Blog da Luciaurea
Tuesday, 29 May 2012
posted by Luciaurea

FEMININO EM FOCO
Neste post tenho o prazer de apresentar as idéias de uma mulher maravilhosa, que há muitos anos atua com o Sagrado Feminino e leva muitas mulheres a compreenderem os mistérios femininos.

A Arte de Mestruar

Por Monika Von Koss

O que define uma mulher? Muitas respostas poderiam ser dadas a esta pergunta, mas o que caracteristicamente a define é o fato de que mulher menstrua. E em sua condição plena, ela menstrua regularmente, expressão redundante, pois a palavra menstruação, que significa, literalmente, ‘mudança de lua’, tem como sílaba-raiz mens, mensis, a medida, origem da contagem do tempo, i.é., da regularidade.

A sílaba latina mens forma palavras como medida, dimensão metro, mente, para citar algumas. No sânscrito, a sílaba original era ma, de mãe, mana. Na Suméria, os princípios organizadores do mundo, atributos da deusa Inana, eram os me, sílaba contida no nome de muitas deusas, como Medéia, Medusa, Nêmesis e Deméter.

Para as mulheres da Idade da Pedra, o sangue menstrual era sagrado. É provável que a palavra sacramento se origine de sacer mens, literalmente, menstruação sagrada. Um ritual exclusivamente feminino, conhecido pelos gregos como Thesmophoria, mas cuja origem se perde no tempo, era realizado anualmente no período da semeadura. As mulheres que tinham atingido a idade do sangramento se reuniam num campo sagrado, e ao primeiro sinal do fluxo menstrual, elas desciam por uma fenda para levar sua oferenda às Cobras, as grandes divindades primárias do mundo profundo, que representam o poder regenerador na terra, no campo e no corpo das mulheres. Ofereciam o melhor leitão da ninhada, cuja carne apodrecida junto ao sangue menstrual era misturada às sementes, que então eram enterradas no campo sagrado, para promover e propiciar uma colheita abundante.

Os antigos ritos de menstruação hindus estão relacionados com Vajravarahi, literalmente‘Porca de Diamante’, a deusa que rege as divindades femininas iradas, que dançam o campo energético do ciclo menstrual. Ela é a dançante Dakini vermelha, filha da Deusa Primal do Oceano de Sangue, mais tarde denominado de Soma.

Representando o fluido da vida, o sangue menstrual sempre foi considerado tabu, palavra polinésia que significa ‘sagrado’ e que foi interpretada pelos antropólogos como sendo ‘proibido’. De fato, o sangue menstrual, como o poder de criar vida que conecta as mulheres com o próprio universo, era tabu, isto é, sagrado e portanto proibido àqueles que não menstruassem, como era o caso dos primeiros antropólogos homens.

No mais esotérico dos rituais tântricos, o Yoni Puja, os sucos liberados pela cópula eram misturados com vinho e partilhados pela congregação. O mais poderoso de todos os sucos era aquele obtido quando a yogini estava menstruando.

Ao longo dos milênios, as mulheres têm desaprendido a arte de menstruar, de fluir com a vida. Nas sociedades tribais, a menarca, o início do fluir do sangue, era celebrada com um rito de passagem, auxiliando a menina a realizar sua entrada para o reino do mana: o poder sagrado transmitido pelo sangue e que tanto podia dar como tirar a vida. Além de apaziguar o poder destruidor, o rito tinha como função auxiliar a menina a entender sua condição física e sua relação com a função procriadora da natureza. Ainda uma criança em espírito e condição social, a partir de suas regras, a jovem deve assumir o comando de sua vida. Sem ritos de passagem, o que temos para oferecer às nossas meninas, que as ajude a transformar e assumir sua nova identidade?

A Arte de Menstruar sem se apagar

Ao longo do processo civilizatório, a menstruação foi sendo depreciada, relegada, virando tabu. O que era sagrado tornou-se proibido, sujo, contaminado. A regra passou a ser esconder a regra. O resultado disto foi que o evento central na vida de toda mulher madura tornou-se invisível. Ironicamente, retorna à visibilidade para se tornar um negócio milionário, o dos absorventes ditos ‘higiênicos’, mas que continua a reforçar a idéia de que o sangue menstrual é ‘sujo’. O apelo maior da propaganda de absorventes é tornar a menstruação invisível. Promete que usar tal ou qual marca de absorvente possibilita à mulher levar a vida como se nada estivesse acontecendo em seu corpo. Descaracteriza-a como mulher, negando sua característica mais distintiva.

