacute;. &amp;ldquo;Identidade - origem, emprego e armadilhas do conceito&amp;rdquo;. In: Literatura e identidade nacional. Porto Alegre: Editora da UFRGS.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;CABA&amp;Ccedil;O, Jos&amp;eacute; Lu&amp;iacute;s. &amp;ldquo;A quest&amp;atilde;o da diferen&amp;ccedil;a na literatura mo&amp;ccedil;ambicana&amp;rdquo;. In: Revista Via Atl&amp;acirc;ntica, n. 7. S&amp;atilde;o Paulo: USP/FFLCH, 2004.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;CHAVES, Rita. &amp;ldquo;Jos&amp;eacute; Craveirinha: a poesia em liberdade&amp;rdquo;. In: &lt;em&gt;Angola e Mo&amp;ccedil;ambique &amp;ndash; Experi&amp;ecirc;ncia colonial e territ&amp;oacute;rios liter&amp;aacute;rios&lt;/em&gt;. S&amp;atilde;o Paulo: Atelier Editorial, 2005.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;LARANJEIRA, Jos&amp;eacute; Lu&amp;iacute;s Pires. &amp;ldquo;Mo&amp;ccedil;ambique &amp;ndash; Parte IV&amp;rdquo;. In: &lt;em&gt;Literaturas africanas de express&amp;atilde;o portuguesa&lt;/em&gt;. Coimbra: Universidade Aberta, 1995.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;LEITE, Ana Mafalda. &amp;ldquo;Empr&amp;eacute;stimos da oralidade na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cr&amp;iacute;tica liter&amp;aacute;rias africanas&amp;rdquo;. In: &lt;em&gt;Oralidades &amp;amp; escritas nas literaturas africanas&lt;/em&gt;. Lisboa: Colibri, 1998.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;MACEDO, T&amp;acirc;nia; MAQU&amp;Ecirc;A, Vera. &lt;em&gt;Literaturas de l&amp;iacute;ngua portuguesa: marcos e marcas &amp;ndash; Mo&amp;ccedil;ambique&lt;/em&gt;. S&amp;atilde;o Paulo: Arte &amp;amp; Ci&amp;ecirc;ncia, 2007.&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="Acadmico" style="text-indent: 0cm;"&gt;REIS, L&amp;iacute;via de Freitas. &amp;ldquo;Transcultura&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transcultura&amp;ccedil;&amp;atilde;o narrativa&amp;rdquo;. In: FIGUEIREDO, Eur&amp;iacute;dice. &lt;em&gt;Conceitos de literatura e cultura&lt;/em&gt;. Rio de Janeiro, Editora UFJF, 2005.&lt;/p&gt;</description><link>/blog/9443</link><pubDate>Mon, 25 Jul 2011 21:46:18 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/9443</guid></item><item><title>L&#xED;ngua</title><description>&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms', geneva; font-size: small;"&gt;&lt;img src="/dynamic/stories/a07747d443ce6af16fb6ef6f351687054e4f523a.jpg" border="0" width="351" height="259" align="left" name="imgSt1268579934245" /&gt;&lt;span style="font-family: 'trebuchet ms', geneva;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;Eacute; feito de palavra tudo o que n&amp;atilde;o &amp;eacute; carne&lt;br /&gt;E tamb&amp;eacute;m a carne &amp;eacute; palavra&lt;br /&gt;Carne, palavra densa moldada ao toque&lt;br /&gt;E o toque &amp;eacute; palavra&lt;br /&gt;A parte que me toca &amp;eacute; a palavra no moedor de carne que d&amp;aacute; a palavra que toca ao outro&lt;br /&gt;E o outro &amp;eacute; ele mesmo palavra&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema foi publicado na revista &lt;strong&gt;Filosofia, Ci&amp;ecirc;ncia &amp;amp; Vida n&amp;uacute;mero 47&lt;/strong&gt;, de junho de 2010, no Encarte do Professor, acompanhando mat&amp;eacute;ria sobre filosofia da linguagem, de &lt;strong&gt;Of&amp;eacute;lia Marcondes&lt;/strong&gt;, reproduzido parcialmente abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Encontrei no blog Mal tra&amp;ccedil;adas um poema de L&amp;iacute;lian Honda que me fez pensar na quest&amp;atilde;o da linguagem:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;(...) Poder&amp;iacute;amos dizer que esta dicotomia carne/palavra &amp;eacute; apenas did&amp;aacute;tica, pois pensamento e linguagem nos parecem uma &amp;uacute;nica coisa quando pensamos que a linguagem organiza o pensamento numa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dial&amp;eacute;tica na qual a linguagem s&amp;oacute; se constitui por que h&amp;aacute; pensamento. A pr&amp;oacute;pria consci&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; linguagem