Blog da Luciaurea
Friday, 13 April 2012
posted by Luciaurea

MÚSICA EM FOCO
Arachne’s Song
by Dyonisis

Teia em Solutio

Abordando agora os mecanismos de defesa da Sombra (segundo Jung), esta música os evoca através do simbolismo da Aranha como metáfora do Feminino Terrível: nos aspectos da sedução sombria, da defesa pelo medo instintivo e do canibalismo arquetípico no uso do veneno, como forma de proteção e manutenção do ego. Para compreender estes mecanismos de defesa sombrios femininos (pois estudaremos na letra da música que a personagem atua como a fêmea que devora os machos que mais ama), precisamos compreender o simbolismo da Aranha.

Veremos, com uma certa surpresa, que a Sombra, que reza no Inconsciente, não é de todo “má” como muitos pensam e temem, e que 90% de seu conteúdo é ouro, pois nos protege e usa a nossa agressividade natural para manter nossa integridade. Descobriremos também, que muitas vezes, precisamos assumir, que necessitamos acessar e integrar esses conteúdos deixados à margem de nossa consciência, para não nos perdermos nas teias de outrem…

Vamos então, garimpar os aspectos sombrios do simbolismo da Aranha em Arachne’s Song, da banda Dyonisis.

A ARANHA COMO ANIMAL DE PODER

A aranha como animal de poder é um arquétipo fortíssimo no inconsciente coletivo feminino, e emerge sempre em sua defesa, tanto nos equívocos quanto nos acertos nas relações com o Masculino.

“Em razão de sua rede de raios tecida habilmente e de seu posicionamento central, é considerada na Índia símbolo da Ordem Cósmica, assim como a tecelã (Maya) do mundo sensível. É a Criadora Cósmica e a Senhora do Destino; podendo ser ainda um símbolo do narcisismo, pois contém em seu símbolo a obsessão por seu centro.”
(Mircea Elíade, em Símbolos de Elíade)

Uma outra particularidade no simbolismo da aranha no centro de sua teia, é que, assim como a imagem do Sol está para seus raios como substâncias voláteis se estendendo como se fossem seus braços, a teia da aranha está para a formação de sua própria substância, sendo ela o próprio tecido do mundo, que se estende em todas as direções a partir de seu centro. Aranha representa, deste modo, muito trabalho, intenção sábia e criatividade, pois ela tece sua teia, ela sabe o que deve ficar perto e o que deve ficar longe, ela é agressiva na defesa de seu território e por isso mesmo sua estrutura baseada no centro se constitui um narcisismo positivo, para manter a vida, mesmo que seja pela morte de outros.

Numa das versões da mitologia grega, seu drama está relacionado à Aracne, uma jovem mortal bordadeira extremamente habilidosa, que, ao se comparar à deusa Atena por suas habilidades, foi condenada pela própria deusa, até seus descendentes, a tecer teias ao invés de tecidos. Vejamos que, originalmente Aracne podia bordar tecidos, e neste sentido, ela tem sua correspondente na Índia, sua existência revela os véus tecidos por Maya, Senhora da Ilusão, do mundo da matéria transitória.

A Aranha como Senhora do Destino também tem relação com as Nornes escandinavas, as Moiras gregas e as deusas nórdicas tecelãs Holda e Frigga. Na função das respectivas deusas, a Aranha estabelece leis – organização formativa e caminhos em sua teia – para modelar os destinos individuais das criaturas, que no mito nórdico, está relacionado a um princípio muito maior, o Örlog, que abrange as camadas primais que determinam o Agora Eterno, como também a trajetória de todos os mundos do Universo e seres neles existentes. Neste sentido, a Aranha está relacionada à passagem do tempo: passado, presente e futuro, tendo como início o seu Centro.

Seu veneno constitui um aspecto da cura da Sombra, “o que mata cura”, lhe sendo atribuídos amplos poderes medicinais. E, de fato, quanto mais entramos em contato com nossos próprios venenos, mais imunes ficamos aos venenos alheios, menos ingênuos somos.

O ANIMUS NO FEMININO FERIDO

Um feminino ferido produz muitos argumentos e artimanhas, porque ele contém muitos elementos aprendidos desde a infância, e emaranhados entre si, que estão inconscientes nos complexos e desejam ser elucidados, e isso gera muita angústia dentro da mulher, necessitando de um princípio organizador amadurecido que vem do masculino introjetado nela, seu Animus.

A Aranha contém em si esse princípio organizador, porém algumas espécies, além de predadoras em potencial, se consistem num verdadeiro perigo ao ser humano,  e quando este aspecto do arquétipo é evocado para defender a mulher de um masculino que ela fantasia, considera ou constela como também um predador, no equívoco destes aspectos predatórios entre dois adultos, constela-se uma quaternidade básica: que é, nas palavras de Erich Neumann “a consciência masculina e o inconsciente feminino do homem, e a consciência feminina e o inconsciente masculino da mulher, se ligam e se fertilizam mutuamente.” Isso significa que, enquanto a orientação consciente da mulher em relação ao mundo e ao homem, estiver identificada com o mundo dos valores negativos masculinos do patriarcado, ela constelará para si, a necessidade de se comportar como uma “viúva negra”, porque acreditará que os homens são perigos em potencial.