Devemos abolir os absorventes? É claro que não, pois não vivemos na Idade da Pedra. Mas talvez devêssemos nos espelhar no exemplo das índias andinas, que simplesmente se agacham e deixam seu sangue fluir para a terra. Impossibilitadas de agir assim numa terra coberta de asfalto, podemos, contudo, transformar esta prática num ritual. É importante para as mulheres recuperarem o sentido sagrado do fato biológico central em suas vidas. Pois, ainda hoje, a maioria das mulheres ‘liberadas’ acredita que suas regras (aquilo que as rege) é uma inconveniência que, se possível, deveria ser eliminada. Se formos capazes de romper com esta crença, talvez possamos desvincular o feminino da idéia de fragilidade e instabilidade. A decantada imprevisibilidade feminina é, em grande parte, decorrente das oscilações a que a mulher está submetida, ao longo de seu ciclo mensal. É a expressão da imprevisibilidade da própria vida.

O ciclo hormonal feminino apresenta dois pontos culminantes: a ovulação e a menstruação. O polo branco da ovulação, chamado muitas vezes de rio da vida, é o polo ovariano, procriativo, momento do ciclo em que, biologicamente, a mulher se coloca plenamente a serviço da espécie. O polo vermelho da menstruação, também chamado de rio da morte, é o polo uterino, quando a mulher se volta para si mesma. Ou pelo menos deveria, pois a arte de menstruar, a habilidade de fluir com a vida, é o momento em que somos chamadas para dentro, a fim de curarmos a nós mesmas.

Desprezada e negligenciadanão é de estranhar que a menstruação revide. A TPM (Tensão entre Patriarcado e Menstruação) é a expressão do conflito que nós mulheres vivemos, entre voltarmo-nos para o acontecimento sagrado dentro de nós ou atender à demanda do mundo externoO período menstrual nos torna mais sensíveis, captando os acontecimentos em torno de nós através de uma lente de aumento e reagimos de acordoSe aprendermos a respeitar o movimento energético que acontece em nosso interior, poderemos usar esta sensibilidade de um modo mais significativo e reverter a depreciação a que o sangramento foi submetido, recuperando sua sacralidade.

O direito ao repouso: cuidar-se com amor, ter um novo olhar para a menstruação.

Como mulheres modernas, inseridas num mundo que funciona de acordo com os valores masculinos, nem sempre podemos nos recolher na cabana de menstruação, como faziam nossas antecessoras, onde descansavam e partilhavam suas experiências. Mas podemos reduzir nossas atividades ao mínimo, deixando para outro momento algumas delas. Também podemos nos recolher para dentro de nós, enquanto executamos as atividades diárias que nos competem. Depois de cumpridas as tarefas, podemos nos retirar para um lugar tranqüilo e prestar atenção ao que acontece no nosso útero, observar as sensações e os sentimentos, os sonhos que emergem. O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.

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Como o próprio nome sugere, invisibilidade social é uma patologia social, de responsabilidade e de identidade, uma violência psicológica que se manifesta através da indiferença humana ao sofrimento, “o que não quero enxergar no outro não existe em mim”, e se expressa de diversas formas: econômica, sexual, racial, etária, estética, histórica, religiosa e cultural. Ela pode acarretar no desenvolvimento de outras doenças psíquicas como a depressão e comportamentos sádicos na expressão do bullying.

 

Invisibilidade Social

Invisibilidade Social

A invisibilidade social tem como principal fator de origem as crenças na menos valia, e de que o outro é uma ferramenta para ser usada, onde não é visto como um ser emocional, pensante e ativo, que exerce seu poder como fator decisivo em realidades menores e maiores no contexto pessoal, familiar, social, mundial, universal, ecológico e quântico.

A invisibilidade social atende um propósito: mascarar as feridas de quem acha que não tem nada a ver com a história, “eu olho mas não te vejo”.

Existe uma crença muito forte que vincula a questão da invisibilidade social à mais valia no sentido do canibalismo capital, e eu gostaria de elucidar este ponto, me diferenciando da visão marxista, porém apresentando uma visão do ponto de vista psíquico, pois acredito ser de grande importância a mais valia dentro deste contexto, e por isso nos aspectos pessoal e social.