e nomeamos nossa exist&amp;ecirc;ncia para que possamos compartilhar significados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;No poema, &amp;ldquo;o outro &amp;eacute; ele mesmo palavra&amp;rdquo; significa que s&amp;oacute; temos consci&amp;ecirc;ncia de nossa exist&amp;ecirc;ncia nesta rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o outro. N&amp;oacute;s dizemos ao outro quem ele &amp;eacute; e ele nos diz quem somos. Esta mesma discuss&amp;atilde;o cabe quando propomos a reflex&amp;atilde;o sobre o sujeito da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o que somos: nos entendemos como sujeitos porque somos objeto de conhecimento do outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Quando L&amp;iacute;lian Honda fala &amp;ldquo;&amp;Eacute; feito de palavra tudo o que n&amp;atilde;o &amp;eacute; carne/E tamb&amp;eacute;m a carne &amp;eacute; palavra&amp;rdquo; nos parece claro que nessa categoria &amp;ldquo;palavra&amp;rdquo; se encontra tudo que est&amp;aacute; no imaterial: sensa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, percep&amp;ccedil;&amp;otilde;es, mem&amp;oacute;ria, emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es, imagina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, vontade e que est&amp;atilde;o, ao mesmo tempo, encarnadas na exist&amp;ecirc;ncia do pr&amp;oacute;prio homem, portanto na carne que, no verso seguinte, se justifica, pois carne &amp;eacute; palavra, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; na jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o das letrinhas c-a-r-n-e, mas na pr&amp;oacute;pria base do pensamento sobre a exist&amp;ecirc;ncia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Refletindo sobre: &amp;ldquo;palavra densa moldada ao toque&amp;rdquo;, &amp;ldquo;a parte que me toca &amp;eacute; a palavra no moedor de carne&amp;rdquo; e &amp;ldquo;a palavra que toca ao outro&amp;rdquo;, fazemos um esfor&amp;ccedil;o de compreens&amp;atilde;o sobre o trabalho que realizamos ao burilar as palavras na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um texto, assim como burilamos o pensamento na constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de nossa pr&amp;oacute;pria exist&amp;ecirc;ncia. A palavra &amp;eacute; moldada por aquele que a utiliza ao mesmo tempo em que &amp;eacute; moldada por aquele que a interpreta. Esta interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; social porque partilhamos de um universo comum de significados. O outro &amp;eacute; tocado pela palavra na medida em que nos constitu&amp;iacute;mos socialmente, s&amp;oacute; somos sujeitos na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outros sujeitos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;A riqueza do uso do verbo tocar pela poeta nos permite refletir sobre o tocar como um fazer humano: &amp;ldquo;E o toque &amp;eacute; palavra&amp;rdquo;, no sentido de que todas as nossas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es se d&amp;atilde;o no plano simb&amp;oacute;lico. O verbo tocar nos remete a algo f&amp;iacute;sico, mas que &amp;eacute; pensamento, portanto linguagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Todo o poema acaba trazendo uma reflex&amp;atilde;o sobre a pr&amp;oacute;pria arte de escrever um poema que tece, ao mesmo tempo, a exist&amp;ecirc;ncia do poeta. Carne e palavra se tornam express&amp;atilde;o desta exist&amp;ecirc;ncia, deste ser poeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Para Wittgenstein, &amp;ldquo;a quest&amp;atilde;o &amp;ldquo;o que &amp;eacute; realmente uma palavra?&amp;rdquo; &amp;eacute; an&amp;aacute;loga a &amp;ldquo;o que &amp;eacute; uma figura de xadrez?