Blog da Luciaurea

CONSIDERAÇÕE SOBRE UM ESTUDO DE CASO A RESPEITO DASONDULAÇÕES ABDOMINAIS DA DANÇA DO VENTRE
E IMPLICAÇÕES BIOENERGÉTICAS

 

Comecemos com o exemplo bem simples de um problema de prisão de ventre.

Sabe-se que ondulações abdominais da Dança do Ventre eliminam a prisão de ventre. Mas, raciocinemos mais além, além do aspecto físico, ou seja, mencionando o lado psicológico,o lado metafísico do ato de ondular o ventre. Tal ação requer, simultaneamente:

  • o desenhar de uma onda em movimento
  • e o trabalho respiratório - respiração.

A respiração, em seu aspecto psíquico representa a capacidade de absorver a vida. A prisão de ventre, por sua vez, está geralmente associada à causa mental originada em algum tipo de crença sub(in)consciente em limitação, medo, retenção, poder ou carência, e por isso, a pessoa evita soltar qualquer coisa de si mesma, com medo, mesmo que inconsciente, de ser incapaz de substituí-la – o que conhecemos comoapego (Hay, 1988).

Nessas condições, porexemplo, a pessoa também pode estar se agarrando a alguma lembrança passada, de difícil esquecimento ou perdão; pode sentir medo de mudar de vida ou situação, por não estar aberta para o novo.

Neste casoas ondulações abdominais flexibilizam os músculos contraídos do intestino (em razão de pensamentos conflitantes, inflexíveis, que deixam a pessoa tensa). A ação de flexibilizar, massageando órgãos internos, e dominando os músculos abdominais, é entendida, a nível subconsciente, como uma atitude de descontração, liberdade, domínio e segurança.

A atenção projetada no movimento, permitirá:

  • o experimentar do ar novo que entra, empurrando o abdome para fora;
  • e do ar “velho” que sai, relaxando e/ou contraindo o abdome para dentro.
  • A pessoa perceberá, pela prática, que a contração, não permite a entrada do ar novo.

É neste ponto que encontramos a relação:

  • Abdome contraído – ar “velho” que saiu – “Estou me libertando do velho…” O subconsciente entende que é para soltar, e assimila, pela repetição, a nova ação.
  • Abdome expandido – está repleto de ar novo – “…e abrindo espaço para o novo”. O subconsciente que é para receber assimilar, pela repetição, o ato de aceitar.

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Resultado: o subconsciente entende esta massagem voluntária como uma mensagem – e aprende a nova atitude mental pela ação do movimento, pois a praticante, compreendeu experimentalmente, o princípio de libertar e soltar, que é o oposto da prisão de ventre, que, na realidade, é uma maneira de se contrair e agarrar (Hay, 1988).

A psicoterapeuta e psicóloga clínica Patrícia Maia Gutierres, diz “quem é autônomo não tem a necessidade de dominar ou controlar qualquer coisa, pois a consciência de si mesmo (autonomia) é pura fluência, não necessitando contrair, reter ou apegar-se à coisa alguma”.

Na realidade, assim como nas técnicas de massagem, os movimentos abdominais da Dança do Ventre, também promovem uma limpeza fisiológica de um ciclo emocional que ficou preso; dissolvendo as couraças de vísceras e tecidos, restaurando a eliminação de fluídos desnecessários ao organismo, fazendo com que a energia circule para revitalizar as células. Prisão de ventre é um tipo de couraça e couraças são resistências, defesas que se manifestam para proteger – se forçarmos o rompimento delas, outras virão para substituí-las. É preciso então, estabelecer um diálogo com elas através do movimento. Ele não retira a resistência, mas dialoga com ela, aumentando o fluxo da energia para que ela desbloqueie, flua e restaure o processo.