Invisibilidade social e mais valia

A invisibilidade social não está, como muitos podem pensar, diretamente ligada à mais valiacomo símbolo do capitalismo. O canibalismo capital está mais vinculado aos complexos desuperioridade e poder do que com a mais valia.

Mais valia foi um conceito bem explorado por Marx. É geralmente atribuída ao o ato de aumentar o lucro em cima da produção de outrem, para fins capitais (quando há uma diferença abrupta entre o trabalho produzido e o salário pago). Na extensão desse conceito, amplificando o mesmo para outras áreas da vida, temos também os abusos familiares (quando os pais desejam viver as vidas dos filhos como dividendos do “investimento” em família) e nos relacionamentos afetivos (quando o conforto de um lado existe em detrimento do outro).

Embora estes abusos existam na vida real, interpretar a mais valia como tal é um equívoco, pois na psique ela está diretamente vinculada à auto-estima e aos níveis de permissão, porque são camadas mais próximas dos complexos, visto que atuam na maioria das vezes, de maneira inconsciente, e por isso, estes elementos são muito familiares à maneira como o dinheiro é visto e utilizado. Existe um equívoco nestes parâmetros que precisa ser esclarecido.

Mais valia ou menos valia se aprendem na infância e cada um constrói sua visibilidade ou invisibilidade como mecanismo de defesa, de acordo com o os modelos que teve e em cima do que passou a acreditar. E neste sentido, a mais valia é um fator muito importante, mas é apenas um dos pontos que influenciam tanto na visibilidade social quanto na educação econômica de uma pessoa, e não o ponto principal: ela é um elemento revolucionário na psique, mas veremos que o ponto principal se origina no complexo (complexo conforme Jung).

A mais valia e os complexos

É impossível deletar a mais valia ou menos valia da alma humana, porque elas são elementos que se relacionam com os complexos, como o de inferioridade, o de superioridade e o de poder, e eles se tornam uma equação que precisa ser resolvida para vivermos em equilíbrio. Logo, são estes os fatores mais importantes que vão atuar na forma como lidamos com nossos níveis de permissão para viver tanto o amor, como os relacionamentos, a abundância, o trabalho e o dinheiro, e vão influenciar nossa base afetiva, espiritual e econômica também. Não são estes os únicos complexos ativos na psique humana, existem outros mais primários como o complexo materno e o complexo paterno, que também influenciam na maneira como lidamos com estas questões, pois eles oferecem o suporte para nossas crenças sobre o que é o amor, a vida, o sexo, o sagrado, o trabalho, o dinheiro, o corpo, o lúdico, a morte, como veremos adiante.

A mais valia está ligada então aos nossos níveis de permissão. Podemos representar isso através de alguns exemplos. Distribua a mesma quantia de dinheiro entre uma pessoa que vive na mais valia e outra que viva na menos valia, e terá como resultado a que vive na mais valia, aumentando o seu rendimento e a que vive na menos valia se endividando. A pessoa na mais valia se permite criar soluções e desenvolver recursos para se diferenciar da dependência do dinheiro, e por isso mesmo não sente a falta dele. A pessoa na menos valia não tem permissão para desfrutar o dinheiro. Você pode perceber que são paradigmas completamente opostos. Dentro desta visão, você também pode observar que os empresários bem sucedidos que vivem na mais valia não abusam de seus colaboradores.

É possível aplicar o mesmo princípio ao amor. Distribua dois grupos de crianças e atente para que ambos recebam a maternagem. No primeiro grupo você tem amparadores comprometidos com a responsabilidade amorosa e no segundo, você tem amparadores que são comprometidos com a responsabilidade social. Depois de algum tempo, você terá como resultado, o primeiro grupo de crianças com forte auto-estima e boa noção de identidade, e no segundo grupo, crianças ainda dependentes de seus amparadores  e preocupadas se estão agradando o suficiente. A responsabilidade social é um paradigma que inclui o amor como uma meta a ser alcançada, enquanto que a responsabilidade amorosa é um paradigma que inclui o amor como condição básica para o desenvolvimento, e por essa razão, é mais funcional como recurso social.

O dinheiro como símbolo

O dinheiro é um símbolo em nossa psique. Como fator psíquico representa um reconhecimento de valor.