&amp;rdquo;&amp;rdquo; &amp;nbsp;Isto porque a palavra &amp;eacute; elemento dos jogos de linguagem. Estes jogos s&amp;atilde;o objetos de compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o para que possamos clarear as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es existentes entre palavra e significado. Esses jogos de linguagem nos permitem uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o intermedi&amp;aacute;ria de significados, pois n&amp;atilde;o &amp;ldquo;temos uma vis&amp;atilde;o panor&amp;acirc;mica do uso de nossas palavras&amp;rdquo; , nossa vis&amp;atilde;o panor&amp;acirc;mica &amp;eacute; &amp;ldquo;nossa forma de representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o modo pelo qual vemos as coisas&amp;rdquo; . Usamos as palavras como forma de representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sendo que o mais importante na palavra n&amp;atilde;o &amp;eacute; a pr&amp;oacute;pria palavra, mas a significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que &amp;eacute; social. A &amp;ldquo;palavra significa a explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o que dermos de sua significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; , ou seja, &amp;eacute; a explicita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do uso que fazemos de tal palavra neste jogo de linguagem que realizamos no pr&amp;oacute;prio conv&amp;iacute;vio social.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Uma mesma palavra pronunciada ou escrita pode ter v&amp;aacute;rios significados, por exemplo: manga. O que eu disse? Manga. Sem um contexto ou sem uma explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do uso que fa&amp;ccedil;o da palavra manga, meu interlocutor pode n&amp;atilde;o compreender a que me refiro: manga de camisa? Fruta? Esse uso da palavra manga deve ser explicitado no contexto de seu uso ou na explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seu uso. Portanto, n&amp;atilde;o &amp;eacute; a palavra em si mesma o que &amp;eacute; mais importante, mas a significa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e explicitada do uso que dela fazemos. (...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&#xD;
&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</description><link>/blog/6926</link><pubDate>Sun, 14 Mar 2010 15:20:36 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/6926</guid></item><item><title>Internet&#xEA;s &#xE9; portugu&#xEA;s</title><description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;ldquo;&lt;em&gt;Foi legau falah kom vc...... t+...... a genti c ve por aih......&lt;/em&gt;&amp;rdquo;.&amp;nbsp;Entendeu?&amp;nbsp;Vou tentar de novo: &amp;ldquo;&lt;em&gt;foi LegaU fAlaH kum VUxXxE...... T+...... A gENti SI Ve POR AiH......&lt;/em&gt;&amp;rdquo;.&amp;nbsp;Piorou? Nem esquente a cabe&amp;ccedil;a: eu tamb&amp;eacute;m tenho pregui&amp;ccedil;a de ler internet&amp;ecirc;s e t&amp;aacute; cheio de gente que n&amp;atilde;o consegue ler Guimar&amp;atilde;es Rosa e Jos&amp;eacute; de Alencar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o parece uma heresia? Talvez esse di&amp;aacute;logo d&amp;ecirc; umas pistas sobre o que est&amp;aacute; acontecendo com a l&amp;iacute;ngua materna:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisador: Voc&amp;ecirc; usa o internet&amp;ecirc;s na escola?&lt;br /&gt;Aluno: N&amp;atilde;o, s&amp;oacute; na internet. Nos outros lugares, a gente usa o portugu&amp;ecirc;s arcaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O di&amp;aacute;logo &amp;eacute; inventado, mas a express&amp;atilde;o &amp;ldquo;portugu&amp;ecirc;s arcaico&amp;rdquo;, usada por um jovem estudante para se referir &amp;agrave; norma culta, apareceu em um trabalho acad&amp;ecirc;mico sobre o internet&amp;ecirc;s. &amp;Eacute; engra&amp;ccedil;ado e faz a gente se sentir velha, mas tem sentido: a l&amp;iacute;ngua muda o tempo todo e, no espa&amp;ccedil;o de uma gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou no curto tempo de dura&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma g&amp;iacute;ria da moda, nossa forma de falar e escrever j&amp;aacute; est&amp;aacute; ficando &amp;ldquo;antiga&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, todas as vezes em que se deparam com mudan&amp;ccedil;as, os indignados do idioma levantam os dedos e as vozes, anunciando a &amp;ldquo;morte da l&amp;iacute;ngua portuguesa&amp;rdquo;. Ultimamente, o internet&amp;ecirc;s