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Story

Texto de

 ROSA MARIA LOPES MARTINS*
MARIA DE LURDES MARTINS RODRIGUES

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Os estereótipos mais estudados atualmente são os que se referem a grupos
étnicos, no entanto existem estereótipos em todos os domínios da vida social: relativos a ambos os sexos, às ocupações, ao ciclo vital, à família, à classe social, ao estado civil,aos desvios sociais e a qualquer campo da vida que desejamos diferenciar.

Estudos recentes sobre o sóciocognitivismo, reafirmam o papel crucial dos
estereótipos na percepção de outros seres humanos, havendo mesmo quem defenda (Bondehausen y Wyer, 1973) que as pessoas utilizam prioritariamente os estereótipos para interpretar a informação complexa sobre indivíduos e grupos, buscando outras interpretações apenas, quando os estereótipos não oferecem explicações suficientes.

O estereótipo é “uma representação social sobre os traços típicos de um grupo, categoria ou classe social (Ayesteran e Pãez, 1987) e caracteriza-se por ser um modelo lógico para resolver uma contradição da vida quotidiana, e serve sobretudo para dominar o real. No entanto, também contribui para o não reconhecimento da unicidade do indivíduo, a não reciprocidade, a não duplicidade, o despotismo em determinadas situações.

A literatura científica sobre os estereótipos é prolixa, pelo fato de se tratar de um conceito multiunívoco –  categorial, generalizador, estável e definidor de um grupo social. Contudo, existem múltiplos defensores dos quais destacamos Walter Lippmann (cit. por Castro et al, 1999) que entende os estereótipos como pré-concepções rígidas, mais ou menos falsas e irracionais.

Socialmente, e no caso dos idosos, a valorização dos estereótipos projeta
sobre a velhice uma representação social gerontofóbica e contribui para a imagem que estes têm se si próprios, bem como das condições e circunstâncias que envolvem a velhice, pela perturbação que causam uma vez que negam o processo de desenvolvimento.

O “Ancianismo” como conceito gerontológico, define-se como o “processo de
estereotipia e de discriminação sistemática, contra as pessoas porque são velhas” (Staabe Hodges, 1998).
Este problema surge, quando o fenómeno de envelhecer é considerado
prejudicial, de menor utilidade ou associado à incapacidade funcional.
A rejeição e rotulagem de um grupo, em particular de indivíduos, desenvolvese porque as características individuais com traços negativos, são atribuídos a todos os indivíduos desse grupo. Assim a palavra ”velhote” descreve os sentimentos ou preconceitos resultantes de micro-concepções e dos “mitos” acerca dos idosos.

Os preconceitos envolvem geralmente crenças, de que o envelhecimento torna as pessoas senis, inactivas, fracas e inúteis (Nogueira, 1996).

No “mundo civilizado” de hoje, a velhice é tida como uma doença incurável,
como um declínio inevitável, que está votado ao fracasso.
Esta postura social atingiu tal dimensão, que Louise Berger (1995) chega
mesmo a afirmar, que abundam hoje “ideias feitas e preconceitos relativamente à velhice.

Os “velhos” de hoje os “gastos” os “enrugados” cometeram a asneira de
envelhecer numa cultura que deifica a juventude”.

De fato, as atitudes negativas face aos idosos existem em todos os níveis
sociais: intervenientes, beneficiários, governantes etc. Assim, perante esta diversidade de conceitos somos levados a questionar o que se entende por mitos, estereótipos, crenças e atitudes?

Atitude, é um conjunto de juízos que se desenvolvem a partir das nossas
experiências e da informação que possuímos das pessoas ou grupos. Pode ser favorável ou desfavorável, e embora não seja uma intenção pode influenciar comportamentos.

Crença, é um conjunto de informações sobre um assunto ou pessoas,
determinante das nossas intenções e comportamentos, formando-se a partir das informações que recebemos. Por exemplo: a “ideia” de que todos os idosos são sensatos e dóceis e nunca se zangam.

Estereótipo, é uma imagem mental muito simplificada de alguma categoria de pessoas, instituições ou acontecimentos que é partilhada, nas suas características  essenciais por um grande número de pessoas (Castro, 1999); dito de outra forma é um  “chavão”, uma opinião feita, uma fórmula banal desprovida de qualquer originalidade, ou seja é uma “generalização” e simplificação de crenças acerca de um grupo de pessoas ou de objectos, podendo ser de natureza positiva ou negativa.

O estereótipo positivo, é aquele em que se atribuem características positivas a todos os objectos ou pessoas de uma categoria particular, por exemplo, “todos os idosos são prudentes”.

Contrariamente, um estereótipo negativo, atribui características negativas a
todos os objectos ou pessoas de uma determinada categoria, de que é exemplo “todos os idosos são senis”.

Um estudo realizado na Université de Montreal por Champagne e Frennet (cit.por DINIS, 1997), permitiu identificar catorze estereótipos como os mais frequentes relativos aos idosos e que passamos a descrever:

* Os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir;
* Divertem-se e gostam de rir;
* Temem o futuro;
* Gostam de jogar às cartas e outros jogos;
* Gostam de conversar e contar as suas recordações;
* Gostam do apoio dos filhos;
* São pessoas doentes que tomam muita medicação;
* Fazem raciocínios senis;
* Não se preocupam com a sua aparência;
* São muito religiosos e praticantes;
* São muito sensíveis e inseguros;
* Não se interessam pela sexualidade;
* São frágeis para fazer exercício físico;
* São na grande maioria pobres.
...


Dedico a Zilda Arns .

Comments

3 months ago

Matéria muito boa ,mas precisa de uma reconfiguração, e de dados de nossos idosos ,o tempo tem mudado muito, e os idosos precisam ser divididos segundo as classes sociais que alteram os resultados, a saúde altera muita coisa e o apoio familiar ou da sociedade de um modo geral. a pessoa ñ fica velho de um dia para o outro é aos poucos se a assistência médica melhorar a velhice será relativamente + saudável, cultura altera resultados e muito.

1 year ago

Puxa,passou um filme na minha cabeça agora.Sou de Curitiba e tive oportunidade de ouvi-la algumas vezes.Só uma palavra:OBRIGADA

2 years ago

Exatamente, Lilian, agora você falou tudo!!! E falou muito bem. Concordo plenamente.

2 years ago

Sim Pedro, grande perda e a Dra Zilda Arns não derrubou um unico esteriotipo foi muito além certamente continua trilhando seu caminho de "ação" pq tem bons "motivos" para "agir" esteja onde estiver !

2 years ago

Sim Leila, os pensadores criticam as "regras" pq enxergam o poder das "receitas" sociais controlando as massas e a afastastando da possibilidade serem "humanos". Grande abraço !