O aspecto do Animus da mulher é estruturado nas convicções, nas atitudes, nas interpretações e opiniões inconscientes da absorção dos valores patriarcais do nosso ambiente cultural. Neumann considera:

“Conseqüentemente, em seu desenvolvimento ela se depara com a difícil tarefa de jogar fora seus preconceitos advindos dos valores da cultura patriarcal, e de superar suficiente­mente os animi patriarcais para tornar-se acessível ao aspecto espiritual especí­fico da natureza da mulher. Isto significa não apenas que a consciência cultural­mente condicionada da mãe — que molda o ego e a consciência do filho com seus julgamentos, valores e convicções — é por sua vez modelada pelo cânon cul­tural no qual a mãe vive, mas também que a camada superior do seu inconscien­te, com suas avaliações e julgamentos inconscientes, é determinada pelo cânon cultural, que em nosso caso é patriarcal. Essas atitudes irrompem na experiên­cia pessoal de uma mulher através das figuras introjetadas e das concepções do mundo masculino a seu respeito. Sem que se dê conta, o pai, o irmão, o tio, o professor e o marido mol­dam-lhe a maneira de reagir. Sob a forma de julgamentos e preconceitos da mãe, todos esses elementos masculinos desempenham um importante papel nos cui­dados e na criação do bebê, preparando-o para a adaptação à cultura predomi­nante.”

Estes estudos nos levam a ver a Aranha, tanto como princípio construtor como princípio destruidor, simbolizando uma dualidade do aspecto Persona/Sombra, e a integração de ambos para o sacrifício – o sagrado ofício – humano, de se individuar na vida enquanto morte, e na morte enquanto vida, isto é, nos ciclos da energia psíquica da libido: na extroversão e no seu recolhimento, como movimentos contínuos dos pulmões do Universo, inspiração e expiração, contenção e expansão.

A Aranha luta contra o uroboros patriarcal, termo utilizado por Neumann e aqui adaptado ao simbolismo da música, que retrata uma mulher extremamente defensiva em seu complexo de poder e ao mesmo tempo no papel da vítima com medo de sofrer, que revela um feminino que teme ser “engolido” (princípio do canibalismo como metáfora) pelo masculino. Esse uroboros patriarcal é um princípio masculino ctônico inferior ligado ao arquétipo da Grande Mãe,indiferenciado da mesma, e por isso mesmo, sem condições de dar suporte a um feminino já diferenciado em sua jornada – em outras palavras, homens infantis temem mulheres de verdade e tendem a projetar nelas a Viúva Negra. Trata-se de um Masculino que ainda não empreendeu a Jornada do Herói, e por isso mesmo, pela infantilidade e dependência materna, constela heroínas perigosas e mortais.

Os elementos engolidos pela Aranha, neste caso, perderão sua forma, para serem gestados novamente pela mesma Aranha como símbolo. Isto é um tipo de automorfismo. Às vezes precisamos ser enrolados, ter nossa essência sugada, para aprendermos a valorizar os 90% de ouro que carregamos dentro de nós. Às vezes a mulher ingênua, precisa aprender a ter mais malícia com seu lado “viúva negra”, integrando-o, considerando-o, para equilibrar suas relações com seu Animus projetado no outro, pois a Sombra pode se revelar uma ótima professora e quando integrada à consciência, a defende sem necessariamente atacar o outro na relação projetiva. E por outro lado, a mulher que é a própria viúva negra, precisa entrar em contato com os aspectos sagrados da Aranha como símbolo, para digerir suas reações ao masculino, aprendendo a sentir e a pensar, criando vínculos que não sufoquem, nem matem a identidade do outro numa relação.

 

I might be strong but I am all threads
Eu poderia ser forte, mas sou todos os fios
And I hold myself together with a web
E eu seguro a mim mesma em uma teia
And you pick the strands apart
E você escolhe os linhos separados
Everyone unravels just a bit in the dark
Todo mundo desvenda apenas um pouquinho na escuridão

A gossamer ruse…
Uma artimanha diáfana (de teia de aranha)

Recoil from the colours you unmask
Recue das cores que você desmascara
Fool to meddle with the scaffold of the heart
Tolo o bastante para intervir com a armadilha do coração
I play dead when I feel under threat
Eu jogo com a Morte quando me sinto sob ameaça
When awake, I’m my own marionette
Quando lúcida sou minha própria marionete

I may be fragile, fighting through
Eu posso ser frágil, lutando adentro
But they say silk is bulletproof
Mas eles dizem que a seda é à prova de balas
I may be frightened facing you
Eu posso sentir medo ao enfrentar você
Still I spin out sideways from the truth
Mesmo assim eu ainda giro pelos lados da verdade

A gossamer ruse…
Uma artimanha diáfana (de teia de aranha)

I swing between the flower and the thorn
Eu balanço entre a flor e o espinho
Hang resplendent with the diamonds of the morn
Penduro-me resplandecente com os diamantes da manhã
Then I wait to trap you in delight
Então eu espero para te prender no encantamento deleitoso
Sudden does dawn’s wander sicken down into night
Repentinamente vagueando doente noite abaixo

A gossamer ruse…
Uma artimanha diáfana (de teia de aranha)

And sudden do my colours re-appear
E de repente faço minhas cores reaparecerem
And you cry out as I’m crawling ever near
E você chorar, assim como eu estou rastejando sempre por perto
Time’s too late to allow old regrets
Tarde demais para permitir velhos arrependimentos
I devoured those that I loved the best
Devorei os que eu mais amava

