
http://light4leaves.wordpress.com/2012/01/13/calling-all-bubbles/
Para que o amor perdure, é necessário que a sintonia entre os amantes mantenha-se sem nunca perder a força e, em geral, isso não ocorre pelo fato simples de que, vivos, somos movimento, mudamos constantemente, mesmo sem perceber. Sim, alguns pares mantém essa sintonia e sem que isso implique em estagnação. São os amores de muitos anos que eventualmente vemos por aí, mas o problema está no fato de que algo existir não implica em que garantidamente vá existir na vida de cada um de nós e, menos, para sempre. O premio da loteria existe, alguns ganham, mas nem por isso todo mundo garantidamente ganha uma vez na vida. É mais provável ganhar pequenos premios, do que aquele acumulado, aliás. Tsunamis também existem, mas nem por isso todo mundo fatalmente enfrentará um.
Fábulas e contos catequizam-nos desde cedo dizendo-nos que basta apenas esperar “a pessoa certa”, mas isso simplesmente não é verdade. Como também não é verdade que sem isso a vida não tem sentido, o que é bem mais importante. Querer uma companhia é uma coisa, mas quem depende desesperadamente do amor do outro, ou de fora, para encontrar sentido ou júbilo na vida, é porque não o encontra em lugar algum dentro de si mesmo, para começar.
Acho que importa, antes, vasculhar o que esperamos quando procuramos o Graal do amor. Nove vezes em dez, não é conhecer o outro, revelar-se ao outro, interagir realmente com o outro. Não é, tampouco, a reenergizante experimentação de um romance que queremos, mas o amor idealizado, literalmente fabuloso, que traga consigo todas as respostas emocionais e existenciais e, ainda por cima, para sempre.
Na verdade, quase sempre o que fazemos é depositar no outro a responsabilidade total pela nossa completude e felicidade e esperar que, "amando", o difícil desapareça e tudo seja maravilhoso. Além disso, como se o estado amoroso tivesse poderes mágicos, acreditamos que ele combate o envelhecimento e a morte. Ou melhor: que ele impede isso. Bem, assim como uma droga, essa sensação até dura, sim, um tempo, mas, como não está baseada na realidade e como o ser humano é bem mais do que apenas a expressão de seus desejos egoicos, ali adiante fica impossível manter a ilusão. Essa projeção inconsciente, com o tempo, invariavelmente leva qualquer relação a um desgaste, que varia da mera frustração à sensação de carregar um fardo.
Do ponto de vista da estabilidade, o amor simplesmente não é confiável: ele acontece ou não acontece, pode começar e pode acabar, simples assim. E é imprescindível entender que há uma diferença fundamental entre "relação" e "amor": até podemos batalhar para que a relação não se desfaça, desde que ela contenha laços para além do romance, do tesão ou da paixão, mas é bem pouco o que podemos fazer para impedir que o sentimento amoroso, em si, acabe, porque, ouço do Louco, ele tem vida própria.
Quando nossas motivações estão unicamente centradas nos caprichos do ego, e para a maioria de nós quase sempre estão, amar sem se apegar é um desafio titânico e a comoção abrupta do fim do amor, ou o aprisionamento (esse sim, às vezes, para sempre) ao sofrimento decorrente de um amor terminado é, como acontece com as drogas, o drama do fim da ilusão, pois na verdade revela nosso ser fragmentado e dependente, cujo centro da vida é depositado em algo assim volátil.