Neste processo, temos ainda a questão energética das ondulações abdominais, conjugadas com as ondulações pélvicas, que liberam as energias congestionadas nos quatro chakras inferiores do corpo:

  • Básico ou rádico, ligado às glândulas supra-renais, localizado na base da coluna;
  • Umbilical ou sexual, ligado às glândulas sexuais, localizado no baixo ventre;
  • Esplênico, ligado ao baço, considerado um chakra secundário por não estar ligado a nenhuma glândula – (porém, segundo o Prof. Wagner Borges ele é também incluído em alguns sistemas de estudo energéticos), localizado em cima do baço;
  • Gástrico ou plexo solar, às vezes também chamado de centro umbilical, ligado ao pâncreas, localizado a 1 cm acima do umbigo.

Os movimentos ondulatórios ativam a energia do corpo. Captam novas para absorção e assimilação do organismo. Há de se considerar que o chakra do baço, apesar de ser considerado secundário, também trabalha durante a ondulação, absorvendo, especializando, subdividindo e difundindo o prana ambiente e abastecendo os demais órgãos e chakras.

Logo, as ondulações reciclam as energias velhas e empurra as novas para cima. As energias circulam junto com a intenção do movimento, percorrendo o mesmo caminho da linha traçada. A título de exemplo, vamos partir de uma trajetória que defina como a energia kundalini – energia telúrica de natureza ígnea – irá circular e passar de um chakra para o outro, em sentido ascendente.

chakras
O chakra básico 
relaciona-se com aquantidade de energia física e com a vontade de viver na realidade física. Como atua como uma bomba de energia que impulsiona o fluxo pela coluna de baixo para cima, uma pessoa que possui um funcionamento psicológico saudável, faz o chakra raiz funcionar adequadamente, atuando como uma recarregadora das energias dos que estão à sua volta. Se o centro está bloqueado, a pessoa se sente sem vitalidade física. Logo, a ondulação pélvica auxiliará a puxar a energia da terra, como também assimilará parte do prana que entra por ele, e empurrará a vitalidade para o segundo chakra – o sexual.

O chakra sexual, umbilical ou sacro, de cor laranja, regula a circulação dos elementos vitais. É importante repetir que muitos autores ocidentais que seguem determinadas doutrinas, para não falar sobre este chakra, o substituem pelo chakra do baço. Como ele está relacionado à capacidade que temos de aceitardar e receber o prazer sexual, se ele está bloqueado, a pessoa tende a negar o prazer que o ato sexual proporciona, e, sendo que o orgasmo banha o corpo de energia vital, a pessoa não receberá a nutrição psicológica deste tipo de comunhãoA energia vital desobstrui a energia psicológica, e sobe, então, com as ondulações, para o chakra gástrico.

O chakra gástrico, ou plexo solar, possui cor amarelada, como vimos, é também conhecido pelo seu desempenho como centro emocional,refletindo as reações energéticas em órgãos específicos no corpo. Lembrando também, que ele é responsável pela ligação mãe-filho (afeto/apego), ele é desbloqueado assim que a energia vital passa por ele.

É preciso ainda lembrar, todavia, que a energia vital é absorvida por cada chakra, segundo a freqüência vibratória domesmo, e que a respiração auxilia no metabolismo da mesma, pois o ar traz consigo o prana, fonte essencial de nossa alimentação energética. Então, durante a ondulação abdominal e pélvica, a energia não é apenas absorvida de baixo para cima, mas igualmente de cima para baixo.

Os chakras, no entanto, não trabalham apenas como metabolizadores da energia, mas também como dispositivos que sentem a energia. Isso significa que, quando não queremos assimilar uma informação, fechamos o chakra para que o fluxo de energia considerada indesejável não entre em contato conosco.

Brennan diagnostica isso, de uma maneira geral, da seguinte maneira: as energias para nós necessárias, e que são experimentadas comorealidade psicológica, não fluem para o chakra se ele estiver girando o tempo todo em sentido anti-horário (pois está liberando energia), e logo, como resultado, temos nossas energias lançadas para fora, provocando conseqüências desagradáveis, como irritações, aversões, discussões, etc. Dizemos então que é o mundo, quando, na realidade, para a psicologia, essa nossa reação, não passa de uma projeção. Lembremos da função do chakra frontal: é justamente esta!