I may be fragile, fighting through
Eu posso ser frágil, lutando adentro
But they say silk is bulletproof
Mas eles dizem que a seda é à prova de balas
I may be frightened facing you
Eu posso sentir medo ao enfrentar você
Still I spin out sideways from the truth
Mesmo assim eu ainda giro pelos lados da verdade

A gossamer ruse…
Uma artimanha diáfana (de teia de aranha)

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INSPIRAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

Dicionário Crítico de Análise Junguiana

A Criança, Erich Neumann, Editora Cultrix

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Como o próprio nome sugere, invisibilidade social é uma patologia social, de responsabilidade e de identidade, uma violência psicológica que se manifesta através da indiferença humana ao sofrimento, “o que não quero enxergar no outro não existe em mim”, e se expressa de diversas formas: econômica, sexual, racial, etária, estética, histórica, religiosa e cultural. Ela pode acarretar no desenvolvimento de outras doenças psíquicas como a depressão e comportamentos sádicos na expressão do bullying.

 

Invisibilidade Social

Invisibilidade Social

A invisibilidade social tem como principal fator de origem as crenças na menos valia, e de que o outro é uma ferramenta para ser usada, onde não é visto como um ser emocional, pensante e ativo, que exerce seu poder como fator decisivo em realidades menores e maiores no contexto pessoal, familiar, social, mundial, universal, ecológico e quântico.

A invisibilidade social atende um propósito: mascarar as feridas de quem acha que não tem nada a ver com a história, “eu olho mas não te vejo”.

Existe uma crença muito forte que vincula a questão da invisibilidade social à mais valia no sentido do canibalismo capital, e eu gostaria de elucidar este ponto, me diferenciando da visão marxista, porém apresentando uma visão do ponto de vista psíquico, pois acredito ser de grande importância a mais valia dentro deste contexto, e por isso nos aspectos pessoal e social.

Invisibilidade social e mais valia

A invisibilidade social não está, como muitos podem pensar, diretamente ligada à mais valiacomo símbolo do capitalismo. O canibalismo capital está mais vinculado aos complexos desuperioridade e poder do que com a mais valia.

Mais valia foi um conceito bem explorado por Marx. É geralmente atribuída ao o ato de aumentar o lucro em cima da produção de outrem, para fins capitais (quando há uma diferença abrupta entre o trabalho produzido e o salário pago). Na extensão desse conceito, amplificando o mesmo para outras áreas da vida, temos também os abusos familiares (quando os pais desejam viver as vidas dos filhos como dividendos do “investimento” em família) e nos relacionamentos afetivos (quando o conforto de um lado existe em detrimento do outro).

Embora estes abusos existam na vida real, interpretar a mais valia como tal é um equívoco, pois na psique ela está diretamente vinculada à auto-estima e aos níveis de permissão, porque são camadas mais próximas dos complexos, visto que atuam na maioria das vezes, de maneira inconsciente, e por isso, estes elementos são muito familiares à maneira como o dinheiro é visto e utilizado. Existe um equívoco nestes parâmetros que precisa ser esclarecido.

Mais valia ou menos valia se aprendem na infância e cada um constrói sua visibilidade ou invisibilidade como mecanismo de defesa, de acordo com o os modelos que teve e em cima do que passou a acreditar. E neste sentido, a mais valia é um fator muito importante, mas é apenas um dos pontos que influenciam tanto na visibilidade social quanto na educação econômica de uma pessoa, e não o ponto principal: ela é um elemento revolucionário na psique, mas veremos que o ponto principal se origina no complexo (complexo conforme Jung).

A mais valia e os complexos

É impossível deletar a mais valia ou menos valia da alma humana, porque elas são elementos que se relacionam com os complexos, como o de inferioridade, o de superioridade e o de poder, e eles se tornam uma equação que precisa ser resolvida para vivermos em equilíbrio. Logo, são estes os fatores mais importantes que vão atuar na forma como lidamos com nossos níveis de permissão para viver tanto o amor, como os relacionamentos, a abundância, o trabalho e o dinheiro, e vão influenciar nossa base afetiva, espiritual e econômica também. Não são estes os únicos complexos ativos na psique humana, existem outros mais primários como o complexo materno e o complexo paterno, que também influenciam na maneira como lidamos com estas questões, pois eles oferecem o suporte para nossas crenças sobre o que é o amor, a vida, o sexo, o sagrado, o trabalho, o dinheiro, o corpo, o lúdico, a morte, como veremos adiante.

A mais valia está ligada então aos nossos níveis de permissão. Podemos representar isso através de alguns exemplos. Distribua a mesma quantia de dinheiro entre uma pessoa que vive na mais valia e outra que viva na menos valia, e terá como resultado a que vive na mais valia, aumentando o seu rendimento e a que vive na menos valia se endividando. A pessoa na mais valia se permite criar soluções e desenvolver recursos para se diferenciar da dependência do dinheiro, e por isso mesmo não sente a falta dele. A pessoa na menos valia não tem permissão para desfrutar o dinheiro. Você pode perceber que são paradigmas completamente opostos. Dentro desta visão, você também pode observar que os empresários bem sucedidos que vivem na mais valia não abusam de seus colaboradores.