O sucesso financeiro de uma pessoa é apenas uma das consequências materializadas de seuparadigma pessoal, em aceitar que tem valor como pessoa – isto é, que é alguém, tem valor de identidade - e não a única consequência, pois crer que o sucesso ou o dinheiro são a única consequência de valor de identidade poderia levar o indivíduo a crer, subliminarmente ou não, que vale o dinheiro que tem, o que seria também um equívoco. Reconhecer o próprio valor traz, não apenas o sucesso material, mas também a abundância afetiva e espiritual que acompanha a pessoa em seu processo de individuação (conforme Jung).

O dinheiro é uma das consequências da consciência humana, quando esta sabe que existe uma unidade de valor na psique, assim como a saúde e o amor, e infelizmente há uma crença muito difundida de que o dinheiro é o valor de alguém em si, e não a consequência desse sentimento de valor. Essa crença gera muito preconceito contra os que estão na menos valia e vivenciam o lado oposto da moeda, e que constitui a grande parcela da população mundial. Esse fato nos leva a perceber que os invisíveis rezam apenas na invisibilidade imaginária, pois todos reconhecem sua existência física. Da próxima vez que você se sentir incomodado com a diferença alheia, e perceber que está reagindo por preconceito, avalie se você não carrega em si mesmo a crença de que você vale pelo que você ganha, ou de que você vale pela aparência que tem, ou pela sua sanidade, pelo seu nível de sensatez, pela sua inteligência, ou porque é heterossexual, ou seja lá a razão oculta que você está escondendo de si mesmo.

A invisibilidade no grupo familiar

Invisibilidade na família. Isso significa que se uma pessoa vem de uma família, ou nasceu em um grupo social que despreza a mais valia porque sente raiva de ser invisível, cujas crenças apontam para a menos valia, ela pode começar a acreditar que é invisível para ser aceita pelo grupo, porque tudo o que uma criança busca é amor, e infelizmente, famílias que cultivam a invisibilidade como símbolo, reprimem ou rejeitam membros que podem se destacar e caminhar para a visibilidade, mais valia e beneficiar todo o grupo. Temos aí a manifestação dos complexos paterno e materno, que se mostram como diretrizes na infância humana, conjugados com o complexo de inferioridade, que atuam para proteger as ações narcísicas de um grupo e mantê-lo coeso. Criam-se então políticas antagônicas que tumultuam a vida social (pois cada grupo crê que sua parte é a que fala a verdade) e instituições que protegem a invisibilidade, no equívoco da defensibilidade.

Muitas pessoas que hoje são destaque e conquistaram respeito, no início foram desacreditadas pelos próprios grupos em que nasceram ou chegaram um dia a pertencer. Por isso costumamos dizer que ter sucesso, é em parte, ser solitário. E exatamente pelo mesmo motivo, pessoas de sucesso buscam suas semelhantes, assim como os que estão na menos valia, pois viver em grupo é uma necessidade humana.

Mas é possível utilizar as mesmas instituições que protegem a invisibilidade para criar aconsciência da visibilidade - enquanto a consciência de existir, de ser alguém – quando sentimosa angústia, e deixamos de ser ninguém.

Invisibilidade social como patologia de grupo

Pensando em termos de relações não ecológicas, é um fato que socialmente existe uma necessidade de diminuir o outro, tornando-o invisível para sentir-se melhor (complexos de superioridade e poder) ou se proteger (“o que não vejo no outro não existe em mim”). Sabemos que se trata de medo ou sadismo usando máscaras de indiferença. Sabemos também que utilizamos o outro como espelho de nossas próprias projeções, e que geralmente gostamos de escolher o conteúdo que o espelho apresenta, então criamos mecanismos de defesa para não ver o que o espelho está mostrando, e caímos na negação, que por sua vez cria a máscara da invisibilidade. É desta maneira que temos uma segunda verdade: aquilo que não reconhecemos no outro não conseguimos reconhecer em nós mesmos, por isso, evitamos esse tipo de vínculo. A angústia tem má fama na sociedade. Ninguém deseja a dor. Porém é a angústia, condição sine qua non para o desenvolvimento humano e evolução em grupo.

No caso da invisibilidade, trata-se de uma verdade criada por uma camada de fantasia (lembre-se, os invisíveis rezam apenas na invisibilidade imaginária, pois todos reconhecem sua existência física), não chega a ser uma pseudo-verdade – embora ela possa ser, e embora estejamos a lidar com desilusões e desilusões sempre descubram as mentiras – mas neste caso, temos uma segunda verdade, moradora de uma camada mais profunda na psique, a verdade da sombra.

