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Story

Acho a divisão do mundo em paises uma besteira, coisa que só serve a políticos e militares. Sem nações não existiriam políticos, os quais mal elegemos e já estamos criticando. Tampouco haveria motivo para os militares e suas guerras e conquistas.

Os países estão separados por linhas imaginárias que apenas nós humanos reconhecemos. Os rios que cruzam fronteiras não sabem desses limites, muito menos os animais. As linhas estão apenas nos mapas.

Isso é o que diz minha razão, mas prá contradizê-la relato abaixo o que vive meu coração.

Por ocasião de uma greve na Bolívia, lá pelos idos dos anos 80, eu louco prá voltar pro Brasil, tive que passar algumas noites dormindo no chão de um aeroporto em Santa Cruz de la Sierra.  Aquilo tinha virado um festival de hippies do mundo todo, inclusive com som ao vivo e alteradores do estado de consciência circulando livremente. Por sorte descobri um aviãozinho militar, daqueles de hélice ainda, que saia em direção à fronteira com o Brasil.

Com a ajuda do meu espanhol enferrujado e alguns "pesos" caindo nas mãos certas, embarquei na lata velha que eles chamavam de "aeronave". Muitas horas e várias escalas mais tarde, aterrisamos numa tirinha de terra no meio do nada.

__ "Aqui termina tu viaje. Del otro lado es el Brasil", me disseram os milicos.

E os caras sumariamente me botaram  prá fora do avião, apontando um caminho que levava prá dentro da mata. Segui o caminho, que remédio?, claro, tremendo de medo de encontrar uma onça ou um índio!  Mas qual nada, acabei dando com uma porteira depois de andar uns dez minutos. E do outro lado da porteira um rapaz muito bem-humorado, como que lendo meus pensamentos disse:

__ Relaxa, que do lado de cá da porteira é o Brasil.

Foi uma sensação maravilhosa! Cruzei a fronteira e foi como se eu estivesse chegando em casa, apesar de me encontrar ainda no meio de uma selva amazônica escaldante!  Precisei de mais alguns dias de ônibus prá chegar a São Paulo, à minha casa,  mas cruzar aquela linha imaginária e escutar minha própria língua me remeteram imediatamente a uma situação de conforto.

Ainda hoje sinto a mesma coisa quando piso o solo brasileiro. E mesmo achando uma patriotice boba, me comovo ouvindo o hino nacional. E os jogos da seleção brasileira então? Não fico imune àquela corrente prá frente que se forma durante a copa do mundo de futebol, de jeito nenhum!

Mas não consigo deixar de pensar, nessas horas, que meu coração está comprando gato por lebre... Fazer o que?












Comments

1 year ago

Existe uma frase que o "nacionalismo é o último bastião dos canalhas" (ou coisa do gênero que minha memória não anda lá essas coisas). Lembro-me muito do meu professor preferido, Miguel Zuanazzi, professor de História no cursinho Universitário e no Colégio João Paulo I, aqui em Porto Alegre. Foi ele que me ensinou que existem dois tipos de nacionalismo: o opressor, aquele que vem das nações fortes, imperialistas, e o libertador, ligado às lutas de libertação nacional dos países semi-coloniais (como seria hoje o caso do nacionalismo palestino).
Vocês sentem um tom um tanto "ortodoxo" no que escrevi, por isso apelo para as críticas e comentários. Também gostaria que me add, fazer amigos no YouBliss.
Att
Alexandre Magalhães

2 years ago

Que bom...bom menino!

2 years ago

Isso de querer uma tragédia foi há muito tempo, Edna, hoje estou curtindo as coisas simples da vida e achando maravilhosas...

2 years ago

ver sabor em tragédia...sei não...tenta rever esse conceito e desfrutar de sabores mais normais...tem prazer em ser normal tbm...

2 years ago

Do seu ponto de vista, Edna... do meu, é tão normal que eu já cheguei a desejar que alguma tragédia acontecesse para torna-la mais saborosa (juro!).