Blog da Luciaurea
Tuesday, 14 February 2012
posted by Luciaurea

Eu gostaria de elucidar esse tema de uma maneira informal, mas lógica, para que todos possam compreender e abrir seus níveis de permissão para começar a respeitar e aceitar as reações de uma pessoa deprimida. Embora a depressão seja um estado psíquico bem aceito socialmente, ele não é bem elaborado pelas pessoas que convivem com o deprimido.

Como a raiva elimina o veneno que mantém a pessoa atrelada à depressão

Depressão é uma de-pressão, uma forte pressão para baixo, uma repressão emocional muito profunda, que gera um sofrimento psíquico incalculável e mal compreendido para quem nunca a sentiu.

Eu gostaria de elucidar esse tema de uma maneira informal, mas lógica, para que todos possam compreender e abrir seus níveis de permissão para começar a respeitar e aceitar as reações de uma pessoa deprimida. Embora a depressão seja um estado psíquico bem aceito socialmente, ele não é bem elaborado pelas pessoas que convivem com o deprimido.

Mecanismo

O mecanismo da depressão revela o fruto de uma agressão contra si mesmo: ela nasce da raiva reforçada pela auto-aversão. Essa raiva, por sua vez, nasce quando o indivíduo não consegue se proteger de algo que seu sistema psíquico define como uma agressão ou ferimento ao seu senso de justiça, à sua identidade. Ele passa então, a agredir a si mesmo por não conseguir se defender do mundo externo. A depressão é fruto de um trauma ou dilema não vivido, e por isso começa a envenenar seu portador.

O papel da raiva

É preciso que as pessoas comecem a compreender e aceitar, que jogar esse veneno para fora através da raiva, que é a própria raiva não elaborada, essa raiva que mora dentro, é salutar para quem sofre de depressão. Sua raiva precisa ser redirecionada para fora. Somente quando ela pode ser vivida, exprimida, compreendida, existe a possibilidade dela ser diluída. Depois é possível sentir alegria, pois há espaço. Há possibilidades. Há virtude. Há Vontade.

Terapia para depressão

Por essa razão, no set terapêutico psicanalítico, o indivíduo é incentivado a se angustiar para sentir raiva, afim de fazer aflorar o afetamento que gerou a raiva dirigida contra si mesmo, e limpar seu eixo de conexão com sua alma.
Depois que o deprimido consegue olhar para sua própria raiva com lucidez, ele é capaz de elaborar algo a respeito de si mesmo e do que sente, e ressignificar sua história, deixando de repetir o velho padrão. Somente neste ponto, a terapia começa a funcionar em termos de “otimismo”.

Um indivíduo deprimido não responde bem ao otimismo. Isso o deixa mais deprimido ainda. Ele precisa expressar o que sente e o que mais tem dificuldade de mostrar ao mundo, pois sente medo de ser rejeitado se mostrar algo que tire o outro de sua zona de conforto. Ele precisa ser encorajado a sair de sua depressão, a convite do seu terapeuta.

É necessário um incentivo ao deprimido, no sentido de mostrar que ele tem apoio para demonstrar suas verdadeiras emoções e dilemas, e que não será rejeitado por isso.

O papel da família

Argumentos de familiares que tentam ajudar o deprimido, podem jogá-lo ainda mais fundo em sua depressão – e levá-lo ao suicídio. Argumentos que não ajudam o deprimido:

  • “A vida é tão bela”;
  • “Tem gente pior que você”;
  • “Você precisa ser mais esforçado, olhe fulano de tal, como saiu da depressão!”

Tais argumentos são extremamente venenosos para uma pessoa em depressão. A não ser que você deseje realmente matar essa pessoa, não diga isso a um deprimido. Ao contrário, converse com o terapeuta que atende seu familiar em depressão e ofereça-lhe sua segurança, seu apoio naquele momento delicado de sua vida, mesmo que seja apenas para fazer-lhe companhia e não dizer nada. Tenha a humildade para ser apenas o ouvinte.