t&amp;ecirc;m sido a causa apontada para a degrada&amp;ccedil;&amp;atilde;o do portugu&amp;ecirc;s. E n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meios de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;on line&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, as pessoas tendem a simular a l&amp;iacute;ngua falada na escrita. Um dos estudos mais interessante que li a respeito mostra que entre a l&amp;iacute;ngua escrita e a falada n&amp;atilde;o h&amp;aacute; uma linha, mas um plano, um &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;continuum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, em que optamos por mais ou menos formalidade e por diferentes estrat&amp;eacute;gias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Trocando em mi&amp;uacute;dos: a gente sabe que h&amp;aacute; um jeito adequado para escrever um editorial de jornal ou um bilhete para a m&amp;atilde;e, proferir um palestra ou deixar um recado na correio de voz do namorado. Podemos dizer que o bilhete para a m&amp;atilde;e, apesar de ser escrito, tem mais &amp;ldquo;parentesco&amp;rdquo; com a mensagem na secret&amp;aacute;ria eletr&amp;ocirc;nica do namorado do que com o editorial do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;continuum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;, a l&amp;iacute;ngua usada na intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela net &amp;eacute; algo como a l&amp;iacute;ngua falada por escrito. E mais: ela varia. O internet&amp;ecirc;s &amp;eacute; uma das formas. H&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m o migux&amp;ecirc;s, o geek chic, o portugu&amp;ecirc;s coloquial e muitas outras. Basta notar que n&amp;atilde;o se escreve do mesmo jeito no chat, no msn, nos blogs, no Orkut, nos sites e no Twitter, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Internet&amp;ecirc;s &amp;eacute; simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Uma das cr&amp;iacute;ticas mais recorrentes &amp;eacute; a de que essas varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es menos &amp;ldquo;cultas&amp;rdquo; seriam a prova da fal&amp;ecirc;ncia educacional e estariam sendo usadas por jovens que ficaram de fora da cultura letrada. N&amp;atilde;o &amp;eacute; o que indicam as pesquisas: o internet&amp;ecirc;s &amp;eacute; usado tamb&amp;eacute;m por alunos das melhores escolas e por universit&amp;aacute;rios de cursos de prest&amp;iacute;gio. Como se pode afirmar que um tipo de escrita, num meio de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dominado pela escrita, seria a prova do fim da cultura letrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto frequentemente levantado &amp;eacute; o da simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da l&amp;iacute;ngua praticada pelo internet&amp;ecirc;s e o migux&amp;ecirc;s. Novamente a&amp;iacute; erram os cr&amp;iacute;ticos. De fato, h&amp;aacute; abrevia&amp;ccedil;&amp;otilde;es e siglas, mas tamb&amp;eacute;m o oposto, formas de grafar as palavras, express&amp;otilde;es e s&amp;iacute;mbolos mais complexos do que a norma padr&amp;atilde;o. Por exemplo, a nasaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou a &amp;ecirc;nfase de certas s&amp;iacute;ladas, como em &amp;ldquo;bejaum&amp;rdquo; e &amp;ldquo;&lt;span style="color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;naum&lt;/span&gt;&amp;rdquo;, repeti&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mai&amp;uacute;sculas para representar altera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de voz, o uso da pontua&amp;ccedil;&amp;atilde;o como &amp;ecirc;nfase, gestual ou entona&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a inclus&amp;atilde;o de emoticons e personagens &amp;ndash; e aqui cabe uma observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o: alguns te&amp;oacute;ricos consideram esses s&amp;iacute;mbolos, dentro do contexto em que s&amp;atilde;o usados, como palavras. O que se nota &amp;eacute; que h&amp;aacute; regras estabelecidas seguidas pelos usu&amp;aacute;rios e n&amp;atilde;o, como