É possível aplicar o mesmo princípio ao amor. Distribua dois grupos de crianças e atente para que ambos recebam a maternagem. No primeiro grupo você tem amparadores comprometidos com a responsabilidade amorosa e no segundo, você tem amparadores que são comprometidos com a responsabilidade social. Depois de algum tempo, você terá como resultado, o primeiro grupo de crianças com forte auto-estima e boa noção de identidade, e no segundo grupo, crianças ainda dependentes de seus amparadores  e preocupadas se estão agradando o suficiente. A responsabilidade social é um paradigma que inclui o amor como uma meta a ser alcançada, enquanto que a responsabilidade amorosa é um paradigma que inclui o amor como condição básica para o desenvolvimento, e por essa razão, é mais funcional como recurso social.

O dinheiro como símbolo

O dinheiro é um símbolo em nossa psique. Como fator psíquico representa um reconhecimento de valor.

O sucesso financeiro de uma pessoa é apenas uma das consequências materializadas de seuparadigma pessoal, em aceitar que tem valor como pessoa – isto é, que é alguém, tem valor de identidade - e não a única consequência, pois crer que o sucesso ou o dinheiro são a única consequência de valor de identidade poderia levar o indivíduo a crer, subliminarmente ou não, que vale o dinheiro que tem, o que seria também um equívoco. Reconhecer o próprio valor traz, não apenas o sucesso material, mas também a abundância afetiva e espiritual que acompanha a pessoa em seu processo de individuação (conforme Jung).

O dinheiro é uma das consequências da consciência humana, quando esta sabe que existe uma unidade de valor na psique, assim como a saúde e o amor, e infelizmente há uma crença muito difundida de que o dinheiro é o valor de alguém em si, e não a consequência desse sentimento de valor. Essa crença gera muito preconceito contra os que estão na menos valia e vivenciam o lado oposto da moeda, e que constitui a grande parcela da população mundial. Esse fato nos leva a perceber que os invisíveis rezam apenas na invisibilidade imaginária, pois todos reconhecem sua existência física. Da próxima vez que você se sentir incomodado com a diferença alheia, e perceber que está reagindo por preconceito, avalie se você não carrega em si mesmo a crença de que você vale pelo que você ganha, ou de que você vale pela aparência que tem, ou pela sua sanidade, pelo seu nível de sensatez, pela sua inteligência, ou porque é heterossexual, ou seja lá a razão oculta que você está escondendo de si mesmo.

A invisibilidade no grupo familiar

Invisibilidade na família. Isso significa que se uma pessoa vem de uma família, ou nasceu em um grupo social que despreza a mais valia porque sente raiva de ser invisível, cujas crenças apontam para a menos valia, ela pode começar a acreditar que é invisível para ser aceita pelo grupo, porque tudo o que uma criança busca é amor, e infelizmente, famílias que cultivam a invisibilidade como símbolo, reprimem ou rejeitam membros que podem se destacar e caminhar para a visibilidade, mais valia e beneficiar todo o grupo. Temos aí a manifestação dos complexos paterno e materno, que se mostram como diretrizes na infância humana, conjugados com o complexo de inferioridade, que atuam para proteger as ações narcísicas de um grupo e mantê-lo coeso. Criam-se então políticas antagônicas que tumultuam a vida social (pois cada grupo crê que sua parte é a que fala a verdade) e instituições que protegem a invisibilidade, no equívoco da defensibilidade.

Muitas pessoas que hoje são destaque e conquistaram respeito, no início foram desacreditadas pelos próprios grupos em que nasceram ou chegaram um dia a pertencer. Por isso costumamos dizer que ter sucesso, é em parte, ser solitário. E exatamente pelo mesmo motivo, pessoas de sucesso buscam suas semelhantes, assim como os que estão na menos valia, pois viver em grupo é uma necessidade humana.

Mas é possível utilizar as mesmas instituições que protegem a invisibilidade para criar aconsciência da visibilidade - enquanto a consciência de existir, de ser alguém – quando sentimosa angústia, e deixamos de ser ninguém.

Invisibilidade social como patologia de grupo

Pensando em termos de relações não ecológicas, é um fato que socialmente existe uma necessidade de diminuir o outro, tornando-o invisível para sentir-se melhor (complexos de superioridade e poder) ou se proteger (“o que não vejo no outro não existe em mim”). Sabemos que se trata de medo ou sadismo usando máscaras de indiferença. Sabemos também que utilizamos o outro como espelho de nossas próprias projeções, e que geralmente gostamos de escolher o conteúdo que o espelho apresenta, então criamos mecanismos de defesa para não ver o que o espelho está mostrando, e caímos na negação, que por sua vez cria a máscara da invisibilidade. É desta maneira que temos uma segunda verdade: aquilo que não reconhecemos no outro não conseguimos reconhecer em nós mesmos, por isso, evitamos esse tipo de vínculo. A angústia tem má fama na sociedade. Ninguém deseja a dor. Porém é a angústia, condição sine qua non para o desenvolvimento humano e evolução em grupo.

No caso da invisibilidade, trata-se de uma verdade criada por uma camada de fantasia (lembre-se, os invisíveis rezam apenas na invisibilidade imaginária, pois todos reconhecem sua existência física), não chega a ser uma pseudo-verdade – embora ela possa ser, e embora estejamos a lidar com desilusões e desilusões sempre descubram as mentiras – mas neste caso, temos uma segunda verdade, moradora de uma camada mais profunda na psique, a verdade da sombra.

