Story

Desde pequeno, minha mãe me martelava a cabeça, dizendo que a nossa religião era a única verdadeira. Todas as outras, ela afirmava categórica, levavam as pessoas a acreditar em mentiras que fechavam definitivamente as portas do céu! Era preciso ter o passaporte do batismo prá almejar o paraíso. Ainda hoje ela acha e prega isso.

Minha imaginação de criança se enchia então de budistas, espíritas e mórmons, todos ardendo nas chamas do inferno. E eu me perguntava: por que ser candidato a churrasco se a salvação estava ali mesmo, disponível num templo católico? Eu nunca entendi isso. Aliás nunca entendi nada do que tentaram me ensinar sobre religião.

Três pessoas numa só, concepção através do Espírito Santo, ressurreição, tudo isso eram conceitos por demais misteriosos e muito além do meu alcance. O ritual da missa aos domingos então, era uma experiência torturante. A voz do padre, num latim monocórdio, só fazia me entediar, o incenso me sufocava, e os únicos pensamentos que povoavam minha mente eram o pão com manteiga e o café com leite que eu ia tomar ao sair dali.

Naquele tempo, não sei se hoje ainda é assim, era preciso estar em jejum para comungar, e eu comungava sempre, pois não queria que pensassem que eu estava em pecado... Assim vivi, encenando minha pequena farsa, até que aos treze anos dei um jeito de escapar prás salas de cinema, que, estas sim, me nutriam com algo mais consistente.

Nunca mais fui a uma missa por livre e espontânea vontade. Mas nem por isso me considero uma pessoa não religiosa. É verdade que passei um período nas trevas entre os 13 e os 16 anos. Mas aos 17 me caiu nas mãos um livro providencial: "As portas da percepção" de Aldous Huxley, um achado para um jovem sedento de horizontes mais amplos.

Devorei as páginas desse verdadeiro manual do uso de substâncias alteradoras do estado de consciência visando a expansão da mesma. E fui atrás do que eu tinha mais à mão: cogumelos alucinógenos. Num passe de mágica virei um assíduo frequentador dos pastos onde abundava o famoso  Pscilocybe brasiliensis.

Logo nas primeiras experiências pude me dar conta da pequenez humana. De quanto mais havia além da realidade em que as coisas comuns acontecem.  As peças do quebra-cabeça começavam finalmente a se encaixar. Pude compreender de uma maneira não mental, tudo aquilo que até então a escola, a igreja e meus pais insistiam em me passar através de palavras. Dito de outro modo, me percebi fazendo parte de um todo do qual até então nem suspeitava a existência.

Tive a noção clara de que o corpo é apenas uma manifestação de algo que vai muito além da matéria. E assim foi meu batismo espiritual, o começo da conexão com o que está além do chamado "mundo real". Sou grato por isso, e principalmente por perceber que este não é o único caminho que nos religa às origens.

Tenho amigos evangélicos, mórmons, católicos, judeus, e aprendo sempre com todos. Uma vez uma amiga minha me falou uma coisa a qual nunca esqueci;

__ Dentro de cada ser humano brilha sempre uma chama divina.

É por essa chama que eu procuro ao me relacionar com as pessoas.

Comments

3 months ago

Chico, o que salva são nossas boas ações e não religião, apesar que tenho na família e amigos de várias religiões e contra eles nada tenho, nada tenho porque eles são normais como eu do contrário não queria vê-los nem pintados de ouro. Não faço com os outros o que não gostaria que fizessem comigo, simples demais né, pena que a lavagem cerebral existe e muitos caem na rede dos fanáticos.

Em breve pesquisa no Youtube vi que existem umas pessoas que em nome de "Jesus" torturam e ou matam criancinhas de colo ou maiores por acharem que são bruxas (Pastor incute na idéia dos pais que elas "as crianças, geralmente o mais fraquinho ou com algum problema físico ou psicológico são bruxos" e por isso são motivos de desgraças na família, doenças, falta de trabalho...), alguns pais até participam dos rituais satânicos, macabros, chega a doer no fundo da alma assistir os vídeos.

Outra religião usam de maltratar e torturar principalmente mulheres e meninas e por motivos banais, o homem inventa uma religião, cria regras e as pessoas de mente fraca vão todas atrás. Pra quê matar a pedradas uma mulher ou chicotear em praça pública ou no meio da rua e fazer comer suas próprias fezes, isso é coisa do demo que se apossa do corpo de pessoas fracas espiritualmente e sem Deus verdadeiro no coração.

Pesquise "CRIANÇAS ACUSADAS DE BRUXA"
" "MULHERES APEDREJADAS"
" "ENSINANDO BATER EM MULHERES"
" "PEDOFILIA NO HAMAS" HOMENS DE 25, 30 ANOS QUE SE CASAM COM MENININHAS DE 4, 5, 6, 10 ANOS.

Doe demais também ver que existe pastor chefe de famosa igreja que é totalmente a favor do aborto, veja lá ele mesmo dizendo porque é a favor... digite lá no YOUTUBE "pastor a favor do aborto" Abre o segundo link.

Tinha que haver um jeito de parar esses horrores... fala-se tanto de inferno... pra quê, se vivemos no próprio, só mesmo Deus pra nos dar forças para continuar vivendo em meio a tantos canibais, sedentos de sangue e torturas. alheias.

10 months ago

Einstein disse: "Ética é um conceito puramente humano, nunca existiu algo de sobrenatural por detraz dela"
O mesmo se aplica a religião.
Pena que demorei 40 anos para entender isto.

1 year ago

chico perfeito como ja partilhei com vc eu ja fui muito focado na igreja vivia como um fanatico até que realmente me encontrei hoje sou catolico pratico minha fé mais sem distinção de ninguem e tb sem fanatismo atualmente estudo teologia pra poder entender diversas duvidas sobre o inexplicavel que eu ainda tinha religiao melhor é isso viver oq vc tem de melhor dentro de vc abraços vou trabalhar

2 years ago

Nem me lembrava mais que tinha escrito isso, Regina... Quanta coisa tem dentro da minha cabeça, ou tinha, porque agora já saiu de lá! rs!

2 years ago

Nossa chico..interessante historia chikinhu... esse dogmatismo toda...mata qualquer verdade humana.