http://drawforjoy.com/2010/06/summer-love/summer-love-2/

ATRIBUTOS DO JULGAMENTO, ARCANO XX
Nos últimos anos, foram divulgadas algumas novas concepções, inclusive da Física Quântica, em relação ao entendimento da dinâmica entre padrões de pensamento e a vida concreta que fazemos. Entretanto, infelizmente a maioria das pessoas que pensa entender essa ideia parte da falsa concepção de que vivemos aquilo que pensamos conscientemente e por isso acreditam que, apenas modificando o padrão consciente de pensamentos, criarão uma nova realidade concreta para si mesmos. É o tipo da ideia que contribui para gerar ainda mais descrédito sobre os assuntos considerados de cunho não científico, especialmente por parte de vários grupos científicos, evidentemente. No entanto, como esses mesmos grupos tampouco apresentam qualquer resposta cabal em relação a diversas angústias ou curiosidades existenciais, não estou bem certa do quanto posso me ater unicamente a eles quando questiono a validade do que não se comprova empiricamente.
Louise Hay é uma das terapeutas aparentemente naïf, para dizer o mínimo, da chamada Nova Era, aclamada por seu público e absolutamente desconsiderada por grande parte dos pesquisadores científicos ou acadêmicos, como não podia deixar de ser. Para mim, no entanto, algumas das relações que ela fez, entre certos padrões de pensamento e a saúde, intrigantemente provaram-se bastante acuradas ao longo dos últimos vinte anos e isso, por si só, já vale uma segunda observação. Além de um relato pessoal interessante, naturalmente presumindo-se sua veracidade, ela já atestava, há décadas atrás, sua crença na importância de repetirmos 400 vezes ou mais um novo padrão de pensamento. Deduzo que possivelmente concluiu isso por ter percebido o óbvio de que apenas pensar conscientemente algo "positivo" não mudava nada. Por outro lado, a repetição exaustiva de um novo padrão de pensamento nada mais é do que transformar uma ideia num mantra e mantras, o Oriente bem nos demonstrou, tem, sim, poder sobre aquilo que é destilado internamente, pois agem no inconsciente. Seus efeitos, portanto, dão-se na parte da mente onde estão inculcados e onde se repetem os padrões e crenças que temos a nosso respeito e que, se não nos definem totalmente, ao menos nos induzem subliminarmente nas escolhas que fazemos.
Lá para os idos de 1980, o biólogo Bruce Lipton, pesquisou e testou uma ideia nova, aproximando diversas fontes de conhecimento e explicando mais claramente essa interação entre padrões mentais de autopercepção e como isso determina nosso corpo celular (e consequentemente nossa saúde, dentre outras coisas), o que resultou no Livro “A Biologia da Percepção”. É importante esclarecer, antes que comecem a chover tomates, que trata-se de um cientista que era, originalmente, tão ortodoxo em sua forma de pensar quanto todo o resto de sua classe e não um hippie "pirado" que, por acaso, era também biólogo.
Essas formas de compreender que células e pensamentos são parte do mesmo todo e interagem internamente, são, na verdade, conhecimento antigo resgatado e apenas compreendido e expressado de outra forma. Os alquimistas afirmavam que "Assim em cima, como embaixo" e os ensinamentos budistas, crísticos, indianos, cabalísticos, a medicina chinesa, a ayurvédica etc, todos passam conceitos similares. Sociedades orientadas pelas distorções deliberadas dos chamados “Livros Sagrados”, em geral monoteístas, fizeram e fazem questão de suprimir, por razões óbvias, o conhecimento iluminador ou mais profundo, capaz de formar indivíduos integrados (digo, consigo mesmos) e com mais autonomia.
Existem dúzias de médicos, químicos, físicos, psiquiatras, biólogos e teólogos trazendo continuamente novas descobertas sobre a dinâmica da integração mente/corpo e dos efeitos disso no cotidiano, algumas delas extremamente reveladoras e mesmo imediatamente úteis. No entanto, da maneira como entendo a questão, contrariando a necessidade atávica que temos de encontrar alívio numa 'Verdade Inquestionável" e na equidade presumível de dita verdade, ninguém apontou nada absoluto ou conclusivo porque, creio eu, simplesmente não há nada, ao menos até o momento ou nesta dimensão, que seja absoluto ou que possa ser considerado conclusivo à humanidade en bloc. E enquanto as partes que formam o todo são individualmente fracionadas e esses fragmentos pessoais são dispersos ao longo de cotidianos exclusivamente superficiais, não se pode pretender um todo harmonioso. Creio que o grupo harmonioso depende, antes, do indivíduo harmonioso.