É a angústia que nos faz olhar para o espelho e enxergar os disparates e as gerações de excluídos através da sombra. A angústia nos faz ver a dicotomia entre sociedade versusmarginalizados: sendo um a persona e o outro a sombra, um do outro e vice-versa, porque existe igualmente uma tensão e resistência por parte dos invisíveis em se manterem na defensibilidade do invisível, e dos visíveis em manter a máscara da visibilidade.

Veja, então a angústia também pode ser produtiva – e criativa. E com ela aprendemos que tanto a crueldade, quanto a teimosia em não querer mudar ou a indiferença - são sintomas. Sintomas de uma patologia de origem complexual que está se tornando institucionalizada, e é uma grande contribuinte para acentuar as desordens de comportamento e/ou a criação de grupos que se sentem marginalizados.

Podemos encontrar alguns exemplos da invisibilidade social, afetada por esta negação e indiferença, no MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra), em campanhas nacionais de defesa dos direitos da criança, do adolescente e dos pacientes psiquiátricos, e no crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Eles são os sintomas de nossa inferioridade pessoal e social, daquilo que deixamos à margem dentro de nós, das emoções e pensamentos que não tratamos com respeito e dos conceitos que rejeitamos para parecermos bons e justos. Podemos nos diferenciar destes aspectos quando passamos a incluir o outro lado do espelho integrando os conteúdos sombrios possíveis da psique.

Terapia da inclusão

A sociedade está doente e não haveria a necessidade de tantas campanhas ou reuniões de invisíveis para se tornarem visíveis, se os indivíduos fossem psiquicamente  saudáveis. Uma sociedade saudável, constituída por indivíduos saudáveis, não cria grupos marginalizados identificados com a menos valia.

 

Uma sociedade saudável cultiva uma relação ecológica entre seus membros e faz da mais valia sua inspiração, cuidando bem de seus espelhos.
 

 

E o fato de nos incomodarmos, de nos darmos o direito de incluir, de cuidarmos daquilo em que acreditamos, de percebermos que aquilo em que acreditamos planta a nossa realidade, diz muito a respeito de que lado escolhemos viver, e nos ensina muito que a inclusão não está de lado nenhum, mas dentro de nós. O fato da mídia se incomodar com a patologia da invisibilidade social, veiculando imagens de injustiça e descaso, é um bom sinal, pois além de denunciar os maus tratos ou o próprio descaso, também nos mostra que ainda não sabemos como lidar com a menos valia em nós, por isso ela nos afeta tanto no outro; e quem não sabe como lidar com a menos valia, também não está preparado para lidar com a mais valia.

Estas questões nos apontam que o que está aberto como ferida no invisível está encapsulado no visível como símbolo. E “o que me incomoda no outro eu preciso curar em mim”.

A ferida aberta no outro dói em mim, e quando eu olho para isso e me responsabilizo, eu cuido melhor de minha vida e oriento meus descendentes para que cuidem bem de si mesmos, contribuindo com a diminuição da invisibilidade social, começando pelos cuidados da invisibilidade em família. Eu olho para os excluídos dentro de mim.

A psique é muito sábia e amorosa, e sempre encontra um viés para lidar com as doenças da alma humana. Essas urgências urbanas têm surgido como um pedido de socorro dessa alma para que todos olhem para ela dentro de si.

Deste modo, aprendemos que ainda estamos engatinhando no conceito de justiça social, que deveria abortar a ideia de piedade (se doer pelo outro porque não quero que doa em mim), porque existe uma outra solução para o laço social, que é a Responsabilidade Amorosa (que se refere à capacidade que temos em empenhar nossa intenção e energia no Amor).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

CARNEIRO, Ana da Silva C. A desigualdade e a invisibilidade social na formação da sociedade brasileira. [V ENECULT - V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura]. Salvador, Bahia, Faculdade de Comunicação UFBa. Disponível em: http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19360.pdf. Acesso em 18/10/11.

COSTA, Vivian F.G.; CONSTANTINO, Mateus de Lucca. Invisibilidade Social: outra forma de preconceito. [Blog "Over Mundo"]. Disponível em: http://www.overmundo.com.br/overblog/invisibilidade-social-outra-forma-de-preconceito. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Complexo. Disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/complexo.htm. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Fantasia. disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/fantasia.htm. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Individuação. Disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/indvidua.htm. Acesso em 18/10/11.

FORBES, Jorge. Compaixão – Parte 1. [Trechos da palestra de Jorge Forbes em vídeo produzido para o Programa Café Filosófico da TV Cultura, Espaço Cultural CPFL de Campinas]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=lXITJQSpYAo. Acesso em 13/10/11.

FORBES, Jorge. Compaixão – Parte 2. [Trechos da palestra de Jorge Forbes em vídeo produzido para o Programa Café Filosófico da TV Cultura, Espaço Cultural CPFL de Campinas]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=qABfrIXAS8o. Acesso em 13/10/11.

LAMA, Dalai. É preciso cultivar a piedade, diz Dalai Lama. [Vídeo sobre a visita do Dalai Lama ao Brasil feito pela TV Folha]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=00SdXKlorL0. Acesso em 17/10/11.

PORTO, Juliana. Invisibilidade social e a cultura de consumo. Disponível em: http://www.dad.puc-rio.br/dad07/arquivos_downloads/43.pdf. Acesso em: 18/10/11.