Essa projeção não passa de uma realidade imaginada que alimentamos ao longo de nosso crescimento, baseados em nossa cultura e forma de criação. Lembremos agora do chakra coronário: não é cumprir a programação?

Agora, como cada chakra possui uma função psicológica distinta, o que projetamos flui por intermédio deles para o mundo externo, e está relacionado à área específica de cada um. Se, no caso de uma prisão de ventre, observarmos os padrões de pensamentos envolvidos, chegaremos à conclusão de que aenergia numínica, isto é, aforça psíquica imbuída em qualquer forma de apego, fecha o chakra gástrico (ele não gira em nenhum sentido, não inspira nem expira energia, fica parado!). Mas se associarmos a força numínica de uma ondulação, isto é, seu significado arquetípico, não apenas a força do movimento entrará em ação para desobstruir o chakra, mas também a corrente vital impregnada do significado arquetípico será metabolizada. Lembremos que o que chamamos de inconsciente coletivo funciona como um arquivador de fatos e pensamentos culturais. De uma maneira poética, podemos dizer que:

Existe no universo um arquivador prânico de nossas memórias

 

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Em 2001, o conservadorismo religioso egípcio virou notícia de manchete no Brasil. A associação de preconceito e moral em relação à manifestação artística da dança do ventre deu autoridade a uma espécie de “polícia moral” conhecida como Adab, para fiscalizar as bailarinas, a circular pelos hotéis e casas noturnas a fim de averiguar se as mesmas estavam cumprindo com o “código de bons costumes”, o que significava:

1 – Não mostrar as coxas;
2 – Não mostrar as costas;
3 – Não mostrar o ventre.

Tal restrição modificou completamente a plástica artística, e, muitas bailarinas, preferiram cobrir-se por completo para não arriscar a carreira e serem condenadas ao presídio – Folha de São Paulo 20/01, na reportagem de Paula Schimitt, “O Egito censura o ventre na dança do ventre”, p. A20.

Segundo a referida reportagem, no Egito, a cultura de bailarinas de dança do ventre estava desaparecendo. O registro de bailarinas era feito junto à Adab e não nos sindicatos, pois não havia representação sindicalizada para elas. E como as estrangeiras estavam proibidas de se apresentarem – pois, o que se esperava, era que se um estrangeiro chegasse ao Egito, ele gostaria de ver uma egípcia dançando, e não uma japonesa – a tendência era diminuir cada vez mais o número de bailarinas nativas, pois o fundamentalismo religioso ainda é um movimento muito forte e coeso no país.

De acordo com as informações da reportagem, haviam 5.000 bailarinas profissionais em 1957, e até a data da reportagem, existiam apenas 380 registros. “Os egípcios podem até ir ao show, mas vão sempre olhar as dançarinas com menosprezo”. “Enquanto a filha tem seis anos ou sete anos de idade, a mãe acha bonitinho vê-la dançar. Mas, assim que a menina cria corpo, a mãe proíbe a filha dizendo que aquilo é indecente”. São alguns dos depoimentos colhidos e publicados na reportagem. O preconceito pode partir até mesmo de ex-bailarinas.

O "indecente" na reportagem dá o sinal do profano, do não-religioso, como o não-considerado.

Em contrapartida, a dança do ventre nasce no sangue das egípcias, assim como o samba nasce no sangue da brasileira. E o Egito ainda é o pólo mundial exportação da técnica. Esta ambivalência ou dicotomia é estudada pela conferencista holandesa Karin van Nieuwkerk, que desenvolveu um estudo sobre a influência do fundamentalismo islâmico nos entretenimentos do Egito, podendo ser acessado originalmente, em sua formatação completa, sob o título An hour for God and an hour for the heart”: Islam, gender and female entertainment in Egypt, ou parte deste trabalho no link do google books sob o título A trade like any other: female singers and dancers in Egypt”.
 

