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Story

Há pouco tempo eu pude participar de um bate-papo com um diretor, ator e dramaturgo de uma companhia de teatro de São Paulo, onde um dentre os vários pontos levantados foram: até que ponto uma obra que apresente novas idéias pode chegar ao espectador e então gerar uma ação, provocar um estado de transição.


Interesses à parte, toda obra que tem o intuito de alfinetar, vai conseguir sim gerar uma experiência subjetiva ao espectador que se enquadre aquilo. Você se desenraizou do velho solo e está procurando pelo novo, e entre os dois, há uma confusão. Ou melhor: um estado de crescimento, de evolução.


Quando é rotulado como confusão, mudança, a pessoa geralmente vai procurar uma maneira de sair disso, então ela se agarra ao velho solo novamente, mas quando você chamar isso de crescimento, evolução, então não haverá pressa em resolver. Na verdade, você perceberá que terá que dar suporte a isso, pois é uma entrada ao novo solo, ao desconhecido.


No mais, nenhuma forma de arte pode gerar um estado de transição ao espectador, mas pode sim oferecer um enorme convite pra que isso aconteça.

 

“A verdadeira dificuldade não está em aceitar idéias novas, mas em escapar das antigas.”

John Maynard Keynes

Comments

1 year ago

Sim, sim. Não é verdade. Quando eu dizia grande parte dos artistas eu dizia grande parte dos artistas que já tive oportunidade de discorrer sobre esse ponto.

Enfim, é por isso que venho a salientar o ponto: para compreender se o artista carrega algum interesse com a arte, ou não.

1 year ago

"pelo fato de uma grande parte dos artistas verem a arte como um objetivo, um meio utópico de transformação"

Não é verdade

1 year ago

Sim, o processo de manifestação da arte no espectador vem a ser um subproduto. Venho a salientar a manifestação do espectador pelo fato de uma grande parte dos artistas verem a arte como um objetivo, um meio utópico de transformação - por isso é que digo "interesses à parte".

Como o Chico vem a compreender, é preciso que compreendam que quando você emprega um motivo para se dançar, a dança morre. Advogo para que dancemos e deixemos fluir naturalmente, então a manifestação do espectador virá como um subproduto.

1 year ago

Felipe, eu como artista, não penso no efeito que minha arte vai gerar no outro, mas me ocupo em viver os processos que ela desencadeia em mim. Se mexe comigo, provavelmente vai mexer com o outro, ou com algum outro.