A poucos dias foi comemorado o ano novo Chinês, e apesar de estar na Tailandia , muitos eventos relacionados aconteceram. Um dia estava no shopping jantando , com uma amiga japonesa quando percebemos um movimento diferente , iria acontecer um evento cultural porém ,cinco minutos antes do incio do show nada contecia , tudo parecia normal , apesar do palco montado e as poucas cadeiras disposta ao redor .
Quando ouvimos musica e pessoas dirigindo o olhar para baixo, estavamos no terceiro piso, e vimos idosos confortavelmente acomodados em cadeiras a uma certa distancia do palco porém na frente, onde tem uma boa visão e conforto . Crianças sentadas no chão um pouco á frente prestando atenção a cada movimento e ouvindo atentamente o que acontecia no palco ,quase imoveis. Ao redor como uma barira de proteção os adultos , nem um movimento apesar do anuncio de sorteios e premios.
Aquela cena me chamou atenção , rapidamente me reportei a outros povos e costumes, onde certamente teriamos um panorama diferente, talvez não seja preciso descreve-lo !
Qual é o exercicio existencial que permite este comportamento ? O que é tratado de forma diferente nas duas metades do mundo? O que muda la do outro lado?
A impressão que tenho é de que o ideal – inclusive religioso – é a supressão do ego em favor do social. Eliminar os desejos pessoais (egóicos) em busca de uma elevação social e espiritual. Não que ele não exista, e que aqui todos sejam justos e despojados de ego. Porém existe o interesse pela perfeição não do eu, mas sim do papel que o eu desempenha. Não tem função fazer nada a não ser que seja feito com muita dedicação. É para ser o melhor sempre, e trazer reconhecimento para seu país.
Se o ego, com suas particularidades individuais, for incitado a se desenvolver ele não se submeterá a abrir mão de suas necessidades em benefício dos papéis sociais.
Eu ainda não aceito, porém entendo porque os indianos não se rebelam com o sistema de castas. Não se rebelam porque o que importa é o seu papel na comunidade e não seu direito individual de existir da forma que escolher. Existe um sacríficio do individuo em prol de uma vida ordenada em sociedade.
Tenho uma amigo chines , no curso de Thai , ele tem 20 anos já é formado em engenharia em uma Universidade da China e esta tentando uma vaga num mestrado aqui, estuda o dia inteiro ingles e thai para avaliação. Questionado me responde: Minha familia conta comigo.
Essa resposta me reportou ao nosso desde de muito cedo: Isso é problema meu , niguem tem nada a ver com minha vida! Ou também o que desde de muito cedo nossas crianças arriscam: Você não manda em mim .
Entendo que o equilibrio é um bom remédio , a possibilidade de escolhas e liberdade tão cultuado em nossa cultura sera mais bem vinda, quando aprendermos a nos desenvolver individualmente e manter o respeito e o interesse na sociedade.
Trazer compaixão e respeito ao ego , não eleiminaria a individualidade ,suprimir desejos não é a solução, mas entender quais devem ser postos em prática sim. Isso pode fazer diferença individual e coletivamente .
1 year ago
Sim Patricia ,sabemos que controlar estes impulsos não é nada facil , mas será que não poderiamos trilhar num caminho um pouco mais equilibrado? Chico , estamos sempre entre nós e aquele que se apresenta para o outro, caminharem juntos é o grande desafio !
1 year ago
A solução desta equação é obra para um vida. Observar os opostos e achar o seu ponto nessa linha que une os dois.
Neste momento da minha vida, estou me aproximando do social, com o máximo de cuidado para não massacrar meu individual. Exige arte e perseverança.
1 year ago
Adorei a sua história, é uma discussão mt interessante, anular o ego ou colocá-lo a serviço? De fato a individualidade negada não torna uma coletividade sadia. Abraço. Patrícia