É a angústia que nos faz olhar para o espelho e enxergar os disparates e as gerações de excluídos através da sombra. A angústia nos faz ver a dicotomia entre sociedade versusmarginalizados: sendo um a persona e o outro a sombra, um do outro e vice-versa, porque existe igualmente uma tensão e resistência por parte dos invisíveis em se manterem na defensibilidade do invisível, e dos visíveis em manter a máscara da visibilidade.

Veja, então a angústia também pode ser produtiva – e criativa. E com ela aprendemos que tanto a crueldade, quanto a teimosia em não querer mudar ou a indiferença - são sintomas. Sintomas de uma patologia de origem complexual que está se tornando institucionalizada, e é uma grande contribuinte para acentuar as desordens de comportamento e/ou a criação de grupos que se sentem marginalizados.

Podemos encontrar alguns exemplos da invisibilidade social, afetada por esta negação e indiferença, no MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra), em campanhas nacionais de defesa dos direitos da criança, do adolescente e dos pacientes psiquiátricos, e no crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho). Eles são os sintomas de nossa inferioridade pessoal e social, daquilo que deixamos à margem dentro de nós, das emoções e pensamentos que não tratamos com respeito e dos conceitos que rejeitamos para parecermos bons e justos. Podemos nos diferenciar destes aspectos quando passamos a incluir o outro lado do espelho integrando os conteúdos sombrios possíveis da psique.

Terapia da inclusão

A sociedade está doente e não haveria a necessidade de tantas campanhas ou reuniões de invisíveis para se tornarem visíveis, se os indivíduos fossem psiquicamente  saudáveis. Uma sociedade saudável, constituída por indivíduos saudáveis, não cria grupos marginalizados identificados com a menos valia.

 

Uma sociedade saudável cultiva uma relação ecológica entre seus membros e faz da mais valia sua inspiração, cuidando bem de seus espelhos.
 

 

E o fato de nos incomodarmos, de nos darmos o direito de incluir, de cuidarmos daquilo em que acreditamos, de percebermos que aquilo em que acreditamos planta a nossa realidade, diz muito a respeito de que lado escolhemos viver, e nos ensina muito que a inclusão não está de lado nenhum, mas dentro de nós. O fato da mídia se incomodar com a patologia da invisibilidade social, veiculando imagens de injustiça e descaso, é um bom sinal, pois além de denunciar os maus tratos ou o próprio descaso, também nos mostra que ainda não sabemos como lidar com a menos valia em nós, por isso ela nos afeta tanto no outro; e quem não sabe como lidar com a menos valia, também não está preparado para lidar com a mais valia.

Estas questões nos apontam que o que está aberto como ferida no invisível está encapsulado no visível como símbolo. E “o que me incomoda no outro eu preciso curar em mim”.

A ferida aberta no outro dói em mim, e quando eu olho para isso e me responsabilizo, eu cuido melhor de minha vida e oriento meus descendentes para que cuidem bem de si mesmos, contribuindo com a diminuição da invisibilidade social, começando pelos cuidados da invisibilidade em família. Eu olho para os excluídos dentro de mim.

A psique é muito sábia e amorosa, e sempre encontra um viés para lidar com as doenças da alma humana. Essas urgências urbanas têm surgido como um pedido de socorro dessa alma para que todos olhem para ela dentro de si.

Deste modo, aprendemos que ainda estamos engatinhando no conceito de justiça social, que deveria abortar a ideia de piedade (se doer pelo outro porque não quero que doa em mim), porque existe uma outra solução para o laço social, que é a Responsabilidade Amorosa (que se refere à capacidade que temos em empenhar nossa intenção e energia no Amor).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

CARNEIRO, Ana da Silva C. A desigualdade e a invisibilidade social na formação da sociedade brasileira. [V ENECULT - V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura]. Salvador, Bahia, Faculdade de Comunicação UFBa. Disponível em: http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19360.pdf. Acesso em 18/10/11.