VERRI, Isabela. et al. A Invisibilidade Social. [Blog "Jornal Sociológico"]. Disponível em: http://jornalsociologico.blogspot.com/2009/05/invisibilidade-social.html. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Invisibilidade. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Invisibilidade. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Karl Marx. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Preconceito. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Preconceito. Acesso em 18/10/11.


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A Compaixão e o uso do outro |

Você é o outro e o outro é você |

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Fonte:  http://luciaureakaha.wordpress.com/2011/10/18/invisibilidade-social-psique-e-mais-valia/ 
Luciaurea Kaha - escritora e analista junguiana

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Friday, 2 March 2012
posted by Luciaurea

MÚSICA, SONHO, ALQUIMIA E TAROT EM ANÁLISE
Set Fire to The Rain, de Adele

 

“Desta vez foi um sonho preocupante, com uma trilha sonora ao fundo… 
Minha prima Zuleica tem uma gata siamesa chamada Madona, e essa gata, sempre que jogávamos tarot quando éramos adolescentes, virava as cartas com a boca e punha a pata em cima da carta como quem dizia ”É isso aí!” 
Minha prima queria que eu fosse embora de sua casa no sonho. 
Eu disse para ela que não iria embora enquanto a Madona não pusesse as cartas pra mim. 
A gata então pegou uma carta, de todas as que estavam dispostas num semicírculo, virou-a com a boca e botou a pata em cima. 
Quando ela tirou a pata, vi que era a carta da Torre
E a trilha sonora do sonho, era a música da Adele, que eu adoro, “Set Fire to The Rain”… 
Senti algo estranho ao acordar… 
como algo desmoronando em minha vida afetiva… 
senti que meu amor não era mais o mesmo, e que estava se transformando em raiva por tudo o que eles me tinham feito, mas muito mais pelo que não fizeram.”

 

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O gato como animal totêmico no sonho: O Inconsciente

Este é o sonho de uma paciente que está em seu processo de individuação, num automorfismo entre a Calcinatio (fogo, libido e raiva) e a Solutio (água e emoções positivas e negativas), conforme definidos em alquimia segundo os estudos de Jung. Mas o que nos interessa aqui, é o movimento da psique com ambos os elementos, uma vez que a água apaga o fogo, e na música, a heroína ateia fogo à chuva até queimar o (s)eu amado. Se você jogar água sobre a cal, ela calcinará ainda mais.
 
Trata-se de um profundo processo de purificação da raiva e das crenças do passado que a prendiam em formas doentias de viver as experiência do amor, visto que a figura da Torre Arcana é evocada pelo simbolismo do Gato no sonho, um animal que representa o inconsciente, as paixões encantadas que vão contra a sanidade do indivíduo, os mistérios, a magia e aquilo que é oculto em si mesmo. É um momento de dificuldade para compreender que o amor é de quem ama e que ele não exige fé, pois a consciência amorosa é inerente ao ser humano, sendo ela muito real, independente das crenças pessoais de cada um. A questão de como vivê-la é experimentada como uma ameaça ou ilusões projetadas sobre o outro, que muitas vezes nos deixa confusos e gera muitos mal entendidos.

A TORRE: A Casa de Deus, a Separatio Alquímica, finalização de um ciclo através do rompimento brusco com o velho.

Tal Torre, em primeira análise, sendo um símbolo fálico prestes a ruir na psique de nossa paciente, no sentido de fazê-la perder o controle, é também símbolo de proteção na psique feminina. E está presente no discurso da música inteira. Todo discurso da música se dá sobre uma estrutura perversa que deve ruir, para que a heroína sobreviva à tempestade. Coisas precisam ser removidas, separadas e modificadas. Uma moradia precária não pode ser a morada de um novo Eu. Este feminino não pode mais abrir mão de sua vida e de suas necessidades, pelas causas que o masculino abraça. Isso é auto-anulação. Esse feminino precisa se construir de novo. Modificar sua forma de ver o mundo, não ficar no passado, sem ter medo de dar os primeiros passos, nem de construir sua primeira fileira de tijolos. Com firmeza neste novo propósito que a Psique lhe aponta, ela saberá caminhar em segurança.

Falamos aqui de Vida e Morte dentro da psique feminina. E a trilha sonora evoca a morte de um aspecto da ingenuidade feminina, que era acreditar na mentira masculina, numa traição que se revelava por metáforas, através de jogos de palavras e sussurros mentais sedutores, que revelavam os mecanismos da manipulação masculina ou mesmo uma traição física.
 
Essa Torre no sonho musical da paciente, prenuncia uma quebra ou um rompimento com antigas formas ou estruturas sobre as quais ela se baseava para compreender sua função nos relacionamentos. Ela reconhece as dificuldades e os sofrimentos de uma separação, tanto verbalizada quanto silenciosa, relacionada à uma falsa-imagem anterior de si mesma em seu castelo, seu casulo, sua fortaleza, para não experimentar essa dor vindoura, que não é regida pela causalidade, mas pelo ponto de ebulição ígneo que se encontra dentro dela e que não pode mais ser contido. Nem pela chuva. Sua libido, neste momento, evoca a raiva e a dor, que felizmente, após o processo alquímico de transformação, passarão.