Sua pesquisa revelou que a música e a dança são proibidas segundo as restrições religiosas, sendo que as mulheres que escolhem este caminho por profissão, estão escolhendo muitas vezes um caminho de vergonha.

A rígida adesão às leis islâmicas proíbe as mulheres de trabalhar com entretenimentos, quer seja dançando, quer seja cantando. Especialmente as mulheres, são vistas como imorais por trabalharem com entretenimentos, são considerados haram, pecado.

Mas, embora o discurso religioso restrinja a participação feminina e a religião certamente influencie as atitudes do povo egípcio em relação à arte e à diversão, segundo Karin, o Islã não é a força mais importante na vida dos egípcios. Muitos ainda mantêm “uma hora para Deus e outra para o coração”.

De acordo com a maioria das pessoas entrevistadas por ela, a religião não exclui o divertimento, eles podem coexistir lado a lado. Segundo um egípcio entrevistado: “Se os egípcios ouvem uma boa música, a primeira reação de admiração é dizer ‘Allah!’ Então, se nós invocamos o nome de Deus, como isso pode ser Haram?”

Karin destaca que a sociedade egípcia vem recebendo a crescente influência do fundamentalismo religioso desde 1970, porém, que aagitação religiosa contra os entretenimentos públicos vem de longa data. Começou no penúltimo século, em meados de 1930 e no final dos anos 40, evidenciando também um despertar religioso desfavorável para divertimentos. É até mesmo comum, muitas bailarinas viverem entre a culpa e o trabalho. Algumas bailarinas chegam a orar para se purificarem depois que dançam, na esperança que Deus julgue as pessoas pelo que elas são, e não por suas atividades profissionais.

No outro extremo, encontramos exclamações como as que se seguem:

“Os fundamentalistas dizem que fazemos coisas contra nossa religião, mas nós comemos dela (dança). Eu crio e educo minhas crianças através dela (dança). Então, que eles providenciem para nós um outro trabalho, com o suficiente para pagar a escola e outras despesas para meus filhos. Eu luto por eles.”

“É fácil para eles falarem, eles têm melhores empregos. Talvez Deus facilite as coisas para eles, mas eu sou uma entre aquelas que tiveram que ganhar dinheiro da dança.”

Ao entrevistar um sheikh sobre as danças folclóricas femininas, cujas danças cobremm mais o corpo do que a dança do ventre, Karin questionou se este tipo de dança seria “menos haram”, ele respondeu:“Não, elas também movem seus corpos.” Então, ao perguntar por que a dança masculina não é haram, obteve como resposta: “O corpo do homem não é vergonhoso, e não pode excitar.” O que fez Karin concluir que o corpo feminino possui uma conotação exclusivamente sexual para os religiosos“O corpo de um homem dançando está fazendo um trabalho, o corpo de uma mulher dançando está movendo instintos sexuais.”

Nestes termos, Karin conclui que a permissividade para as performances femininas depende da extensão que ela provoca na audiência masculina. A voz feminina tem mais poder para excitar e o corpo para “tentar” ainda mais a audiência, e esta percepção distorcida torna qualquer performance feminina uma atividade sexual. E o sexo fora do contexto do casamento é uma grave sina neste país. A profanação pode ser considerada aqui como o ato de inferiorizar o que é sagrado para o outro.

Mas o discurso religioso é também ambivalente em suas atitudes em relação aos entretenimentos. Eles se dividem de um lado com a visão de que o corpo feminino é naturalmente sedutor e que são pecaminosas as atividades que advêm do seu uso. De outro lado, eles se consideram como pessoas respeitáveis, negando qualquer aspecto vergonhoso de suas profissões. Mas concordam com a maioria dos egípcios, que na vida diária, deveria ser “uma hora para Deus e uma hora para o coração.”

 

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