se cr&amp;iacute;tica, um &amp;ldquo;vale-tudo&amp;rdquo;. Isso se chama &amp;ldquo;gram&amp;aacute;tica&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode o internet&amp;ecirc;s afetar a l&amp;iacute;ngua portuguesa? &amp;Eacute; muito cedo para saber. O que j&amp;aacute; se levantou em estudos &amp;eacute; que o vocabul&amp;aacute;rio possui apenas cerca de 20% de palavras grafadas de modo diferente da l&amp;iacute;ngua padr&amp;atilde;o, o que pode indicar que n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma varia&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;atilde;o &amp;ldquo;danosa&amp;rdquo; assim. Al&amp;eacute;m disso, vale lembrar que nenhum jovem aprende o idioma atrav&amp;eacute;s da internet, nenhum se alfabetiza pela internet e nenhum interage exclusivamente pela internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desplugado, o jovem certamente n&amp;atilde;o escrever&amp;aacute; do mesmo jeito em uma prova escolar e, se o fizer, saber&amp;aacute; que a nota n&amp;atilde;o ser&amp;aacute; l&amp;aacute; grande coisa. Da mesma forma com que todos sabemos, inclusive os jovens, que se usa terno em cerim&amp;ocirc;nia de casamento e beca na formatura. Mesmo que seja com &lt;em&gt;piercing&lt;/em&gt; e gravata estampada com Ben10.&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema desse tipo de cr&amp;iacute;tica &amp;eacute; tomar como pressuposto que exista uma l&amp;iacute;ngua &amp;ldquo;pura&amp;rdquo;, &amp;ldquo;correta&amp;rdquo; e imut&amp;aacute;vel. N&amp;atilde;o existe. Ou ainda h&amp;aacute; algu&amp;eacute;m por a&amp;iacute; que chama os outros de &amp;ldquo;Vossa Merc&amp;ecirc;&amp;rdquo;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nenhum argumento em defesa do internet&amp;ecirc;s serviu, apelo para um &amp;uacute;ltimo: pesquisas indicam que crian&amp;ccedil;as e adolescentes que usam as ferramentas da internet t&amp;ecirc;m mais confian&amp;ccedil;a em sua habilidade de escrever. E nunca os jovens se interessaram tanto pela escrita quanto agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Nota de 05/02: a "tribo".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; O Andr&amp;eacute;, aqui do YuBliss, e outras pessoas mencionaram a quest&amp;atilde;o do reconhecimento dos membros do grupo atrav&amp;eacute;s do uso do internet&amp;ecirc;s. Tal como a g&amp;iacute;ria ou o jarg&amp;atilde;o, essas formas de escrita da internet s&amp;atilde;o fatores de auto-afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e status dos participantes de uma determinada "tribo". Tamb&amp;eacute;m servem para identificar quem &amp;eacute; "de fora" do grupo&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 15px;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;N&amp;atilde;o mencionei porque o texto estava um tijol&amp;atilde;o de grande, mas fica aqui a observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/6766</link><pubDate>Wed, 03 Mar 2010 19:38:11 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/6766</guid></item><item><title>Portugu&#xEA;s errado &#xE9; o "deles"</title><description>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;T&amp;aacute;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;mea culpa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;. J&amp;aacute; fiz pouco caso de textos que considerei mal escritos. Mas confesse: voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m j&amp;aacute; ouviu, leu ou disse mais de uma vez frases como &amp;ldquo;est&amp;atilde;o assassinando a l&amp;iacute;ngua portuguesa&amp;rdquo;, &amp;ldquo;odeio internet&amp;ecirc;s&amp;rdquo; ou qualquer coisa equivalente a isso.&amp;nbsp;Ainda assim, a despeito do choro e do ranger de dentes generalizados,&amp;nbsp;a l&amp;iacute;ngua n&amp;atilde;o morreu, n&amp;atilde;o morrer&amp;aacute; e continuar&amp;aacute; mudando.