SOLUTIO
Quando pode o fogo ser maior que a chuva? Quando a força da vontade que está por trás de sua chama é maior do que ser dissolvido.
Quando é possível diferenciar a lágrima da chuva? Quando a temperatura da lágrima é quente, significa que está em ebulição. A chuva limpa a alma em sofrimento, lava as sujeiras das ações equivocadas, dilui e dissolve as ilusões construídas sobre areias, trazendo o perdão da psique que nossa heroína necessita para ter paz, confiança, convicção e força pelos novos esforços a empreender por si mesma.
 
CALCINATIO E SOLUTIO
Tal combinação entre fogo e chuva leva a paciente à redenção, ao alívio de seu sofrimento interior, e à uma nova chance de viver a responsabilidade amorosa em si mesma.
Tanto o sonho quanto a música, falam de processos alquímicos da psique feminina, alertando-a, moldando-a, sacrificando-a, rendendo-a e redimindo-a à sua nova forma de ser, mais genuína, mais senhora de si, inteira. Uma rainha dona de seu reino.
 
AUTOMORFISMO
Como eu sempre digo, automorfismo dói. Depois que o corpo aprende mais um pouco sobre aquela fase do exercício emocional atrelada às percepções de seus sentimentos, sensações e formas mentais, ele toma forma em um novo conceito de ego, cada vez mais conectado com o Self, ele se fortalece com mais recursos para passar à forma seguinte.
É necessário matar a velha forma de amar para abrir espaço para uma nova.

Ou nossa protagonista
 muda, aceita sua ruína temporária e toma para si seu novo automorfismo, implícito no discurso da música, no encontro entre fogo e chuva, como num vulcão – sua saída está nas mãos do fogo, onde uma nova massa é elaborada – ou ela será dissolvida novamente nas águas primordiais, que não diferenciam os indivíduos das gotas, continuando a ser apenas mais uma gota no oceano de “muitos”.
 

SET FIRE TO THE RAIN
Ateei Fogo À Chuva

I let it fall, my heart,
Eu deixei cair, meu coração,
And as it fell, you rose to claim it.
E enquanto ele caía, você surgiu para reivindicá-lo.
It was dark and I was over,
Estava escuro e eu estava acabada,
Until you kissed my lips and you saved me.
Até que você beijou meus lábios e me salvou.
My hands they were strong, but my knees were far too weak,
Minhas mãos, eram fortes, mas meus joelhos eram muito fracos,
To stand in your arms without falling to your feet,
Para permanecer em seus braços sem cair aos seus pés,

But there’s a side, to you, that I never knew, never knew.
Mas tinha um lado, em você, que eu nunca soube, nunca conheci.
All the things you’d say, they were never true, never true,
Todas as coisas que você disse, nunca foram verdade, nunca foram verdade,
And the games you’d play, you would always win, always win.
E os jogos que você fazia, você sempre iria ganhar, sempre ganharia.

But I set fire to the rain,
Mas eu ateei fogo à chuva,
Watched it pour as I touched your face,
E fiquei vendo ela cair enquanto eu tocava seu rosto,
Well, it burned while I cried,
Bem, ela queimava enquanto eu chorava,
‘Cause I heard it screaming out your name, your name!
Porque eu a ouvi gritando seu nome, seu nome!

When I lay, with you, I could stay there,
Quando deito, com você, eu poderia ficar lá,
Close my eyes, feel you here forever,
Fechar meus olhos, sentir você aqui para sempre,
You and me together, nothing is better!
Você e eu juntos, nada é melhor!

Cause there’s a side, to you, that I never knew, never knew.
Porque existe um lado, de você, que eu nunca soube, nunca soube.
All the things you’d say, they were never true, never true,
Todas as coisas que você disse, nunca foram verdade, nunca foram verdade,
And the games you’d play, you would always win, always win.
E os jogos que você fazia, você sempre ganharia, sempre ganharia.

But I set fire to the rain,
Mas eu ateei fogo à chuva,
Watched it pour as I touched your face,
E fiquei vendo ela cair enquanto eu tocava seu rosto,
Well, it burned while I cried,
Bem, ela queimava enquanto eu chorava,
‘Cause I heard it screaming out your name, your name!
Porque eu a ouvi gritando seu nome, seu nome!
I set fire to the rain

Eu ateei fogo à chuva
And I threw us into the flames
E eu nos atirei às chamas
Well, it felt something died,
Bem, sentia que algo morreu,
Cause I knew that that was the last time, the last time!
Porque eu sabia que era a última vez, a última vez!

Sometimes I wake up by the door,
Às vezes eu acordo ao lado da porta,
That heart you caught must be waiting for ya…
Aquele coração que você apanhou deve estar esperando por você
Even now when we’re already over
Mesmo agora, quando já terminamos
I can’t help myself from looking for ya.
Eu não consigo evitar não te procurar.

I set fire to the rain,
Eu ateei fogo à chuva,
Watched it pour as I touched your face,
E fiquei vendo ela cair enquanto eu tocava seu rosto,
Well, it burned while I cried,
Bem, ela queimava enquanto eu chorava,
‘Cause I heard it screaming out your name, your name!
Porque eu a ouvi gritando seu nome, seu nome!

I set fire to the rain
Eu ateei fogo à chuva
And I threw us into the flames
E eu nos atirei às chamas
Well, it felt something died,
Bem, sentia que algo morreu,
‘Cause I knew that that was the last time, the last time!
Porque eu sabia que era a última vez, a última vez!