Fonte: http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/01/25/depressao-pode-ser-curada-com-raiva/
Faça Terapia: http://luciaureakaha.wordpress.com/psicanalise/

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9 comments


Ítalo
A raiva é um sentimento que precisa ser analisado profundamente, pois ela revela nosso lado mais sombrio!!!
2 months ago
Luciaurea
Isso mesmo Simone.
No sentido que você a coloca, a raiva está ligada com a operação alquímica da Calcinatio, um conteúdo que precisa ser "queimado": vivido até sua exaustão. Neste momento, a libido que estava regredida na psique, começa a se exteriorizar, impulsionando o indivíduo para um novo automorfismo na pulsão de vida.
2 months ago
Luciaurea
Olha Ivana, eu acredito que pode ter a ver sim com o que foi escrito, porque nós guardamos uma depressão dentro, que muitas vezes não é manifesta pela consciência, então essa tristeza, essa insatisfação inconsciente invade o ego e o torna seu refém. Principalmente nas depressões atípicas e recorrentes.
Minha mãe também tem um mecanismo de funcionamento semelhante ao da sua, e agora ela tem passado por um relativo período de "paz".
Sem sombra de dúvida, as pessoas melhoram muito depois que põem para fora suas raivas incompreendidas, e mais ainda quando aprendem a não esperar por maiores compreensões de terceiros, porque a raiva é simplesmente encarada como "irracional" para a grande maioria de nós, porém ela é perfeitamente compreensível pelo Inconsciente do ponto de vista psíquico.
A raiva é amoral.
Beijos!
2 months ago
Luciaurea
Concordo contigo Dalsan.
Beijoooo
2 months ago
Luciaurea
Chico, super divina essa técnica do Osho hein! Olha que ela dá caldo pra trabalhar com muitos conteúdos submersos!
Guardamos muito lixo e muitas vezes os confundimos com pedras preciosas.
Super beijo e gratidão por partilhar :*
2 months ago
Simone
Eu lembro da música do P.I.L., Rise,que tem aquele refrão: "Anger is an energy!"
acho que a raiva é a força pra subir, pois ela causa uma reação mais forte
do organismo e nos tira da areia movediça que é a depressão.
2 months ago
IVANA MIHANOVICH
Luci, eu simplesmente adoro sua ótica.
Concordo plenamente, já tive que lidar com alguns amigos e familiares deprimidos e é exatamente isso aí. Aliás, acho que nem precisa ser um depressivo patológico pra ficar mais pra baixo qdo ouve comentários como aqueles que vc citou. Calcule sendo...
Minha mãe nunca foi diagnosticada como bipolar ou depressiva, mas com certeza era o que antigamente (ou na antroposofia) se chama de melancólica.
Ela tinha momentos em que parecia, literalmente, emanar uma nuvem cinza ou negra. Acredite se quiser, às vezes eu chegava em casa e antes mesmo de vê-la, eu simplesmente sabia que ela estava no fundo do poço, pq eu realmente sentia a deprê no ar da casa. E enquanto eu tentava dar-lhe ânimo, a coisa só piorava.
Então, instintivamente comecei a usar o confronto, a provocá-la, até a raiva aflorar nela. No dia era péssimo, ficávamos brigadas...rs. Mas no dia seguinte parecia um milagre, ela era outra, às vezes acho que nem lembrava de ter estado tão mal no dia anterior.
Vc acha que tem a ver com o que vc escreveu?
Bjs, obrigada por escrever.
3 months ago
Dalsan
"a plenitude da civilização implica uma infelicidade neurótica universal" Freud.
Creio o "buraco" é mais embaixo, em alguns casos.
3 months ago
chico abelha
Eu me familiarizei com este mecanismo de "curar" a depressão com a expressão da própria raiva contida, quando conheci a Meditação Dinâmica do Osho, que no seu segundo estágio propõe justamente isso, que joguemos para fora todo lixo emocional, usando todo o corpo para tal. É assustador para muitas pessoas, se deparar com o lixo sendo expresso e no entanto, é esse mesmo lixo que esteve muito bem escondido dentro da própria pessoa!
Aqui um link com a explicação da técnica do Osho>>> http://dicasterapeuticas.blogspot.com/2011/08/meditacao-dinamica-de-osho-retomando-o.html
Muito legal o seu texto, Luciaurea!
3 months ago