COSTA, Vivian F.G.; CONSTANTINO, Mateus de Lucca. Invisibilidade Social: outra forma de preconceito. [Blog "Over Mundo"]. Disponível em: http://www.overmundo.com.br/overblog/invisibilidade-social-outra-forma-de-preconceito. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Complexo. Disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/complexo.htm. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Fantasia. disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/fantasia.htm. Acesso em 18/10/11.

DICIONÁRIO CRÍTICO DE ANÁLISE JUNGUIANA. Individuação. Disponível em: http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/indvidua.htm. Acesso em 18/10/11.

FORBES, Jorge. Compaixão – Parte 1. [Trechos da palestra de Jorge Forbes em vídeo produzido para o Programa Café Filosófico da TV Cultura, Espaço Cultural CPFL de Campinas]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=lXITJQSpYAo. Acesso em 13/10/11.

FORBES, Jorge. Compaixão – Parte 2. [Trechos da palestra de Jorge Forbes em vídeo produzido para o Programa Café Filosófico da TV Cultura, Espaço Cultural CPFL de Campinas]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=qABfrIXAS8o. Acesso em 13/10/11.

LAMA, Dalai. É preciso cultivar a piedade, diz Dalai Lama. [Vídeo sobre a visita do Dalai Lama ao Brasil feito pela TV Folha]. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=00SdXKlorL0. Acesso em 17/10/11.

PORTO, Juliana. Invisibilidade social e a cultura de consumo. Disponível em: http://www.dad.puc-rio.br/dad07/arquivos_downloads/43.pdf. Acesso em: 18/10/11.

VERRI, Isabela. et al. A Invisibilidade Social. [Blog "Jornal Sociológico"]. Disponível em: http://jornalsociologico.blogspot.com/2009/05/invisibilidade-social.html. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Invisibilidade. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Invisibilidade. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Karl Marx. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx. Acesso em 18/10/11.

WIKIPEDIA. Preconceito. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Preconceito. Acesso em 18/10/11.


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Fonte:  http://luciaureakaha.wordpress.com/2011/10/18/invisibilidade-social-psique-e-mais-valia/ 
Luciaurea Kaha - escritora e analista junguiana

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Existem razões, muitas razões para aqueles que se automutilam.
No dia 1º de março, por favor, use um band-aid e desenhe sobre ele o símbolo do Dia da Consciência sobre a Automutilação.
Vamos mostrar ao mundo o quão importante é este dia e todos os outros, para aqueles que sofrem e lutam com este transtorno.
Ajude-os, mostre seu apoio.
Obrigado.
Bas

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RAZÕES DA AUTOMUTILAÇÃO

Fonte: Vida de um Borderline – Admitir o problema é o primeiro passo para a cura, de Wally Osvanilda

Aqui estão algumas frases de borders a respeito da auto-mutilação:

“Para dizer a verdade, eu acho que fazia isso para que alguém observasse o fato de que eu precisava de ajuda.”

“Quando me corto, eu não preciso explicar quão mau eu me sinto. Eu posso mostrar isso.”

“Quando eu fico furioso com alguém, eu quero destruir, machucar ou matar essa pessoa.
Mas eu sei que eu não posso machucar alguém de verdade. Então eu tiro a raiva me cortando ou arrancando meus cabelos. Isso faz eu me sentir melhor no momento, mas depois disso eu fico envergonhado comigo mesmo e desejo não ter praticado isso.”

“Quando meu pai parou de me abusar, eu tive que compensar a ferida que desapareceu rapidamente.”

“Para mim, as cicatrizes são como pinturas externas do que meus pais fizeram.”

(Fonte: trecho extraído do livro Stop Walking on Eggshells)

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NÃO ESCONDA SUAS DORES

Fonte: Freak Butterfly’s World

Muitos pensam que pessoas que se cortam são loucas ou estão querendo chamar a atenção das pessoas, mas isto tudo vai muito além do que você imagina.

Vejamos uma definição simples do termo: “Automutilação (AM), também conhecida como Autolesão (AL), corresponde a uma forma de lesão provocada deliberadamente por uma pessoa a seu próprio corpo sem intenção de suicídio. Os atos podem ter como intenção, o alívio de emoções insuportáveis, sensações de irrealidade e apatia (geralmente causadas por experiências dissociativas como a despersonalização ). Esse comportamento é listado no DSM-IV-TR como sintoma do transtorno de personalidade borderline e é, algumas vezes, associado à doença mental , uma história de traumas e abusos, transtornos alimentares , baixa auto-estima e perfeccionismo.”(Definição pelo site: wikipédia).