Oh oh oh oh oh…
Let it burn…
Deixe queimar …

 
INSPIRAÇÕES BIBLIOFRÁFICAS
 
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Talvez você também goste de:
 
Fonte:  http://luciaureakaha.wordpress.com/2011/11/30/a-torre-ateei-fogo-a-chuva/ 
Luciaurea Kaha - escritora e analista junguiana

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Existem razões, muitas razões para aqueles que se automutilam.
No dia 1º de março, por favor, use um band-aid e desenhe sobre ele o símbolo do Dia da Consciência sobre a Automutilação.
Vamos mostrar ao mundo o quão importante é este dia e todos os outros, para aqueles que sofrem e lutam com este transtorno.
Ajude-os, mostre seu apoio.
Obrigado.
Bas

*****

RAZÕES DA AUTOMUTILAÇÃO

Fonte: Vida de um Borderline – Admitir o problema é o primeiro passo para a cura, de Wally Osvanilda

Aqui estão algumas frases de borders a respeito da auto-mutilação:

“Para dizer a verdade, eu acho que fazia isso para que alguém observasse o fato de que eu precisava de ajuda.”

“Quando me corto, eu não preciso explicar quão mau eu me sinto. Eu posso mostrar isso.”

“Quando eu fico furioso com alguém, eu quero destruir, machucar ou matar essa pessoa.
Mas eu sei que eu não posso machucar alguém de verdade. Então eu tiro a raiva me cortando ou arrancando meus cabelos. Isso faz eu me sentir melhor no momento, mas depois disso eu fico envergonhado comigo mesmo e desejo não ter praticado isso.”

“Quando meu pai parou de me abusar, eu tive que compensar a ferida que desapareceu rapidamente.”

“Para mim, as cicatrizes são como pinturas externas do que meus pais fizeram.”

(Fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

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NÃO ESCONDA SUAS DORES

Fonte: Freak Butterfly’s World

Muitos pensam que pessoas que se cortam são loucas ou estão querendo chamar a atenção das pessoas, mas isto tudo vai muito além do que você imagina.

Vejamos uma definição simples do termo: “Automutilação (AM), também conhecida como Autolesão (AL), corresponde a uma forma de lesão provocada deliberadamente por uma pessoa a seu próprio corpo sem intenção de suicídio. Os atos podem ter como intenção, o alívio de emoções insuportáveis, sensações de irrealidade e apatia (geralmente causadas por experiências dissociativas como a despersonalização ). Esse comportamento é listado no DSM-IV-TR como sintoma do transtorno de personalidade borderline e é, algumas vezes, associado à doença mental , uma história de traumas e abusos, transtornos alimentares , baixa auto-estima e perfeccionismo.”(Definição pelo site: wikipédia).

Apesar de serem julgados como quem deseja chamar a atenção, a grande maioria das pessoas que se mutilam estão cientes dos seus atos e muitas vezes fazem de tudo para esconder as feridas, podendo oferecer explicações alternativas para os ferimentos. Um exemplo pessoal, quando tinha 15 anos e as feridas eram mais visíveis minha mãe me questionava querendo saber o que era aquilo, eu dizia sempre que era o Cícero (meu falecido gato) que havia me arranhado. Não sei se ela acreditava, mas não perguntava novamente.

A pessoa que usa da automutilação para se punir ou mesmo aliviar as dores psicológicas não pratica este ato com intenção de morte.

O que gostaria de passar a vocês leitores é: se você pratica este ato, ou conhece alguém, ajude!

Realmente são pessoas que necessitam de paciência e ajuda, tanto médica como da família e amigos. Não julgue sem saber o quadro clínico em que a pessoa se encontra.

Sei o que muitos passam, este aqui é meu relato, há 11 anos eu provoquei minhas primeiras feridas, e com o passar dos anos, apesar de buscar ajuda, tive diversas recaídas e até mesmo uma tentativa de suicídio do histórico, pois há horas que um simples corte não anula certas dores mentais. Por isso eu estou me expondo aqui, quero que outras pessoas consigam falar, se libertar desta dor solitária.

Mas não é só se cortando que os automitilantes se punem ou aliviam os pensamentos, há uma variedade imensa, saiba quais são:

  • Esmurrar-se, chicotear-se;
  • Enforcar-se por alguns instantes;
  • Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços;
  • Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania);
  • Arrancar os cabelos (Tricotilomania);
  • Queimar-se, incluindo com cigarro, produtos químicos (por exemplo, sal e gelo);
  • Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas;
  • Beliscar-se, incluindo com roupas e clips para papel;
  • Ingerir agentes corrosivos, alfinetes;
  • Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

Saiba que com o tempo, estes atos se transformam em manias, e qualquer motivo é motivo para se automutilar.

Isto não é brincadeira, muito menos modinha emo! É sério e deve ser tratado como tal.

Não se torture, desabafe, busque ajuda.

(Texto by Freak Butterfly)

Nota da Luciaurea: não somente os borderlines praticam a automutilação. Bipolares e pessoas que vivem na zona entre as classificações nosográficas que ainda não receberam um diagnóstico plausível, também praticam automutilação, inclusive crianças. Que esta informação possa abranger o maior número de pessoas possível. Se você conhece alguém que está passando por uma fase ruim, seguida de automutilação, ajude-a mostrando o seu apoio. Não julgue. Tenha a paciência e a humildade para ser apenas o ouvinte. Vamos falar com liberdade e ajudar a diminuir o preconceito. Gratidão.

Fonte: 
http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/


 

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