http://janemcmaster.wordpress.com/2011/11/16/international-day-of-tolerance/
A coexistência totalmente pacífica entre os homens é, provavelmente, uma utopia.
Como diria Miss Marple, a natureza humana sendo como é, a interação entre as diferenças será sempre um ideal dificilmente possível. Porém, entre o absurdamente agressivo mundo em que vivemos hoje e uma paradisíaca Atlândida fabulosa, talvez fosse mais sensato abrir mão de carregar mais areia do que pode nosso pequeno Volvo e nos empenharmos em começar pelo micro, antes de querer abraçar o macro.
Enquanto tagarelamos sobre os maravilhosos mundos que queremos ou poderíamos criar se isto ou se aquilo, na verdade estamos apenas teorizando e só dizendo coisas.
Por mais bonitas que sejam, palavras apenas não mudam nada.
Com tanto blabláblá sobre lindos mundos (e sobre alguns não tão lindos, na minha opinião), o fato é que os ajustes realmente possíveis e verdadeiramente transformadores são descartados como café pequeno, pois parecem sumir diante da retumbância dos mega projetos, esotéricos ou científicos, para uma Terra perfeita.
Noves fora, a verdade é que não se faz coisa alguma. Não onde realmente importa, isto é, dentro de nós. No fundo, todos querem um novo messias, uma solução externa, um papai que nos redima ou salve, um manual prêt-à-porter para seguir como ovelha, sem refletir, sem questionar e sem ter que concluir com autonomia.
Um planeta melhor e uma humanidade decente acontecem unicamente, exclusivamente, pela transformação do coração e da mente em cada indivíduo, em você e em mim, no seu vizinho e no seu filho, no soldado e no cobrador de ônibus, no carteiro e no banqueiro, na professora e na prostituta, na dona de casa e na balconista, na executiva e no faxineiro.
Seres melhores é que fazem um mundo melhor e seres melhores só o são se o forem no coração e na alma.
Um coração genuinamente compassivo, uma mente verdadeiramente tolerante, uma disposição honesta à interação fraterna: esses são os alicerces de um ser efetivamente mais elevado. O resto será consequência.
Do latim exvigilare, fazer vigília, veio vigilare, velare, que, em francês virou éveiller e finalmente réveiller, acordar, reanimar. Réveillon, então, é despertar e, em português, despertar é tirar do sono, sair da inércia, readquirir ânimo ou força.
Mentalizo por esse novo ânimo, por essa nova força, por esse olhar desperto e pelo entendimento de quem somos e do que podemos ser. Rezo pela tolerância, pela aceitação das diferenças, pela sofisticação na forma de olhar para dentro e para fora, pelo amor fraterno.
Que o Réveillon de hoje verdadeiramente nos desperte e nos reanime e que 2012 seja o ano no qual, maravilhosa e milagrosamente, cada um de nós, finalmente, avance com passos reais em direção ao seu ser mais luminar.

http://www.goldmadesimplenews.com

http://www.moneyintention.com/a-guide-to-gift-giving-in-the-office.htm
Muita sombra na Terra neste ano de 2011... Havia mais no século XV, ou no XX? Talvez. E haverá ainda mais, ali adiante? Sim.
Há muito horror no mundo, mais do que podemos suportar saber, aliás, mas ainda acho que estar vivo é um presente.
Nem todo presente nos serve, ou é exato, assim como nem todos eles podemos trocar por algo que preferimos. Porém, um presente é, na verdade, a intenção de quem o dá.
O objeto é, antes, a mensagem nele contida: "Eu reconheço voce, eu aprecio voce e eu lembro de te dizer isso". Bem, hoje em dia, na verdade talvez seja mais "Olha! Eu lembro de algumas coisas mais para além do meu próprio umbigo e voce é uma delas", mas já é algo, ao menos para quem o recebe.
Este Natal me mostrou muita gente desanimada, solitária, traumatizada, carente, desesperançada e triste (e eu nem conheço alguém no Iraque, na Palestina ou no Timor-Leste).
A vida não está bolinho e esses sentimentos todos tem razão de ser, mas não há psique (e corpo!) que aguente o loop intermitente do stress de uma vida insatisfatória.
Alguma pausa torna-se imperativa, algum recreio é fundamental - se estivermos interessados em assistir a mais alguns anos de vida, claro.
Então eu faço uma proposta singela, quase lúdica: só por hoje, tente desgostar menos.
Os adictos aprendem a máxima "Só por hoje", para frear o impulso do vício e penso que estamos, em parte, viciados na observação da sombra.
Só por hoje, faça menos foco no que não pode (ter, ser, fazer) e procure observar o que é que pode.
Só por hoje, faça menos queixas pelo que não tem e tente voltar a apreciar o que tem.
Só por hoje, chore menos pelo que não aconteceu ou pelo que não voltará, e dê graças pelo que aconteceu de bom.
Só por hoje, faça um trato com os demos internos e externos e abra um break, um oásis de paz, pelo menos até depois de amanhã.
Só por hoje, lembre de sorrir para quem fala com voce e de renovar os afetos que voce considera óbvios e que, por isso mesmo, muitas vezes esquece de polir.
Freie os pensamentos ranhetas, soturnos ou desgastantes. Mexa-se mais devagar, faça uma coisa por vez e não se preocupe pelo que não der pra fazer. Relaxe, coma com gosto e sem culpas, vista-se confortavelmente, ria do que for engraçado, seja engraçado, ignore o que te faz mal e ouça o que te dizem, sem criticar e sem querer comandar o que o outro tem que fazer.
Só por hoje, pelo amor de Deus, sossegue.