Apesar de serem julgados como quem deseja chamar a atenção, a grande maioria das pessoas que se mutilam estão cientes dos seus atos e muitas vezes fazem de tudo para esconder as feridas, podendo oferecer explicações alternativas para os ferimentos. Um exemplo pessoal, quando tinha 15 anos e as feridas eram mais visíveis minha mãe me questionava querendo saber o que era aquilo, eu dizia sempre que era o Cícero (meu falecido gato) que havia me arranhado. Não sei se ela acreditava, mas não perguntava novamente.

A pessoa que usa da automutilação para se punir ou mesmo aliviar as dores psicológicas não pratica este ato com intenção de morte.

O que gostaria de passar a vocês leitores é: se você pratica este ato, ou conhece alguém, ajude!

Realmente são pessoas que necessitam de paciência e ajuda, tanto médica como da família e amigos. Não julgue sem saber o quadro clínico em que a pessoa se encontra.

Sei o que muitos passam, este aqui é meu relato, há 11 anos eu provoquei minhas primeiras feridas, e com o passar dos anos, apesar de buscar ajuda, tive diversas recaídas e até mesmo uma tentativa de suicídio do histórico, pois há horas que um simples corte não anula certas dores mentais. Por isso eu estou me expondo aqui, quero que outras pessoas consigam falar, se libertar desta dor solitária.

Mas não é só se cortando que os automitilantes se punem ou aliviam os pensamentos, há uma variedade imensa, saiba quais são:

  • Esmurrar-se, chicotear-se;
  • Enforcar-se por alguns instantes;
  • Morder as próprias mãos, lábios, língua, ou braços;
  • Apertar ou reabrir feridas (Dermatotilexomania);
  • Arrancar os cabelos (Tricotilomania);
  • Queimar-se, incluindo com cigarro, produtos químicos (por exemplo, sal e gelo);
  • Furar-se com agulhas, arames, pregos, canetas;
  • Beliscar-se, incluindo com roupas e clips para papel;
  • Ingerir agentes corrosivos, alfinetes;
  • Envenenar-se, medicar-se (por exemplo, exagerar na dose de remédios e/ou álcool), sem intenção de suicídio.

Saiba que com o tempo, estes atos se transformam em manias, e qualquer motivo é motivo para se automutilar.

Isto não é brincadeira, muito menos modinha emo! É sério e deve ser tratado como tal.

Não se torture, desabafe, busque ajuda.

(Texto by Freak Butterfly)

Nota da Luciaurea: não somente os borderlines praticam a automutilação. Bipolares e pessoas que vivem na zona entre as classificações nosográficas que ainda não receberam um diagnóstico plausível, também praticam automutilação, inclusive crianças. Que esta informação possa abranger o maior número de pessoas possível. Se você conhece alguém que está passando por uma fase ruim, seguida de automutilação, ajude-a mostrando o seu apoio. Não julgue. Tenha a paciência e a humildade para ser apenas o ouvinte. Vamos falar com liberdade e ajudar a diminuir o preconceito. Gratidão.

Fonte: 
http://luciaureakaha.wordpress.com/2012/02/28/1o-de-marco-dia-da-consciencia-sobre-a-automutilacao/


 

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Tuesday, 1 November 2011
posted by Luciaurea

Elizabeth Lesser fala tudo. Quando assisti o vídeo, eu logo percebi que “o outro” do vídeo poderia ser uma metáfora, que poderia ser atribuída, não a um outro físico, mas à função inferior, a Sombra. Estudando esse vídeo sobre a “demonização do outro”, descobrimos “o outro demonizado” dentro de nós, além de abrir a possibilidade de considerarmos com amorosidade um ponto de vista completamente diferente do nosso. Afinal, podemos ser felizes ou podemos ter razão, ou alcançarmos a função transcendente que Elizabeth Lesser nos propõe.

“Há uma tensão divisionista e raivosa no ar que ameaça fazer a política moderna impossível. Elizabeth Lesser explora os dois lados da natureza humana que criam essa tensão (chame-os “o místico” e o “guerreiro”) e compartilha uma maneira simples, pessoal para começar um diálogo real – ao ir almoçar com alguém que não concorda com você, e fazer três perguntas para descobrir o que realmente está em seus corações.”
 

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