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os que defendem ferozmente o uso erudito do idioma sequer desconfiam que nem mesmo no meio acad&amp;ecirc;mico definiu-se ainda que cara tem a norma culta no Brasil. Ou melhor, as normas cultas. Sim, s&amp;atilde;o v&amp;aacute;rias e est&amp;atilde;o sendo mapeadas h&amp;aacute; uns 30 anos pelas universidades em diversas capitais brasileiras, incluindo S&amp;atilde;o Paulo, onde este trabalho teve in&amp;iacute;cio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Esse papo salvacionista da l&amp;iacute;ngua tem uma longa tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil e tem explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; que est&amp;aacute; longe de ser o zelo pela gram&amp;aacute;tica normativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rigor, n&amp;atilde;o temos sequer uma norma padr&amp;atilde;o brasileira, a n&amp;atilde;o ser a que foi institu&amp;iacute;da no s&amp;eacute;culo XIX, tomando como base os escritores do romantismo portugu&amp;ecirc;s. N&amp;atilde;o custa lembrar que os rom&amp;acirc;nticos brasileiros j&amp;aacute; haviam incorporado &amp;agrave; l&amp;iacute;ngua voc&amp;aacute;bulos africanos e ind&amp;iacute;genas, o que equivale dizer que at&amp;eacute; mesmo entre os intelectuais n&amp;atilde;o havia um consenso sobre o que era a l&amp;iacute;ngua portuguesa &amp;ldquo;correta&amp;rdquo; no Brasil. Imagine, ent&amp;atilde;o, o fosso que existia entre o que se falava nas ruas e a regra rec&amp;eacute;m-nascida. De l&amp;aacute; para c&amp;aacute;, a coisa s&amp;oacute; fez piorar, a ponto de os colunistas da boa escrita terem se tornado celebridades da m&amp;iacute;dia por aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;N&amp;atilde;o estou afirmando que a norma culta deva ser solenemente ignorada. &amp;Eacute; ela que estabiliza e padroniza minimamente o idioma. A quest&amp;atilde;o &amp;eacute;: por que esse discurso do &amp;ldquo;est&amp;atilde;o acabando com a l&amp;iacute;ngua portuguesa&amp;rdquo; faz tanto sucesso entre os brasileiros? A resposta &amp;eacute; socioecon&amp;ocirc;mica e n&amp;atilde;o lingu&amp;iacute;stica. A l&amp;iacute;ngua &amp;eacute; usada para identificar quem s&amp;atilde;o &amp;ldquo;eles&amp;rdquo; e quem somos &amp;ldquo;n&amp;oacute;s&amp;rdquo;. &amp;ldquo;Eles&amp;rdquo; n&amp;atilde;o sabem escrever. O portugu&amp;ecirc;s &amp;ldquo;deles&amp;rdquo; &amp;eacute; &amp;ldquo;errado&amp;rdquo;. A nossa norma vale, a &amp;ldquo;deles&amp;rdquo;, n&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: black; mso-bidi-font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;H&amp;aacute; quem v&amp;aacute; mais longe: o pesquisador Roberto Camacho afirma que o preconceito lingu&amp;iacute;stico &amp;eacute; uma das causas da evas&amp;atilde;o escolar. A escola &amp;eacute; o reino da norma culta, mas tem a obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de entender e respeitar as varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es do idioma, ensinando o uso adequado, de acordo com as circunst&amp;acirc;ncias. Ou, como diz o gram&amp;aacute;tico Evanildo Bechara, &amp;ldquo;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;um bom professor &amp;eacute; aquele que faz o aluno ser poliglota em sua pr&amp;oacute;pria l&amp;iacute;ngua&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Gramatiquices &amp;agrave; parte, apontar os &amp;ldquo;escorreg&amp;otilde;es&amp;rdquo; idiom&amp;aacute;ticos alheios &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m uma estrat&amp;eacute;gia de ret&amp;oacute;rica. Quantas vezes, por exemplo, num f&amp;oacute;rum ou numa comunidade do moribundo Orkut n&amp;atilde;o se critica a escrita do oponente antes ou em vez de argumentar?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&#xD;
&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A desqualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do advers&amp;aacute;rio equivale a dedo no olho e chute no saco das pancadarias, mas tem incont&amp;aacute;veis adeptos. At&amp;eacute; voc&amp;ecirc; e eu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description><link>/blog/6585</link><pubDate>Fri, 19 Feb 2010 17:58:57 +0000</pubDate><category>blog</category><guid>/blog/6585</guid></item></channel></rss>

